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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Catequese para Crianças de 6 anos

Para quem procura sugestão para os assuntos da catequese com crianças de 6 anos, segue abaixo uma lista com os conhecimentos que a criança precisa adquirir durante o ano. Esta lista faz parte de um material elaborado pela Diocese de San Jose, na Califórnia, chamado Princípios Diocesanos para a Catequese. Esse material contém também os conhecimentos que as crianças de 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13 anos precisam aprender. É uma ótima sugestão para aqueles que procuram fazer uma catequese paroquial mais bem elaborada. As outras idades virão em postagens seguintes. Espero que gostem!

http://www.comunidadesdeamor.com/album/pessoas-rezando/crian%C3%A7as-rezando-diante-da-imagem-jpg/

~ Crianças de 6 anos ~


Doutrina
  • Reconhecer que Deus é o criador de todas as coisas, Jesus é o Filho de Deus, e o Espírito Santo é um dom que Jesus nos enviou para que esteja sempre conosco.
  • Identificar e honrar Maria como mãe de Jesus.


Escritura
  •  Demonstrar respeito pela Bíblia como Palavra de Deus.
  • Demonstrar conhecimento de que as leituras da Missa vêm da Bíblia
  • Poder contar as histórias da criação, do nascimento de Jesus e da Páscoa.

Sacramentos e Liturgia
  • Contar que o Batismo nos faz filhos de Deus e nos dá as boas-vindas à família cristã como seguidores de Jesus.
  • Identificar a água como símbolo principal do Batismo.
  • Falar sobre sua experiência de participação na Liturgia Dominical com a comunidade.
  • Demonstrar reverência pelo edifício da Igreja como um lugar sagrado.

Formação Moral
  • Reconhecer que Jesus nos ensina e demonstra como amar a Deus e ao nosso próximo.
  • Reconhecer que seu próprio comportamento afeta outras pessoas.
  • Descrever que a Igreja é a família de Deus e é nossa responsabilidade ajudar uns aos outros para sermos santos.
  • Reconhecer a importância de cuidar dos seus corpos como um dom de Deus.

Oração e Espiritualidade
  • Contar as formas de como Deus nos mostra seu amor.
  • Descrever que a oração é escutar e falar com Deus.
  • Guardar silêncio durante a oração.
  • Dizer uma oração pessoal de ação de graças.
  • Demonstrar que podem rezar diariamente.

Serviço/Missão
  • Descrever caminhos para servir outras pessoas imitando Jesus.
  • Dar exemplos e praticá-los de maneira a cuidar e respeitar o dom de Deus da criação.

Memorizar
  • O sinal-da-cruz
  • A Ave-Maria
  • O Pai-Nosso

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Planejamento 4: Defina os objetivos

Esta é a quarta parte do Planejamento Anual da Catequese. Eu poderia fazê-las todas resumidamente em uma só postagem, no entanto, para melhor organização das minhas ideias e melhor compreensão do leitor eu optei por fazê-las separadamente. Esteticamente fica mais agradável e espiritualmente menos carregado.



Depois de decidirmos quais os assuntos que gostaríamos de ensinar na catequese, chegou a hora de estabelecermos o que será trabalhado dentro de cada assunto. Exemplo: se eu havia escolhido o Sacramento do Batismo, agora eu preciso decidir o que eu quero que as crianças saibam sobre este sacramento (faz-nos filhos de Deus, faz-nos membros da Igreja, etc), de acordo com a capacidade das crianças. Porque a compreensão de uma criança de 6 e outra de 9 anos são diferentes.

Para ficar um pouco ainda mais claro, pensemos o seguinte: se o meu aluno fosse contar o que ele sabe sobre esse assunto, o que eu gostaria que ele falasse? Essa é a pergunta mais importante que nós temos de fazer a nós mesmos quando formos estabelecer os objetivos de cada aula. É a partir da resposta a este questionamento que faremos a nossa aula a mais produtiva possível. 

Ilustrando (minhas alunas têm 11 anos):

Veja também:
Parte 5: Crie atividades

Presépio do Vaticano

O Presépio exposto no Natal de 2012 no Vaticano está em Goiânia. Estávamos esperando a chuva dar uma trégua para poder visitá-lo e finalmente ontem à tarde foi possível. É uma bela obra! Oportunidade única, não percam!

A resolução das imagens não está muito boa, pois foram feitas por celular. Para ampliá-las, basta clicar sobre elas.








domingo, 29 de dezembro de 2013

Sugestão de Currículo para a Crisma

Procurando sugestão de currículo para a Crisma?

Há um excelente material (em espanhol) com as diretrizes da Catequese de Confirmação/Crisma preparada pela Diocese de Oakland, na Califórnia. Abaixo, traduzi e adaptei somente o currículo, que é realmente muito bom. Quem quiser dar uma olhada e/ou estudar o material, o link é este: http://www.oakdiocese.org/education/evangelization/downloads/confirmation-standards-spanish



Currículo de Confirmação

1. Conhecimento da Fé

 

+ Os Credos da Igreja são manifestações de fé com seu fundamento na crença da Igreja Primitiva, desenvolvida nos primeiros séculos em resposta a novas questões doutrinais. (Catecismo da Igreja Católica 187, 192; Diretório Geral para a Catequese 83, 108, 114-117)

+ Há Três Pessoas na Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. (CIC 238-267; DGC 99, 100)

+ Nada existe que não deva a sua existência a Deus Criador. O Pai se deu a conhecer por Si Mesmo na criação e em sua Palavra Eterna, Jesus Cristo. (CIC 293, 338)

+ Toda a criação é o resultado do amor incondicional de Deus. (CIC 295-301)

+ A felicidade depende da nossa compreensão do que Deus quer que sejamos (CIC 283)

+ Jesus é o Filho de Deus, nosso irmão, Mestre e Redentor. Ele foi enviado por Deus Pai, para salvar-nos e mostrar-nos como o Pai quer que vivamos. (CIC 436-451; DGC 98, 102)

+ Jesus Cristo possui duas naturezas, uma divina e outra humana, não confundidas, mas unidas na pessoa do Filho de Deus. (CIC 481; DGC 98-100)

+ O ministério de Jesus teve três aspectos: Sacerdote, Profeta e Rei. (CIC 436, 440, 680; DGC 101-102)

+ Jesus morreu e ressuscitou dentre os mortos. Através de sua morte e ressurreição, ele venceu o pecado e a morte e redimiu o mundo (CIC 601-603, 635-636; DGC 102-103)

+ O Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, foi enviado por Deus Pai e o Filho para viver entre nós e unir-nos mais. (CIC 686)

+ O Espírito Santo, a quem Cristo, Cabeça, derrama sobre seus membros, constrói, anima e santifica a Igreja. A vida moral dos Cristãos se sustenta pelos dons do Espírito Santo. As virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade) dispõe os Cristãos a viver em comunhão com a Santíssima Trindade. (CIC 747, 1812-1813, 1830, 1840-1844)

+ O Espírito Santo ilumina nossas decisões para que reconheçamos a vontade de Deus em nossas vidas. (CIC 1742, 1788; DGC 42-45)

+ As marcas da Igreja são Una, Santa, Católica e Apostólica. (CIC 750)

+ Deus é o autor da Sagrada Escritura (CIC 105)

+ Há três critérios para uma interpretação da Escritura conforme o Espírito que a inspirou: prestar una grande atenção "ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura"; ler a Escritura na "Tradição viva de toda a Igreja"; estar atento à "analogia da fé". (CIC 111-114)

 

2. Liturgia e os Sacramentos

 

+ A liturgia é a celebração da comunidade, cuja vida e fé se nutrem com a Palavra, a Eucaristia e a presença de cada indivíduo. (CIC 752)

+ Os Sacramentos são ritos sagrados que dão expressão à iniciação, cura e serviço. (DGC 80, 83, 85, 231)

+ O Batismo, Confirmação e Eucaristia são os Sacramentos de Iniciação; Penitência e Unção dos Enfermos são Sacramentos de Cura; Matrimônio e Ordens Sagradas são Sacramentos de Compromisso e Serviço. (DGC 62, 224, 227, 231)

+ O Batismo é a imersão na vida de Cristo. (CIC 537, 1214; DGC 82)

+ Na Eucaristia recebemos a presença real de Cristo: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. (CIC 1374; DGC 85)

+ A recepção do Sacramento da Confirmação é necessária para a plenitude da graça batismal. (CIC 1285)

+ No Sacramento da Confirmação, aos confirmados se lhes concede a força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé mediante a palavra e as obras como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar valentemente o nome de Cristo, e não sentir jamais vergonha da cruz. (CIC 1303)

3. Formação Moral

 

+ Deus criou a humanidade "à sua imagem". A dignidade da pessoa humana está enraizada nesta realidade. (CIC 356-361)

+ Deus deseja que participemos na glória da vida da Trindade por toda a eternidade. (CIC 260, 1024)

+ A esperança de ir ao céu e a felicidade eterna nos inspiram a viver uma vida moral. (CIC 1817-1821, 1965-1974; DGC 23)

+ No pecado, os seres humanos preferem-se a si mesmos em vez de Deus, e não alcançam a perfeição a que são chamados, a qual é a Glória de Deus. (CIC 398, 1487, 309-310)

+ Nossa habilidade para escolher é guiada pelo Espírito Santo (CIC 1788, 1811)

+ As Bem-Aventuranças são um guia para os valores do Reino de Deus. (CIC 1716-1717; DGC 115)

+ A dignidade da pessoa humana requer uma retidão da consciência moral. A consciência nos capacita a assumir a responsabilidade pelos nossos atos. Na formação da consciência, a Palavra de Deus é a luz para nosso caminho (CIC 1780, 1785)

+ A sexualidade humana é um dom de Deus para estabelecer uma união íntima e procriar uma família, dentro de um matrimônio para toda a vida entre um homem e uma mulher. Isto exclui a masturbação, fornicação, coabitação, atos homossexuais e adultério. (CIC 231-2333, 2350-2353, 2360, 2380-2381, 2390-2391, 2396, 2400)

+ A pornografia e a prostituição ocasionam uma grave injúria à dignidade dos participantes. A violação é um ato intrinsecamente mal. (CIC 2354-2356, 2382-2385, 2396, 2400)

+ A castidade é a integração da sexualidade dentro da pessoa e portanto a unidade do homem em seu ser corporal e espiritual. (CIC 2337, 2395)

+ Deus estabeleceu o matrimônio para a unidade do casal, para a procriação e a criação dos filhos. Todo ato de amor conjugal deve respeitar este plano e estar aberto a possibilidade de uma nova vida. Os contraceptivos estão inerentemente opostos ao plano de Deus, enquanto os métodos tais como Planejamento Natural da Família (PNF) respeitam a dignidade do casal e o plano do Criador. (CIC 2366, 2369, 2370, 2398-2399)

+ A pureza requer modéstia, que reconhece e protege a dignidade da pessoa. (CIC 2521-2522, 2533)

+ Os atos sexuais fora do matrimônio são graves ofensas contra a dignidade do matrimônio. (CIC 2380, 2400)

4. Oração (DGC 85)


O candidato deverá:

+ Saber que a oração é escutar e falar com Deus e conhecer os quatro fins da oração: Adoração (falar com Deus por ser quem é); Contrição (reconhecer o pecado, arrepender-se e pedir a Deus seu perdão); Ação de Graças (agradecer a Deus pelo que tem feito por nós); Súplica ou Petição (Interceder por nós e pelos demais).

+ Mostrar reverência pela Bíblia.

+ Participar na oração em todas as reuniões.

+ Mostrar reverência em todas as formas de oração.

+ Desenvolver o hábito da oração diária para buscar guia e discernimento da própria vocação.

+ Experimentar a presença de Deus através dos cantos, das reflexões e do silêncio.

+ Participar com outros católicos da missa dominical, onde escutamos a palavra de Deus e compartilhamos o Corpo e Sangue de Cristo.

+ Participar na liturgia e nas atividades dos tempos litúrgicos, por exemplo, acender as velas da Coroa do Advento, as Estações da Cruz e a participação no Tríduo Pascal.

5. Vida de Comunidade (DGC 86, 106)

 

O candidato deverá:

+ Estar consciente da criação de Deus, reconhecendo as pessoas como parte única e especial da criação, com o desejo de viver com Deus eternamente.

+ Entender as maneiras em que Deus nos tem mostrado seu amor.

+ Apreciar os diferentes grupos aos quais pertencemos: Igreja, paróquia, comunidade, família, escola.

+ Valorizar a nossa própria família e demais parentes, mostrar amor e respeito a cada membro de Deus.

+ Saber que por meio do Batismo a Igreja é uma família de fé chamada à santidade, para oferecer apoio, orientação e cuidado para todos.

+ Saber que os padrinhos e acompanhantes representam a comunidade cristã e são modelos de fé.

+ Identificar os santos católicos tradicionais, os quais dedicaram suas vidas a servir.

6. Espírito Missionário (CIC 897, 1822-1829)


+ O Espírito Santo nos permite continuar a missão de Cristo sendo sua viva Presença no mundo. (CIC 521, 737, 768)

+ O Espírito Santo nos dá o poder de proclamar Jesus, sua pessoa e sua mensagem a todos os povos. (CIC 793, DGC 42-45)

+ Os sete dons do Espírito Santo são graças derramadas em especial abundância com o Sacramento da Confirmação e através de nossa vida como seguidores de Cristo plenamente iniciados. Estas graças nos facilitam aplicar nossa fé aos desafios diários e às oportunidades da vida. Os dons do Espírito Santo são: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Conhecimento, Piedade e Temor de Deus. (CIC 1285)

+ Os frutos do Espírito Santo são as virtudes que resultam de nossa cooperação por Seu trabalho em nós. (CIC 736, 1832)

+ Uma vocação é o chamado de Deus a um caminho específico de vida: solteiros, casados, ordenados ou professos em uma comunidade religiosa.

+ Por meio das Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais, uma pessoa vem a ajudar seu próximo em suas necessidades espirituais e corporais. (CIC 1447)

7. Rito de Confirmação

 

 Renovação das Promessas Batismais

+ A renovação das promessas batismais afirma a conexão entre os Sacramentos de Iniciação. (CIC 1298)

+ A vida cristã é uma vida de contínua conversão do pecado a uma vida de graça. (CIC 1426)

Estendendo as mãos sobre os candidatos

+ Desde o tempo dos apóstolos, este gesto tem significado o dom do Espírito Santo. (CIC 1288, 1298)

+ Cada pessoa confirmada é capacitada pelos dons do Espírito Santo, que outorga forças especiais a ele/ela para difundir e defender a fé de palavra e ação como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar o nome de Cristo valentemente e nunca envergonhar-se da Cruz. (CIC 1303)

Unção com óleo/ Santo Crisma

+ A unção com óleo e a imposição das mãos significa e imprime um selo indelével e espiritual e um sinal da consagração em cada candidato. (CIC 1293, 1294)

+ Através da Confirmação, cada pessoa ungida participa mais completamente da missão de Cristo e da plenitude do Espírito Santo (CIC 1294)

Resposta do Candidato

+ O Amém é a afirmação pessoal do candidato de seu desejo de ser uma testemunha espiritual de Cristo no mundo. (CIC 1062, 1064)

Os estudantes devem estar familiarizados com os seguintes termos

(A maioria destes termos deveriam ser apresentados desde os anos anteriores.)

Altar
Apóstolo
Bem-aventuranças
Bispo / Cardeal / Papa
Santíssima Trindade
Catecismo
Catedral
Cálice / Patena
Aliança
Diocese
Páscoa / Advento / Tríduo
Fonte
Sacramentos
Obras de Misericórdia Corporais
Frutos do Espírito Santo
Preceitos da Igreja
Dia Santo
Pecado Mortal
Liturgia Eucarística
Grande Mandamento
Pecado Venial
Antigo e Novo Testamento
Mandamentos
Marcas da Igreja
Virtudes Teologais
Mitra / Báculo
Missionária
Ministério
Missa / Liturgia
Mártir
Ladainha
Espírito Santo
Santidade
Graça
Padrinho
Livre vontade
Paráclito / Advogado
Mistério Pascal
Sacramental
Santo
Graça santificante
Justiça social
Padrinho
Transubstanciação
Vaticano
Vaticano II
Rosário
Tabernáculo / Sacrário
Virtudes Cardeais (morais)
Obras de Misericórdia Espirituais
Dons do Espírito Santo
Evangelhos
Preceito
Liturgia da Palavra

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Planejamento 3: Monte seu currículo

Depois da Primeira e Segunda partes do Planejamento Anual prontas, é hora de montar o currículo - ou melhor, começar a montá-lo.

Nesta terceira parte, o nosso objetivo é estabelecer os conteúdos da catequese para o ano. E somente os assuntos: aquilo que gostaríamos de ensinar. Sem separar material, nem nada.



Primeiro nós precisamos obter um calendário (preferencialmente de papel). Neste calendário nós marcaremos o início e o fim da catequese e os dias de encontro (que certamente já foram definidos na reunião de catequistas).

Depois, nós passamos essas datas para o currículo do planejamento anual (onde quer que você esteja fazendo o seu planejamento - papel ou computador). E logo abaixo da data, nós colocamos o assunto/tema do dia do encontro:


Muito simples, não? Bem... não! Definir os assuntos/temas dos encontros não são tão simples assim. A catequese precisa ser bem elaborada. Por isso é que o planejamento se faz para o ano todo. Se você é catequista e define os assuntos aleatoriamente e na semana do encontro, está na hora de repensar a sua organização!

Mas como definir os temas, então? A equipe de catequese da sua paróquia deve definir (se ainda não definiu) um planejamento geral de assuntos abrangendo todos os anos da catequese: desde as criancinhas até os adultos. Isso é necessário porque a catequese paroquial precisa abranger toda a doutrina católica durante os anos de catequese e também para que os assuntos não sejam tão repetitivos.

O pré-requisito básico é que o encontro anterior dê as bases para o encontro posterior. Por exemplo: você não abordará a Santíssima Trindade do nada. As crianças precisam saber previamente que Deus é o Criador de todas as coisas, que Ele é um espírito puro etc.

Atente para o seguinte: é possível organizar a catequese em todas as idades para que ela englobe todo o catecismo durante o ano. E não é algo repetitivo, pois em cada ano é possível dar um enfoque diferente (mesmo sendo o mesmo conteúdo básico) e também a maneira de ensinar será diferente, principalmente por causa das diferentes idades.

Se a sua paróquia não possui um planejamento geral, convide o coordenador da catequese para que a equipe de catequistas possa elaborar um.

Você pode encontrar alguma inspiração aqui:

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Planejamento 2: Estabeleça metas

A segunda parte do Planejamento da Catequese visa estabelecer metas para o próximo ano. E essas metas são estabelecidas a partir das reflexões feitas na primeira parte do Planejamento.




Pois bem, depois de refletirmos bastante sobre as nossas metas passadas, os nossos sucessos e os nossos fracassos, passemos às metas. Elas devem abranger 3 grupos: 

1 - Os nossos esforços espirituais para a catequese;
2 - As metas espirituais para as crianças; 
3 - Os conteúdos da catequese;


~ Os nossos esforços espirituais ~

No primeiro tópico devemos estabelecer metas para nós mesmos. Devemos colocar a catequese e os nossos alunos como intenções nas nossas orações diárias, no santo terço, na adoração eucarística, nas mortificações, em uma novena em especial e em outras devoções.

Monsenhor Álvaro Negromonte já disse*:

Para as obras de Deus não bastam os meios humanos. 
Para fins sobrenaturais, meios sobrenaturais. [...]
Não percamos de vista que o Catecismo tem uma finalidade puramente sobrenatural, a salvação e a santificação das almas. Tudo o mais, no Catecismo, é meio para este fim, inclusive a catequista. E principalmente a catequista. Nela se exigem condições sobrenaturais para ser um instrumento apto, um meio idôneo à realização da obra que se tem em vista.
Não basta, portanto, a preparação intelectual, que é tão importante, e na qual se há de pôr tanto cuidado. Porque aqui o que se deseja não é ensinar a doutrina, mas formar o cristão. Tanto que se poderá saber muito Catecismo sem ser cristão e conhecer todos os mandamentos sem praticar nenhum. Não basta igualmente o preparo pedagógico, o bom conhecimento da metodologia, o emprego dos mais modernos processos, mesmo que as crianças estejam gostando muito da aula de Religião, que a catequista sabe, de fato, tornar interessante.
Assim, uma boa professora pode não ser uma boa catequista, porque a catequese, sendo obra sobrenatural, exige condição sobrenatural, que as outras disciplinas não exigem. Não vale concluir que, então, basta esta condição sobrenatural, e se dispensam as outras.
Não, porque a graça não destrói a natureza, porém a supõe e aperfeiçoa. O sobrenatural firma-se nos meios naturais, para transcendê-los. Tudo o mais, no Catecismo, é necessário, embora insuficiente. [...]
A santidade de vida, o espírito sobrenatural, uma sólida e verdadeira piedade, eis o primeiro elemento de êxito da catequista. [...]
Para eficácia do que ensina, a catequista precisa de uma irrepreensível vida cristã. [...]
A verdadeira atitude da catequista, a única realmente digna e consequente, é a de imitadora fiel de nosso Senhor para poder repetir aos seus pequenos discípulos a palavra de São Paulo: "Sede meus imitadores assim como eu sou de Cristo". [...]
Não são tanto os atos que as crianças imitam; imitam as pessoas que os realizam, e isto se dá precisamente em vista da simpatia que experimentam por essas pessoas. [...]
A catequista está diante de observadores de grande perspicácia. Olham, ouvem, refletem, concluem. E, quando concluem, são terrivelmente lógicos.


~ Metas espirituais para as crianças ~

As crianças precisam ser orientadas para um relacionamento profundo com Cristo em uma formação moral sólida.

As famílias dos alunos devem participar do processo de catequese! A criança que aprende a rezar na catequese deve chegar em casa e rezar junto com os pais e irmãos. Por isso é tão importante estabelecer certas metas para as crianças também em relação às suas famílias. 

Quais são as suas metas para as suas crianças?
  • Rezar diariamente?
  • Participar da Missa dominical?
  • Levar os pais a participarem da Missa dominical?
  • Viverem as virtudes?
  • Crescerem na graça?
  • Ajudar o próximo necessitado?
  • Ter um bom relacionamento com todas as pessoas (familiares e não familiares)?
  • Saber discernir o certo do errado?
  • Vencer as tentações?
  • Saber escolher sempre o certo?
Tudo isso o catequista vai anotando... E junto com essas metas é preciso estabelecer um modo de atingi-las. Como fazê-las compreender que é necessário e agradável a Deus rezar diariamente e participar da Missa? Como envolver os pais das crianças na catequese? Como ensiná-las a viverem as virtudes? Porque o principal objetivo é este: formar cristãos.

E é preciso ter em mente que a principal coisa a se fazer na catequese é atingir essas metas espirituais para as crianças. A doutrina vem junto e é importantíssima - não nos esqueçamos -, mas por si só é ineficiente.

Um outro trecho do Monsenhor Negromonte:

[...] é preciso atingir a vontade para fazer amar o bem e praticá-lo, [...]
Formaremos convicções com raízes profundas e sólidas na inteligência. Convicções: ideias inabaláveis, que encham o entendimento e o absorvam, transbordando. Formaremos o sentimento, forte, enérgico, orientando e corrigindo as paixões, que vão ser postas ao serviço do homem integral encaminhado para Deus. [...]
É preciso formar a vontade para realizar as ideias e os sentimentos. Do contrário, continuaremos a assistir ao triste espetáculo de católicos de ideias e sentimentos, ausentes dos mandamentos de Deus e da Igreja. Vai um grande passo da consciência do dever para o seu cumprimento, da teoria à prática. É o papel da vontade. Não de uma vontade qualquer, mas de uma vontade pronta, enérgica, fiel, perseverante. Sem esta vontade realizadora, de pouco valem ideias e sentimentos. O nosso trabalho é dar à vontade a fibratura necessária para realizar as convicções.
Este homem, senhor dos seus atos, superior aos fluxos do interesse e aos caprichos das paixões, que sabe o que quer e sabe querer, [...] que diante do dever só conhece a conveniência de cumpri-lo, este espírito estável em que é perfeita a coerência dos atos com as ideias, é um ideal muito formoso, e ,por isso infelizmente, muito raro. Mas é o homem que o educador católico deve formar. [...]
Temos que preparar as crianças para viverem neste ambiente como verdadeiros cristãos. [...]
É preciso agir diretamente sobre cada aluno. Trabalho de alma a alma. [...]
Seria errôneo, e desalentador querer a perfeição de uma vez. É arte não pequena saber proporcionar os motivos à idade, ao temperamento, às circunstâncias. [...]
Quem quer realizar não perde o contato com a realidade. A vida tal qual na verdade se encontra, com as suas exigências, as suas misérias, as suas circunstâncias de tempo, de lugar, de pessoas, é que será o campo de ação do catequista. Permanentemente a braços com a realidade, mas de olhos fixos no ideal.


~ Os conteúdos da catequese ~

Neste terceiro grupo, o nosso objetivo não é estabelecer quais serão os temas tratados durante todo o ano - montar o currículo é a terceira parte do Planejamento Anual -, mas definir (e saber implementá-los) três importantes assuntos que devem ser dados em qualquer catequese e para crianças de qualquer idade. Eles devem estar no topo do nosso currículo. Sempre.

1 - A Sagrada Eucaristia é o próprio Jesus Cristo;
2 - Noção do pecado;
3 - Estado de graça.

Imaginem a devoção de uma pequena criança quando entende que a hora da comunhão é a hora de receber o próprio Jesus! Quando entende que Jesus está no sacrário esperando a nossa visita! Se as crianças soubessem disso se comportariam melhor durante a Missa, fariam mais silêncio na casa de Deus e o mais importante, quando chegasse a hora, receberiam com enorme devoção a Sagrada Eucaristia (algo que infelizmente é tão incomum hoje)!

O real entendimento acerca da Sagrada Eucaristia; a noção do pecado, uma ofensa a Deus que nos deu a vida e nos amou até a morte de cruz; e o estado de graça, quando Jesus está feliz conosco e mora em nós, são assuntos compreensíveis por todas as crianças (com uma linguagem adaptada a cada idade, é certo) e devem estar presentes em cada encontro de catequese, de forma sutil ou explícita.

Essa é uma boa forma de fazer com a criança tenha o enorme desejo de receber Jesus na Eucaristia, de fugir do pecado e de permanecer em comunhão com nosso Deus. 

Em A Pedagogia do Catecismo, padre Álvaro Negromonte (não tem como não citá-lo) ensina:

Noção de pecado - Entra na formação da consciência, como elemento primordial, a noção de pecado. Uma consciência errônea é fonte de muitos males. É comum formar nas crianças uma consciência errônea dando-lhes falsas noções do pecado. Tudo o que a criança faz de mal, seja uma falta contra os mandamentos ou as boas maneiras, grita-lhe logo: "É pecado! Papai do céu fica zangado. O padre briga". E coisas semelhantes.
Ora, pensando que é pecado e fazendo, as crianças pecam de verdade. E então a catequista está multiplicando os pecados, ao invés de diminuí-los da vida do educando. É o caso das crianças que deixam de comungar porque disseram uma pequenina mentira, bateram no irmãozinho, estiraram a língua para a titia, mataram passarinho, bateram o pé para a professora, tiraram doce da mamãe, etc, etc. É igualmente comum confundirem a tentação com o pecado.
É nosso dever ensinar quais as condições exigidas para o pecado mortal, multiplicando os exemplos concretos da vida infantil, fazer a distinção entre ele e o pecado venial, ainda com muitos exemplos práticos, para finalmente descermos às simples faltas e imperfeições, que é bom as crianças evitarem. Frisemos bem a distinção entre o obrigatório e aconselhado, preceito e conselho. Somente assim não falseamos a consciência dos pequenos.
Depois de explicar isto aos meus meninos, ouvi muitas vezes este comentário: "Então é muito fácil a gente não cair em pecado mortal".

Estado de graça - Não há nada mais confortante para um catequista que quer habituar os seus pequenos a viverem constantemente no estado de graça. Estado normal do cristão. Condição indispensável para a incorporação a Cristo, para o mérito sobrenatural. Participação da natureza divina. Vida da alma, comunicada pelo batismo. Deve ser esta a atmosfera do cristão. O supremo cuidado da catequista é de manter e acostumar as crianças no estado de graça.
Para isto, vamos partir do cuidado de dar às crianças a consciência do seu caráter de batizado e esforçar-nos por fazê-la viver como filha de Deus.
O batismo nos abriu o céu, fazendo-nos membros do corpo de Cristo, filhos da Igreja. Elevou-nos à ordem sobrenatural, arrancando-nos do poder do demônio e tornando-nos templos do Espírito Santo. "Sai dele, espírito imundo, e dá lugar ao Espírito Santo Paráclito", disse o sacerdote ao batizar-nos. "O dia do batismo é o maior dia da nossa vida", repitamos com o Santo Padre Pio XI. Convençamos disto os nossos alunos. Acostumemo-los a celebrar o aniversário do batismo, muito mais importante que qualquer outro. O Cônego Coegaert lembra a distribuição de uma lembrança de batismo para ser conservada num quadro.
Para darmos a consciência da dignidade de cristão, façamos mais larga explicação do Batismo, no seu conteúdo cerimonial, nas suas palavras, em suas consequências. As crianças são capazes de compreender o dogma do Corpo Místico, e se sentirão penetradas da felicidade de ser membros da divina Cabeça, de ser ramos da Videira divina.
Daremos ao pequeno a consciência da sua dignidade de cristão. É mister fazê-lo respeitar esta dignidade, vivendo como cristão. Foi o batismo que o fez filho de Deus: é preciso viver como filho de Deus. A filiação divina é tudo para nós. Deus é para nós não só o Senhor, o Criador, mas é Pai: Pai nosso, que estais no céu... Aceitar o que ele diz, esperar o que promete, amá-lo são deveres filiais: Fé, Esperança e Caridade, as virtudes infusas no batismo, e cujo desenvolvimento e cultura promoveremos desde os primeiros dias do Catecismo.
É impossível não termos dado à criança, desta maneira, a estima da graça. Ela saberá que somente em estado de graça é ramo da Videira, é membro de Cristo, é templo do Paráclito, é filho de Deus. [...]

A Eucaristia - Uma das mais fortes ideias da moderna pedagogia religiosa é que devemos orientar os nossos alunos para a pessoa de Jesus, porque mais facilmente se amam uma pessoa que uma ideia. E Jesus é o ponto central do cristianismo. Quando mais próximo estiver, mais as crianças o sentem, mais o procuram. Ora, ele vive entre nós, na Eucaristia, que deve ser, por isso, o ponto central de formação cristã.
Toda a vida cristã deve ser encaminhada para a Eucaristia, desde os primeiros anos. A catequese inteira deve girar em torno disto. E é fácil. O Catecismo todo oferece ensejo para uma palavra sobre a Eucaristia. Deus está em toda parte, mas no sacrário de modo especial.  A igreja se chama "a casa de Deus" porque Jesus mora no sacrário. [...]
Quando tivermos de falar de Jesus, falaremos sempre de Cristo vivo nas nossas igrejas, presente no meio de nós, pertinho de nós. Mostraremos o sacrário, apontaremos com o dedo: Ele está ali! Vamos dando com isto a impressão da realidade, que é de fato.
A criança compreende muito mais facilmente o sacrário do que o céu. O céu é muito longe. No sacrário é mais fácil Jesus nos ouvir, nos ver, dar-nos o que pedimos.
 Façamos da presença real o ponto de partida da formação cristã. Falemos de modo que as crianças se penetrem, sintam a divina presença. Relacionemos toda a Igreja com a Eucaristia. Fiquei encantado com uma piedosa senhora que explicava a igreja à sua filhinha, mostrando o altar, o sacrário, a mesa da comunhão: "Aqui é que Nosso Senhor fica quando desce do céu. Aqui é a casinha  em que ele mora. Aqui é que a gente se ajoelha quando vai receber nosso Senhor". É fácil, com uma formação assim, as crianças sentirem a presença de Cristo no sacrário.

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* Em seu excelente livro A Pedagogia do Catecismo, disponível para download aqui.

Veja também:
Parte 3: Monte seu currículo

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Planejamento 1: Reflita sobre sua experiência

Esta é a primeira parte do nosso Planejamento Anual da Catequese e, de longe, a mais importante. Saber descrever o que aconteceu no ano que passou é fundamental. Então, questione-se a si mesmo e vá atrás de respostas. O catequista deve caprichar nesta etapa e demorar o tempo que for preciso - e somente assim o novo ano que se aproxima pode ser produtivo, pois todo o restante do planejamento depende diretamente das suas metas (que são estabelecidas a partir da sua experiência).

Se você nunca foi catequista e não tem experiência continue lendo este texto, pois o questionário abaixo ajuda na segunda parte (estabelecer suas metas).

Mas refletir sobre o quê? Quais são as questões fundamentais que o catequista deve responder (e somente responder, sem estabelecer qualquer tipo de meta)? As questões abaixo servem como modelo para o catequista entender sobre quais experiências estamos refletindo. 



Há 4 famílias de perguntas. A primeira diz respeito à vida espiritual dos seus alunos; a segunda, aos conteúdos (assuntos) que foram tratados no decorrer do ano; a terceira diz respeito ao envolvimento das famílias das crianças; e a quarta refere-se aos objetivos que você traçou no início do ano.

1. Como foi a catequese no ano que passou? Quais eram as suas expectativas em relação aos alunos? Você notou progresso espiritual entre eles? Quais foram as suas maiores dificuldades? Os alunos que não participavam da Missa no início do ano agora participam? Sabem que a Eucaristia é o próprio Jesus? As crianças estão familiarizadas com a paróquia e com o pároco? Elas aprenderam as principais orações? Elas rezam todos os dias em casa? Você percebe que as crianças gostam de ter reservado esse tempo da semana para participar da catequese?

2. Quais eram os seus objetivos no início do ano para os conteúdos dados? Você se desviou deles durante o curso? Você conseguiu atingi-los no fim do ano?

3. As famílias dos alunos foram envolvidas nesse processo de catequese? Você manteve contato direto com eles durante todo o ano? As famílias que não participavam da Missa agora participam?

4. Qual foi o seu tempo dedicado à oração pelos seus alunos e pela catequese? Os seus objetivos espirituais para as crianças condisseram com a idade (e o entendimento) delas? Você foi pouco exigente em relação a esses objetivos? Os conteúdos dados para as crianças condisseram com a idade (e o entendimento) delas? Esses conteúdos foram poucos? Eles deixaram a desejar? As crianças sabem os principais artigos de fé (com o entendimento relativo à sua idade)? Sua relação com as famílias das crianças deixou a desejar? Você deu a devida atenção à participação familiar na catequese?

Essas perguntas devem ocupar o catequista durante algum tempo e a minha sugestão é que essa primeira parte seja anotada. Ela é a base para que o planejamento da catequese no próximo ano seja um sucesso. Fique atento aos detalhes: o comportamento mais sutil de uma criança revela muita coisa sobre a sua educação religiosa!

Veja também:
Parte 2: Estabeleça metas

Planejamento Anual da Catequese

Em minhas várias pesquisas sobre um planejamento efetivo da catequese, não fiquei surpresa em não encontrar nada muito bom em Português. Resolvi eu mesma fazer um passo a passo do planejamento para uso pessoal. No entanto, gostaria de compartilhá-lo, pois me contenta uma única alma que puder ajudar. 

Este planejamento é  uma adaptação simplificada do que eu encontrei em outras idiomas. Aos poucos pretendo compartilhar outras coisas muito interessantes que podemos aplicar à Catequese, mas a lista abaixo é básica, para tornar o planejamento mais eficiente e menos trabalhoso.

Este passo a passo tem 10 etapas e será publicado em uma série de textos nas semanas seguintes. Qualquer dúvida, sugestão ou crítica, deixem nos comentários. Espero que gostem.





1 - Reflita sobre sua experiência.

2 - Estabeleça metas a partir das suas reflexões.

3 - Monte seu currículo.

4 - Defina os objetivos para cada aula.

5 - Crie atividades.

6 - Elabore um plano de aulas.

7 - Organize os materiais necessários.

8 - Escreva uma carta aos pais.

9 - Estabeleça regras para a sala de aula.

10 - Prepare sua sala de aula.

domingo, 15 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

O silêncio

Publicado no blog: http://memoriaeidentidade.wordpress.com

Deus estava no murmúrio de uma brisa ligeira... 1 Re 19, 11-13
Sem guerra, não há paz. Santa Catarina de Sena

O padre francês Jacques Philippe, da Comunidade das Beatitudes, em sua obra A paz interior alerta: quando o indivíduo está perto de Deus, a estratégia habitual do demônio consiste em fazê-lo perder a paz do coração.

Um dos problemas mais graves que afligem a Igreja é a perda da paz interior por parte dos fiéis, do clero e dos movimentos. Se há algo que assemelha sedevacantistas amargurados, carismáticos sentimentais e apaixonados teólogos da libertação  é justamente a inquietação de espírito. As vozes da crítica e das paixões abafam a voz mais interior da nossa intimidade, aquela que vem de Deus que nos habita.

Na véspera da memória de São Francisco Xavier (3 de dezembro), o "Apóstolo do Oriente", que exerceu uma fervorosa atividade missionária no Japão durante o século XVI, indico como sugestão de leitura, não sem algumas restrições, a novela de Shuzaku Endo (1923-1996), O silêncio. Nesta obra sobre missionários portugueses que, no século posterior ao de Xavier, tentam com bastante sofrimento dar continuidade à florescente vida cristã no Japão, o autor parece transferir as suas próprias inquietudes ao protagonista, o padre Sebastião Rodrigues. Endo, católico e japonês, construiu uma elogiada obra literária a partir da tensão dessa dupla condição.

O jovem Sebastião Rodrigues está disposto ao martírio. As horríveis punições das autoridades japoneses aos católicos não lhe roubam o ardor missionário, porque ele vive numa profunda intimidade com Cristo. As imagens da Paixão não lhe saem do coração.

As autoridades japonesas não compreendiam o desapego cristão, mas de uma maneira, até certo ponto perspicaz, eles conduziam alguns apaixonados missionários à apostasia. Rodrigues não conseguia compreender como seu mentor, o brilhante padre Cristóvão Ferreira, caiu em tal armadilha.

As autoridades regionais não se interessavam em assassinar padres, uma vez que aqueles homens letrados poderiam ser bons servos. A estratégia deles consistia, portanto, em forçar os padres à apostasia. Para que o desligamento fosse visível, os padres eram forçados a pisar numa imagem de Cristo e de Nossa Senhora. Um santo em potencial como Sebastião Rodrigues daria a própria vida para não cometer tal ato. Porém, os japoneses matavam cruelmente os fiéis leigos caso os padres não cometessem a apostasia. Após testemunhar algumas torturantes execuções, o atormentado padre Rodrigues medita sobre o silêncio de Deus. Onde estaria Nosso Senhor, aparentemente indiferente a tantas brutalidades?

A história de Rodrigues não termina bem e me parece que o autor tinha dificuldade de relacionar a vida cristã com a necessidade de uma eclesiologia católica. A mensagem final parece suportar que, num caso extremo, a apostasia pode ser compreendida, mesmo aos olhos de Deus, como uma atitude necessária. Mas este ainda não é o problema central da obra.

Endo tem uma boa imaginação trágica e, de fato, alguns trechos são emocionalmente riquíssimos. Há um personagem secundário, Kichijiro, que tem uma covardia aterrorizante. É uma figura antológica. Porém, seu protagonista não conhece o silêncio e eu me pergunto se, diante da solução final imposta por Endo, o próprio autor não careceria de tal compreensão.

O fato é que todos nós temos bastante dificuldade em viver silenciosamente. Não sabemos o que é o silêncio. Jacques Phillipe se utiliza de uma boa imagem. O sol não se reflete adequadamente em águas agitadas, mas na superfície de um lago sereno podemos contemplá-lo.

Para que vivamos em silêncio, é necessário um combate espiritual. Sem guerra não há paz. A vitória é possível somente se defendermos a paz interior de um inimigo que se utiliza de todos os meios, inclusive de grandes predisposições à santidade, para arrebatá-la.

É preciso, fundamentalmente, crer na providência. O padre Sebastião Rodrigues acreditava demais em sua santidade. Ele daria a sua vida por seus irmãos, mas mesmo uma atitude como esta pode esconder um orgulho, ou uma indesejável autossuficiência. Em última instância, não foram, por exemplo, os méritos humanos de São Francisco Xavier que conduziram uma vastidão de orientais ao cristianismo, mas a graça que lhe veio de Deus.

A paz interior consiste em descobrir essa verdade. Mas para que seja imposta, Deus permitirá que as pessoas mais escrupulosas passem por fracassos e humilhações.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Mais livros infantis católicos!

Atualizando novamente a lista aqui.


A Arca de Noé, de Regina Chamlian e Helena Alexandrino
A Criação do Mundo, de Regina Chamlian e Helena Alexandrino
As Parábolas de Jesus, de Elio Guerriero e Maria Steiner
Chico e Bento, de Jeanne Perego e Donata Dal Molin Casagrande
Francisco e os Animais, de Pino Madero
Jonas e a Baleia, de Regina Chamlian e Helena Alexandrino
José e Seus Irmãos, de Regina Chamlian e Helena Alexandrino
Maria, nossa Mãe do Céu, de Christine Virginia Orfeo
Tobias e o Anjo, de Regina Chamlian e Helena Alexandrino

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Livros Católicos Infantis

Atualizando a lista de livros infantis católicos que fiz ano passado.


Vida de santos

Antônio de Pádua, de Giuseppino de Roma.
A Vida de João Paulo II, vários autores.
Bernadete, de Inês Belski Lagazzi.
Catarina de Sena, de Inês Belski Lagazzi.
Clara de Assis, de Armando Moore
Damião de Molokai, de Giuseppino de Roma.
Francisco de Assis, de Giuseppino de Roma
Inês, de Inês Belski Lagazzi.
Na Trilha de um Vencedor, de Adelita Frulane
O mundo de Paulo, de Matthias Grenzer e Fabiana de Sousa
 O papa João e as crianças, de Aldina Panzetti.
 Os amigos de Jesus, do Papa Bento XVI
Os três pastorinhos de Fátima, Edições Missões Consolata
Rita de Cássia, de Inês Belski Lagazzi.
Santa Catarina Labouré, de Marie-Geneviève Roux.
Santa Luísa Marillac, de Marie-Geneviève Roux.
Santo Agostinho, meu amigo, de  Santiago Insunza.
São Vicente de Paulo, da Coleção Caminhos do Evangelho
Teresa de Lisieux, de Maria Skibel.
  
 Outros
A Santa Missa em Família, de Silvia Vecchini e Antonio Vicenti
Bíblia para Crianças, Editora Canção Nova
Braz e a primeira comunhão, de Condessa de Ségur
Coroinha do Menino Jesus, de Hyde Flávia Lobato Marinho Dias
Mãezinha de Muitos Nomes, de Tatiana Ferreira
Minha Primeira Bíblia, de Padre Reginaldo Manzotti
Rezando o terço com Jesus e Maria, Comunidade Maria Mãe de Deus

sábado, 12 de outubro de 2013

Como fazer o seu bebê dormir a noite inteira

Texto publicado pelo meu marido no seu blog, Memória e Identidade.
Não se deixem enganar por essa pitada de humor: ele é tímido!

~



As causas e efeitos do mundo podem ser explicados matematicamente? Há uma sistematização em todas as coisas do universo, que pode ser decifrada mediante princípios matemáticos? A sabedoria é um número? Por outro lado, não poderíamos nos perguntar se, na verdade, o nosso conhecimento não deveria ser fundado de uma maneira mais modesta, a partir do limitado aparato sensitivo humano, de modo que a busca por respostas certeiras para todas as coisas seja um empreendimento um tanto vão?

De maneira simplificada, podemos dizer que essas questões dividiram conclusões epistemológicas durante cerca de mil anos, entre as certezas matemáticas dos pitagóricos Platão e Galileu e o conhecimento que pode ser dito em muitos sentidos de Aristóteles e Tomás de Aquino. A despeito das abstrações profundas que tais questões levantam, elas dizem respeito a questões bastante cotidianas da condição humana.

Quando a Catarina nasceu, há pouco mais de quatro meses, eu e a minha mulher ansiávamos por respostas definitivas para todos os desafios que os cuidados com um bebê demandam. Qual é o padrão de “pega” do bico do seio para amamentação? O que fazer para a criança dormir a noite inteira? Qual é o significado de cada uma das variações de choro? Eu acreditava em duas estratégias para conseguir respostas. A primeira, um pouco mais imprecisa, viria da escuta das experiências dos familiares e amigos. E, quando uma criança nasce, opiniões sobre o que fazer com ela surgem como uma avalanche. Isso pode te esmagar! De qualquer maneira, eu pensava que poderíamos chegar a conclusões, testando e combinando os palpites. A outra estratégia para conseguir respostas, um pouco mais precisa do que a anterior, viria da leitura sistemática de obras renomadas sobre cuidado com bebês, entre os quais os pediatras do “Nana Nenê”, a enfermeira inglesa “encantadora de bebês”, além das respostas do nosso médico que atende lá perto do mercado da Vila Nova, que eu penso ter sido o pediatra da Cora Coralina.

Talvez, o sono seja a questão mais habitual de preocupação dos novos pais. O ser humano quer respostas precisas para todas as coisas da vida e, em relação ao sono do bebê, isso se manifesta nos truques, às vezes bastante cansativos, utilizados em cada casa. Há pais que precisam plantar bananeira para a criança dormir, porque esta parece ser a única técnica capaz de ninar o bebê. A resposta universal para o sono da criança se torna, portanto, virar a vida de cabeça para baixo.

Nos primeiros de vida, a Catarina dormia às duas horas da manhã e acordava às seis. Mas ela não demorou para dormir a madrugada inteira. No dia de seu batismo, com trinta e três dias, ela dormiu da meia-noite às seis. A Gaby estava bastante cansada por causa das preparações para o batismo e das consequências festivas. Então, com a minha segurança do tipo “pode dormir, porque se o mundo acabar, pelo menos a porta do nosso quarto estará trancada”, eu quis que a Gaby dormisse e fui passar a noite na sala, com a Catarina. Ela, no bebê conforto e eu, no sofá. Quando amanheceu, eu acreditei piamente que o segredo do sono estava no bebê conforto. Mas é claro que não era o caso. No dia seguinte, ela também dormiu a madrugada inteira, desta vez, no moisés, ao lado da cama de casal. Ela nunca teve problemas com a acomodação específica para dormir. Um mês depois, quando ela passou a dormir no seu próprio quarto, no berço, a transição se deu de forma bem sucedida.

As pessoas são curiosas a respeito do sono dos bebês. Quase todos perguntam se a Catarina dorme a noite inteira. Nossa resposta é afirmativa, mas há um porém. Durante o dia, as sonecas dela cumprem, quase sempre, apenas um ciclo de sono, que nos bebês dura cerca de quarenta minutos. Para os nossos ouvintes, inclusive o velho médico da Vila Nova, o padrão dela está ótimo, porque dormir a noite inteira já é um lucro. Por fim, nós nos contentamos também. Gosto daquele médico, porque ele fala pouco e, nessas alturas, depois de ter atendido todas as gerações que vieram depois da transferência da capital para Goiânia, parece já ter desistido de encontrar respostas. Certa vez, fomos num homeopata gaúcho que disse categoricamente que a Catarina não dormia desde que estava no ventre materno. Essa verdade dói.

O fato é que devemos nos contentar com este mundo, que não nos possibilita, sistematicamente, descobrir respostas definitivas para tudo. Isso pode parecer desconfortável, afinal todos queremos respostas, mas a matematização de todas as coisas da vida é uma violência. É melhor necessitar de um obscuro porto seguro onde, se “A” carecer, o consequente “B” poderá surgir por “C”, ou quem sabe, a sua ausência se revelará uma bênção, porque o consequente “D”, obtido por “E” e “F” será bem melhor. Matematizar a vida implica em defender obstinadamente “A” para sempre conseguir “B”. Mas a verdade matemática pode ser uma mentira de vida.

De qualquer maneira, admito que se o padrão matemático funciona, faz as pessoas felizes e não prejudica nada e nem ninguém, vale a pena insistir com ele. Penso, isto sim, que tal padrão não deve ser universalizado, mas pacientemente buscado para aplicação em casos específicos. O que fazemos para a Catarina dormir a noite inteira, eu não recomendaria para mais ninguém neste mundo, apesar de funcionar maravilhosamente. Em última instância, o padrão funciona, porque é algo que faz parte da rotina do casal e que nos deixa bem à vontade. Não é um sistema matematicamente fechado, mas um costume nosso que se adaptou às necessidades da Catarina.

Os pais devem lutar pelo sono dos bebês. Particularmente, nunca simpatizamos, nem eu e nem minha mulher, com a ideia de deixar o bebê chorar até dormir. Isso funciona em muitos casos, mas não é uma verdade universal. Aliás, eu penso que muitos bebês que não dormem a noite inteira possuem tal padrão devido ao não funcionamento daquela estratégia. O que fazemos, então, em nossa casa? Entre 19 e 22 horas, no período em que costumamos assistir a filmes e, pela primeira vez, na minha vida, séries, o sono preliminar da Catarina é defendido em nossos colos. Às vezes, antes das 22 horas, a Gaby coloca a Catarina no berço e esperamos até esse horário para ela tomar a última mamada do dia. Porém, muitas vezes, ela acorda e chora durante a mudança do ciclo de sono. Então, ela volta a ser mantida no colo até às 22 horas, porque o fato é que quanto mais ela fica acordada nas horas iniciais da noite, mais ela acorda durante a madrugada. Eu penso que no sono preliminar, no colo, das 19 às 22, ela consegue descansar devidamente, sem interrupções no ciclo para, em seguida, completamente repousada, dormir a noite inteira, sem que as transições a perturbem.

Sabemos que tal procedimento pode ser considerado por algumas pessoas como vicioso, mas o fato é que isso não vai durar muito tempo e, como se trata de uma defesa de processo fisiológico, tal mimo não implica necessariamente que ela se tornará uma criança mimada.

Devemos sempre desconfiar das opiniões pretensiosas a respeito da criação de filhos. Para cuidar de uma criança, a sabedoria necessária não é matemática, mas resultante do discernimento único de um casal. Para um casal discernir bem, é preciso uma confiança irrestrita em Deus, um no outro, e no fato de que não há respostas para todas as coisas. A partir desses fundamentos de confiança na perfeição divina e na imperfeição do mundo, é que os padrões matemáticos específicos, aos poucos, vão surgindo e sempre adequados à felicidade da família. Não é a fundamentação matemática que dará o padrão de criação dos filhos. As exigências platônicas não são deste mundo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Planejamento Natural Familiar

Interessante como a maternidade amadurece as pessoas... A amamentação não é um caso grave para espaçamento de gravidez, mas talvez seja a única coisa que vem junto com um novo ser que não é motivo grave!

***

Aos Esposos Cristãos

25. E agora a nossa palavra dirige-se mais diretamente aos nossos filhos, particularmente àqueles que Deus chamou para servi-lo no matrimônio. A Igreja, ao mesmo tempo que ensina as exigências imprescritíveis da lei divina, anuncia a salvação e abre, com os sacramentos, os caminhos da graça, a qual faz do homem uma nova criatura, capaz de corresponder, no amor e na verdadeira liberdade, aos desígnios do seu Criador e Salvador e de achar suave o jugo de Cristo. [31]

Os esposos cristãos, portanto, dóceis à sua voz, lembrem-se de que a sua vocação cristã, iniciada com o Batismo, se especificou ulteriormente e se reforçou com o sacramento do Matrimônio. Por ele os cônjuges são fortalecidos e como que consagrados para o cumprimento fiel dos próprios deveres e para a atuação da própria vocação para a perfeição e para o testemunho cristão próprio deles, que têm de dar frente ao mundo.[32] Foi a eles que o Senhor confiou a missão de tornarem visível aos homens a santidade e a suavidade da lei que une o amor mútuo dos esposos com a sua cooperação com o amor de Deus, autor da vida humana.

Não pretendemos, evidentemente, esconder as dificuldades, por vezes graves, inerentes à vida dos cônjuges cristãos: para eles, como para todos, de resto, "é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida".[33] Mas, a esperança desta vida, precisamente, deve iluminar o seu caminho, enquanto eles corajosamente se esforçam por "viver com sabedoria, justiça e piedade no tempo presente",[34] sabendo que "a figura deste mundo passa".[35]

Os esposos, pois, envidem os esforços necessários, apoiados na fé e na esperança que "não desilude, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações, pelo Espírito que nos foi dado"; [36] implorem com oração perseverante o auxílio divino; abeirem-se, sobretudo pela Santíssima Eucaristia, da fonte de graça e da caridade. E se, porventura, o pecado vier a vencê-los, não desanimem, mas recorram com perseverança humilde à misericórdia divina, que é outorgada no sacramento da Penitência. Assim, poderão realizar a plenitude da vida conjugal, descrita pelo Apóstolo: "Maridos, amai as vossas mulheres tal como Cristo amou a Igreja (...) Os maridos devem amar as suas mulheres como os seus próprios corpos. Aquele que ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque ninguém aborreceu jamais a própria carne, mas nutre-a e cuida dela, como também Cristo o faz com a sua Igreja (...) Este mistério é grande, mas eu digo isto quanto a Cristo e à Igreja. Mas, por aquilo que vos diz respeito, cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo; a mulher, por sua vez, reverencie o seu marido".[37]

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10. Na missão de transmitir a vida, eles não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, como se pudessem determinar, de maneira absolutamente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem, sim, conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimônio e dos seus atos e manifestada pelo ensino constante da Igreja [10].

~

16. Se, portanto, existem motivos sérios para distanciar os nascimentos, que derivem ou das condições físicas ou psicológicas dos cônjuges, ou de circunstâncias exteriores, a Igreja ensina que então é lícito ter em conta os ritmos naturais imanentes às funções geradoras, para usar do matrimônio só nos períodos infecundos e, deste modo, regular a natalidade, sem ofender os princípios morais que acabamos de recordar [20].

A Igreja é coerente consigo própria, quando assim considera lícito o recurso aos períodos infecundos, ao mesmo tempo que condena sempre como ilícito o uso dos meios diretamente contrários à fecundação, mesmo que tal uso seja inspirado em razões que podem aparecer honestas e sérias. Na realidade, entre os dois casos existe uma diferença essencial: no primeiro, os cônjuges usufruem legitimamente de uma disposição natural; enquanto que no segundo, eles impedem o desenvolvimento dos processos naturais. É verdade que em ambos os casos os cônjuges estão de acordo na vontade positiva de evitar a prole, por razões plausíveis, procurando ter a segurança de que ela não virá; mas, é verdade também que, somente no primeiro caso eles sabem renunciar ao uso do matrimônio nos períodos fecundos, quando, por motivos justos, a procriação não é desejável, dele usando depois nos períodos agenésicos, como manifestação de afeto e como salvaguarda da fidelidade mútua.

Procedendo assim, eles dão prova de amor verdadeira e integralmente honesto.

Livros sobre Planejamento Natural Familiar

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Uma desculpa e uma dica


Depois de uma pré-eclâmpsia, parto, pós-parto e muitas noites mal dormidas, eu continuo com uma desculpa para não atualizar frequentemente o blog: a Catarina não dorme durante o dia! A noite vai muito bem, graças a Deus, mas durante o dia ela tira cochilos rápidos de 30 a 45 min - e quase sempre no colo. Eu preciso do pouco tempo que resta para organizar a casa, preparar refeições, lavar as roupas e passá-las, rezando a Deus para que eu não me preocupe com o que não está feito e pedindo um sorriso para quando meu marido chegar em casa.

Enquanto minha pequena não dá trégua eu duvido que sairá alguma postagem decente, mas aí vai uma dica para quem pratica o homeschooling católico ou é catequista: Diário Bíblico Espiral, da Editora Ave Maria!



O Diário Bíblico Ave-Maria – Modelo Espiral - traz, além de uma bela imagem de Maria, todo conteúdo de uma agenda tradicional, a mensagem da Boa Nova, apresentando passagens dos evangelhos, organizadas de acordo com a liturgia do dia e acompanhadas por um comentário, que medita sobre o ensinamento exposto. Dessa forma, constitui uma excelente forma de incentivar a leitura e reflexão da Palavra de Deus. Nele, também são encontradas orientações para a leitura da Bíblia, abreviação dos livros bíblicos, datas importantes para o católico, ilustrações, entre outras informações essenciais para a vida cristã.
É uma agenda que contém as principais festas litúrgicas e o evangelho de cada dia com comentários! Bem... os comentários são bons. É claro que pelo menos aos domingos, eles poderiam ter colocado comentários de santos. E também dividir a agenda com as cores do ano litúrgico. Mas já está bom. Acho que nunca vi nada mais católico aqui no Brasil. No início tem um espaço para o planejamento de 2014, e no final, um espaço para anotações.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Música para Crianças

Além da Coleção da Folha, outra sugestão de um bom livro para ensinar música às crianças:



Clique aqui para saber mais sobre o livro.




segunda-feira, 29 de abril de 2013

Coleção da Folha: Música Clássica para Crianças


A Folha lançou em fevereiro deste ano uma coleção muito interessante: Música Clássica para Crianças.

Vale a pena dar uma olhadinha no site: http://musicacrianca.folha.com.br/


Preparando as crianças para a Primeira Comunhão


Atualizado em 15/12/2013

Procurando material para a Primeira Comunhão?

Essa foi uma experiência que deu certo comigo: Manual de Religião, do Mons. Álvaro Negromonte.

A minha indicação é para crianças de até 12 anos. Há algumas palavras que são pouco utilizadas atualmente, mas que se forem explicadas, se forem dados alguns exemplos, crianças a partir de 7 anos são perfeitamente capazes de compreender. Então a faixa é esta: de 7 a 12 anos de idade.

O texto de cada lição é bem curto e pode ser dada uma lição por semana.

Na minha paróquia, a catequese é de 1h30 por semana. Sobraria algum tempo se eu desse somente uma lição por encontro. Então eu uso a seguinte estratégia: uma lição por semana + uma atividade.

Na realidade, não chega a ser uma lição completa. É somente o texto da lição. O questionário (do fim da lição) sempre fica para a próxima semana. Explico. A intenção é que as crianças aprendam bem. Quanto mais falarmos no assunto, mais à vontade elas ficam. Então o nosso encontro começa com o texto da lição. Esse texto é explicado diversas vezes, de diversos modos. E todas as dúvidas das crianças são respondidas. Depois de explicado o texto da lição, a gente passa para a outra atividade.

Essa outra atividade varia conforme a semana e conforme o assunto da lição. Pode ser a história da vida de um santo, pode ser a leitura de uma passagem de uma Bíblia ilustrada, pode ser a explicação da dedicação de um mês (Abril - Mês do Santíssimo Sacramento), uma visita à igreja...

E o nosso encontro termina com essa atividade.

Na semana posterior, há uma explicação breve do texto da lição da semana anterior e aí sim as crianças respondem o questionário, que é corrigido na hora. Só depois de respondido o questionário da lição anterior é que o texto da lição da semana é lido. Isso facilita a aprendizagem, porque as crianças têm de puxar na memória muita coisa que foi dita no encontro anterior.

Estou gostando bastante!


O livro do Mons. Álvaro Negromonte está disponível em sebos e também no 4shared do blog Cozinha e Biblioteca.

Para fazer o download basta clicar aqui.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sete concepções equivocadas sobre a educação, segundo Jacques Maritain

Publico abaixo o resumo de um trecho da obra “Rumos da educação”, de Jacques Maritain, onde ele analisa sete equívocos sobre a natureza e os fins da educação.

A tarefa principal da Educação é dirigir o desenvolvimento dinâmico que faz um homem ser homem. O homem não pode progredir, dos pontos de vista intelectual e moral, na vida específica que lhe é própria, se não for auxiliado pela experiência coletiva das gerações procedentes.

Educar para o meio social é o segundo fim.

Os erros:

Primeiro erro – Ignorância dos fins

Educação é arte que pertence ao domínio da moral. A excelência dos meios pode ser perigosa. Sendo os meios tão bons, somos levados a perder de vista os fins.

Segundo erro – Ideias falsas concernentes aos fins

A tarefa da educação é ajudar a guiar a criança à realização humana. Portanto, educação não pode furtar-se ao empreendimento filosófico que pergunta o que é ser homem e qual é o seu fim.
Uma concepção puramente científica da educação ignora o “ser enquanto ser”.

Se propusermos uma educação baseada numa concepção puramente científica do homem, quando tivermos de responder às questões sobre a natureza e o destino do homem, seria preciso extrair da ciência uma espécie de metafísica inteiramente contrária à sua estrutura típica. A educação perde o mistério da significação ontológica do homem e este torna-se um animal adestrado em proveito do Estado.

A concepção integral do homem é filosófica e religiosa. Filosófica, porque tem por objeto a natureza ou essência do homem; religiosa, por causa do modo de existir da natureza humana vocacionada e provocada em relação a Deus. Quando é dito que a pessoa é um todo, um universo em si mesma, dizemos que ela está em relação direta com o reino do ser, da verdade, da bondade e da beleza – isto é, com Deus. Por amor, dedica-se livremente a seres que são para ele como outros “eus”. 

Terceiro erro – Pragmatismo

A vida, para ser digna, existe para um fim. A contemplação e a perfeição de si mesmos, nas quais a existência humana aspira a florescer, escapam ao horizonte do espírito pragmático.

Quarto erro – Sociologismo

O acondicionamento social não é a regra suprema da educação. A essência da educação é formar um homem – e por aí, preparar um cidadão. A educação para a comunidade requer a educação para a pessoa. Infeliz é o jovem que não conhece os prazeres do espírito e não se alegra no saber e na beleza. A concepção pragmática e sociológica subordina e escraviza a educação às tendências que se desenvolvem na vida coletiva da sociedade.

Quinto erro – Especialismo intelectual

A suprema realização da educação não é a especialização científica e técnica. Embora exigida pela vida moderna, ela deve ser compensada, sobretudo na juventude, por uma formação geral intensa. O animal é um especialista perfeito. Ele fixa toda a sua capacidade de aprender numa determinada tarefa a ser executada. O programa educacional que visa formar especialistas, incapazes de apreciar outras matérias além de sua competência, tem como resultado a animalização progressiva da mente e da vida humana. Isso prejudica não apenas o tempo profissional dos homens, mas também o tempo livre, cada vez mais ocupado por divertimentos sociais medíocres e, o que é mais grave, por uma religiosidade de sentimentos vagos, sem conteúdo lógico e de realidade.

A vida da comunidade corre riscos graves com o “especialismo”, porque a disposição das atividades humanas em compartimentos especializados torna a atividade política exclusiva aos tecnocratas do Estado que, por sua vez, desconhecem as riquezas espirituais que garantem a consistência do “governo do povo, pelo povo e para o povo”.

A educação, constituída por regras imperativas de algum sistema de orientação profissional, tornar-se-ia um processo de diferenciação de abelhas na colmeia humana. Uma concepção democrática da vida exige educação liberal para todos, porque mesmo para o sucesso das atividades industriais, a educação que libera e alarga a mente é mais importante do que a especialização técnica. 

Sexto erro: Voluntarismo

A tendência voluntarista desenvolvida por Shopenhauer submete a inteligência à vontade, recorrendo às virtudes das forças irracionais. O mérito das melhores e mais perfeitas formas de voluntarismo no campo ideológico foi chamar a atenção para a importância essencial dos atos volitivos e para a primazia da moralidade, da virtude e da generosidade na formação do homem. De fato, antes de ser erudito, é importante ser reto. Porém, as realizações pedagógicas do voluntarismo foram decepcionantes do ponto de vista do bem e um sucesso do ponto de vista do mal.

Escolas e organizações da juventude nazista arruinaram senso de verdade nos espíritos, submetendo a inteligência aos desejos do Estado. Por outro lado, nos países democráticos, a pedagogia voluntarista pode ser descrita como esforço para compensar inconveniências do mero intelectualismo por uma educação da vontade, do sentimento, da formação do caráter, etc. Porém, é fácil deformar o caráter dessa forma. O voluntarismo exagera a importância da vontade.

Mortimer Adler diz: “Assim como no domínio da política, a primazia do querer identifica a autoridade com a força, assim também no domínio do pensamento tal primazia reduz todas as coisas a opiniões arbitrárias ou a convenções acadêmicas”. Tudo depende da vontade de crer. Não há verdades primárias, mas apenas postulados e exigências da vontade para que isto ou aquilo seja tido como certo. Assim sendo, todo conhecimento repousa, em certo sentido, sobre os atos da fé, embora o único princípio de tal fé seja nossas preferências pessoais.

Acreditamos que a inteligência, em si, é mais nobre do que a vontade, pois sua vontade é mais imaterial e universal. Porém, é pela vontade, quando ela é boa, que o homem se torna bom e reto, não pela inteligência, por mais perfeita que seja. Assim, a educação completa do homem deve contribuir para que tanto a inteligência como a vontade caminhem para a sua perfeição, mas a formação da vontade é certamente mais importante que a formação do intelecto.

Sétimo erro: Tudo pode ser aprendido

Os sofistas gregos acreditavam que tudo, mesmo a virtude, pode ser adquirida mediante o ensino dos mestres e por meio de explicações científicas. O ensino da moral, no que concerne à sua base intelectual, deve ocupar importante lugar na escola e na universidade. Mas a apreciação exata dos casos práticos, que os antigos denominavam prudentia, é uma capacidade interior e vital de discernimento desenvolvida no espírito e apoiada por uma vontade bem dirigida. Também a experiência, que é um fruto incomunicável do sofrimento e da memória, não pode ser adquirida num curso. Sir Arthur Clutton-Brock diz: “A Educação deveria ensinar-nos como amar e o que deveríamos amar. Os grandes feitos da história foram obras de grandes apaixonados, dos santos, dos homens de ciência, dos artistas. O problema da civilização consiste em dar a cada homem a oportunidade de ser alguém daquelas grandes estirpes”.