Páginas

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Árvore de Jessé

(Para a preparação antecipada do Advento)


Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Isaías 11, 1.

A árvore de Jessé é a representação da genealogia de Jesus Cristo desde Jessé (ou Isaí), pai do Rei Davi. É uma tradição cristã que está presente na arte e data do século XII. Na representação, Jessé está na base na árvore e à medida que a árvore cresce aparecem os personagens do Antigo Testamento. No topo está Cristo.

Durante o Advento é costume cada família fazer a sua própria árvore, de um modo um pouco diferente daquele representado na arte. Durante todo o período do Advento são feitas leituras que se iniciam com a Criação, passando por todo o Antigo Testamento, patriarcas e profetas, até o nascimento do Menino Jesus. E a cada leitura é associado um símbolo, que será colocado na árvore após cada leitura.

Há vários tipos de árvores:
De madeira, que é só pendurar os ornamentos:
www.domestic-church.com

De papel, que se faz todos os anos, pois os ornamentos precisam ser colados:


De uma pequena árvore de Natal, pendurando os ornamentos também:


De feltro, com os ornamentos também em feltro. Aqui ela costurou à árvore botões
e no avesso do ornamento ela colocou argolinhas. Quem quiser, também pode
colocar somente um alfinetinho atrás do ornamento, para prendê-lo diretamente à árvore:

Tradicionalmente, há um lista mais ou menos pré-estabelecida com as leituras para a árvore de Jessé. No entanto, como o tempo do Advento é variado, com mais e menos dias, depende do ano, a lista pode ser um pouco adaptada, retirando-se algumas leituras. Para chegar ao fim do Advento, dia 24, com todas as leituras feitas, é necessário que se faça mais de uma por dia. No dia 24 de dezembro deve ser feita uma única leitura, a do Nascimento do Menino Jesus.

As leituras estão logo abaixo. A intenção não é ler toda a vida dos patriarcas e profetas, mas pegar um episódio marcante de cada um. Se a família achar conveniente que toda a história daquele patriarca ou profeta seja relembrada, pode-se ler algum livro infantil que fale sobre ele. Também é de grande ajuda as Bíblias Ilustradas. Após a leitura da vida, deve-se ler o trecho bíblico indicado.  Os ornamentos sublinhados são apenas sugestões.Você pode fazer outros (peça ajuda às crianças!), na medida da sua percepção de leitura.

~ Leituras ~

A Criação: Gênesis 1, 1-31. Símbolo: Terra
Adão e Eva: Gênesis 2, 5-25. Símbolo: Maçã
O pecado original: Gênesis 3, 1-24. Símbolo: Serpente
O Dilúvio: Gênesis 6; 7; 8, 1-14. Símbolo: Arca
Abraão: Gênesis 12, 1-7; 15, 1-6. Símbolo: Estrelas
Melquisedeque: Gênesis 14, 17-30. Símbolo: Pão e Vinho
Isaac: Gênesis 22, 1-18. Símbolo: Lenha
Jacó: Gênesis 28, 10-15. Símbolo: Escada
José: Gênesis 37,1-36. Símbolo: Túnica colorida
Moisés: Êxodo 20, 1-21. Símbolo: As tábuas da Lei
Josué: Josué 6, 1-27. Símbolo: Espada e Trombeta
Rute: Rute 2, 1-36. Símbolo: Trigo
Samuel: 1 Samuel 3, 1-21. Símbolo: Lamparina (Lâmpada a óleo)
Jessé (ou Isaí): 1 Samuel 16, 1-13. Símbolo: Cajado
Davi: 1 Samuel 16; 17. Símbolo: Harpa
Salomão: 1 Reis 3, 16-28. Símbolo: Balança da Justiça
Elias: 1 Reis 17, 1-6. Símbolo: Corvo
Ezequias: 2 Reis 20, 1-11. Símbolo: Lágrimas
Neemias: Neemias 2; 3, 1-32. Símbolo: Muralhas de Jerusalém
O Anjo Rafael: Tobias 11, 1-21. Símbolo: Peixe
Judite: Judite 13. Símbolo: Espada
Ester: Ester 2, 1-18. Símbolo: Coroa da Rainha Ester
Isaías: Isaías 6, 1-8. Símbolo: Brasa viva
Jeremias: Jeremias 31, 31-34. Símbolo: Tábuas da lei dentro de um coração
Daniel: Daniel 6, 1-29. Símbolo: Leão
Jonas: Jonas 2, 1-11. Símbolo: Peixe
Zacarias e Isabel: Lucas 1, 57-80. Símbolo: Tábua e lápis
São José: Mateus 1, 18-25. Símbolo: Ferramentas
A Virgem Maria: Mateus 1, 18-25. Símbolo: Lírio
O Anjo Gabriel: Lucas 1, 26-38. Símbolo: A palavra AVE
São João Batista: Marcos 1, 1-8. Símbolo: Pomba
O Nascimento do Menino Jesus: João 1, 1-14. Símbolo: Cálice e hóstia

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Como ensinar o Catecismo às crianças? (Parte I)

(Capítulo do livro A pedagogia do Catecismo)

O ensino do Catecismo, como tal, não oferece diferença das demais disciplinas, e deve ser feito pelos métodos mais racionais. Resta-lhe o terreno sobrenatural, a que somente ele se eleva. Mas não dispensa os meios naturais, antes conta com eles. E se falhou tanto a formação cristã dos nossos maiores, terá sido precisamente pelos erros dos processos empregados? Não sejamos nós, melhor esclarecidos, que recaiamos nas faltas lastimadas. 

O grande erro metodológico era o intelectualismo. Foi a plenitude da dedução, excelente para os estudos filosóficos e teológicos, mas absurda para as crianças. Falando à inteligência, degenerando quase sempre em memorismo, não interessava a vontade, não tocava a pessoa, não descia à vida, não informava a conduta. Satisfazia-se com ensinar, esquecido de que a Religião é uma vida¹.

A orientação geral é hoje para a indução: ir do conhecido para o desconhecido, do sensível para o espiritual, do concreto para o abstrato, do particular para o geral, de baixo para cima.

Como métodos de conhecimento são os únicos, e teremos de optar, sendo, porém, de notar que nunca existem isoladamente, sempre se ajudando, havendo, entretanto, a predominância de um.

Aplicados ao Catecismo, estes dois métodos criaram o "Método de São Sulpício", dedutivo, e o "Método de Munique" (também chamado "Método Psicológico"), indutivo. A este se estão ligando hoje os que querem a Religião ensinada de acordo com o avanço da moderna pedagogia. O outro fez sua época, na França, principalmente.

Também chamam de método a modos de ensinar peculiares a certos pedagogos, a certos processos. Neste sentido há muitos métodos catequéticos, como os há profanos. Não vejo por que demorar-nos a este respeito.

Mas há certos "métodos" muito em voga: Decroly, centros de interesse, Montessori², método de projetos, etc. Estão todos os processos modernos filiados ao método indutivo, que seguimos e explanamos aqui, e cujos instrumentos daremos em seguida, dividindo-os por grupos. Afastados os erros, corrigidos os exageros, advertida a catequista do plano sobrenatural em que nos movemos, tudo o que a moderna metodologia tem produzido e ainda produza deve ser aproveitado no Catecismo.

Os "projetos" e "centros de interesse", muito vivos, excelentes para o ensino globalizado, podem fornecer ricas oportunidades para ensinar Religião, mas a sua aplicação nas aulas de Catecismo só me parece que deva ser feita raramente, em vista do pouco tempo de que dispomos para elas. 

I
MATERIAL


Quadros murais - Preciosos auxiliares do ensino religioso são os quadro murais. As crianças gostam enormemente de ver figuras, que despertam e prendem a atenção mesmo dos adultos. Não podemos, pois, dispensar-nos deles em nossas aulas. Não basta, porém, ter o quadro para mostrar às crianças; é preciso saber usar dele. Para isso, a catequista deve, antes, estudá-lo, cuidadosamente, sabendo ao certo de que se trata, conhecendo as figuras que apresenta, preparando-se para responder às numerosas perguntas que ele possa sugerir aos alunos. Do contrário, se expõe a titubear nas explicações, ou - o que seria ainda pior - dá-las erradas.

Nem se deve jamais perder de vista a finalidade prática do Catecismo. Por isso é necessário saber tirar as conclusões e aplicá-las à vida infantil. Nunca insistiremos demais sobre este ponto, que é o essencial em todo o ensino religioso.

Os quadros murais do Catecismo devem ter umas tantas qualidades, para preencherem devidamente os seus fins.

a) Verdadeiros - É a primeira qualidade. Se representam um fato histórico devem traduzi-lo fielmente. Se contêm uma doutrina, devem significá-la ortodoxamente. A catequista terá o cuidado de evitar os quadros que não sejam conformes à verdade.

b) Inocentes - Para nós, a suprema regra é a santificação dos alunos. Nada que os possa escandalizar. Há certos quadros que ofenderiam ao pudor dos pequeninos. Pouco importa que sejam históricos ou artísticos; devem ser afastados.

c) Belos - Ao mesmo tempo que vamos formando a vida cristã, podemos e devemos ir desenvolvendo o gosto artístico da criança. Além disso, a ausência de beleza prejudica, porque torna, às vezes, ridículas as figuras - o que é, sem dúvida, em prejuízo da dignidade da Religião. Os quadros, como as imagens, são para elevar, edificar, mover, instruindo.

d) Coloridos - As cores chamam mais a atenção, facilitam o trabalho da memória. Os psicólogos explicam que as cores primárias são mais do agrado das crianças, e devem ser, por isso, preferidas. Não podemos esquecer que o colorido dá uma impressão mais viva da realidade.

e) Simples - A matéria do quadro deve estar bem visível e destacada. Minúcias, enfeites, acúmulos de matérias, afastam a atenção do objeto principal. Só assim se conseguirá fixar a atenção sobre o que, precisamente, se quer ensinar. Só assim se garantirá a retenção pela memória que não se sobrecarrega.

f) Grandes - Para serem facilmente vistos pelas crianças. É preciso que as crianças possam vê-los como quiserem. Não faz mal que os toquem, porque há muita gente que só sabe ver direito... com as mãos. A catequista cuidará apnas de evitar o desasseio e os estragos propositados.

Estes são, sem dúvida, os quadros ideais. Nem sempre são assim os de que podemos dispor. E... é deles que nos vamos servir.

Digamos uma palavra sobre o modo de usar dos quadros murais.

O melhor é não ter expostos os quadros para o ensino. As crianças se acostumam com eles, e não prestam mais atenção quando apresentados.

Quando apresentar o quadro às crianças? Antes de explicar a doutrina ou contar a história? Enquanto se fala? Ou depois? Divergem as opiniões.

A meu ver, depende muito da natureza do quadro. Costumo apresentá-los antes, toda vez que se trata de objetos desconhecidos pelas crianças. Então fica mais fácil explicar. Para pontos de doutrina ou história, narro primeiro o fato ou dou a explicação. Depois, mostro o quadro. Reanima-se o pequeno auditório: aviva-se-lhe a atenção. Deixo ver o quadro, observo as impressões que desperta; ouço os comentários... Vou então repetindo com os pequenos a história ou a doutrina. Faço repetir pela classe. Tiro as conclusões e aplicações morais.

Em todo caso, é este o meu modo de ver e fazer. Outros farão de outra maneira com igual ou maior êxito.

O que importa é não perdermos um auxiliar tão valioso para o ensino da Religião. Não é difícil dotar cada Grupo Escolar, cada Catecismo paroquial, de uma coleção de quadros. Um pouco de boa vontade realizadora, e teremos em mãos com que prender a atenção das crianças e lhes facilitar a aprendizagem da doutrina e da virtude, em que se devem formar.

Álbuns - São os álbuns um elemento de que a boa catequista não deixará de lançar mão, pelos excelentes serviços que podem prestar. Não nos demoraremos sobre o valor pedagógico dos álbuns: todas as professoras o conhecem. Apliquemos ao Catecismo.

Como sempre, deixando a maior parte ao trabalho das crianças, deixando-lhes mesmo a impressão da iniciativa, suscita-se a ideia do álbum. Já existem na classe, no Grupo, álbuns de geografia, de história etc. É fácil passar a ideia para a Religião. Talvez outra catequista já organizou um álbum catequético. Mostrá-lo aos alunos é despertar-lhes o desejo de fazer um igual. Querem fazer? O interesse começou.

Quantos álbuns religiosos se podem fazer! A professora orienta. É a Quaresma: um álbum da Via-Sacra. É o mês de maio: a vida de Nossa Senhora, ou uma coleção das invocações, ou das mais bonitas igrejas do Brasil dedicadas a Nossa Senhora. Ensina-se o Ciclo Litúrgico: que lindo trabalho o dos domingos do ano! Estuda-se a vida de Cristo: querem mais rico motivo para um álbum? Ou simplesmente as parábolas. Os sacramentos, os mandamentos, os dons do Espírito Santo, as missões, e mil outros motivos a catequista achará ricos de interesse e de lições.

Como fazer? Suscitado o interesse, despertado o entusiasmo, a catequista faça as crianças fazerem. Vá animando e dirigindo o trabalho - e as crianças vão trabalhando. Elas arranjarão o livro, ou o farão e encadernarão. Elas providenciarão as estampas. Quanto motivo para educação! Proponho, por exemplo, que tragam os santinhos que tem, para se escolher. A escolha, motivada, já é um trabalho de educação estética e religiosa, o darem os seus santinhos para o álbum da classe já é um desprendimento excelente, para combaterem o egoísmo. O álbum pode ser de simples figuras cortadas de jornais e revistas. Na confecção de um álbum sobre a vida de Cristo passa-se e repassa-se o Catecismo quase todo. Depois de organizarmos um álbum sobre a Via-Sacra, grande parte das crianças sabia todas as estações de cor, sendo capazes de fazer sem livro o piedoso exercício. Eu mesmo presenciei cenas como esta: "Mamãe, a senhora tem um santinho com a IX estação?" E a mamãe não sabia qual é a IX estação, e... aprendia!

Embora sem tanto valor educativo, os álbuns feitos pela própria catequista prestarão um bom auxílio à catequese, substituindo as coleções de quadros, os Catecismos ilustrados, em que somos ainda muito pobres.

Projeções - As projeções luminosas são um dos auxiliares mais eficazes da catequese. Sob vários aspectos valem mais do que os quadros murais. As figuras aparecem maiores e luminosas, atraindo mais a curiosidade, e podendo agrupar maior número de alunos. Sendo maior a impressão, grava-se melhor.

Não será talvez recomendável usar a projeção todas as semanas, porque as crianças se acostumariam demais, e o interesse cairia. Também porque ainda somos pobres de vistas e seríamos obrigados a repeti-las, desgostando ou enfadando os pequenos.

O inverso será igualmente errôneo. As projeções não devem ser tão raras que pareçam diversão ou prêmio.

O bom emprego será o da função didática, como dos quadros murais. Sobre a vista projetada, a lição dada pela catequista. Para isto, compreendamos: a) que a catequista, antes de projetar, terá estudado bem o quadro, para poder explicá-lo; b) que a projeção é um meio e não um fim; c) que as vistas projetadas serão poucas, porque, do contrário, as crianças não poderão reter as explicações dadas; d) que serão todas em torno do mesmo tema, que explanarão e farão compreender, a fim de evitar a dispersão; e) que as crianças não se limitarão a ver, mas tomarão parte intelectual e espiritual ativa.

Ainda melhor, servirão as projeções como meio de recapitulação. Aí então as vistas poderão ser mais numerosas e variadas, conforme a matéria a rever. Aí também as vistas devem ser explicadas pelas crianças.

Quanto ao cinema, temos várias restrições a fazer. Ainda não existem entre nós os filmes religiosos, didáticos. Fala-se, é verdade, de "filmes educativos" que me proporcionaram grandes decepções. São cheios de aventuras policiais e cenas pouco edificantes. Raros, raríssimos, os educativos de verdade.

As crianças se contentam com as projeções fixas, que tem ainda a vantagem de ser muito mais baratas. Há mesmo aparelhos de preço acessível, muito bons e de fácil manejo. Até mesmo os adultos apreciam essas projeções, que fornecem ocasião a um bom apostolado.

Museu catequético - Se todas as boas escolas tiveram sempre os seus museus, a escola atual menos ainda o pode dispensar, em vista do seu grande valor instrutivo e sobretudo educativo.

Se o museu escolar tem de tudo, porque tudo interessa aos alunos, há de ter também da Religião, porque esta interessa ainda mais.

E se a orientação do museu escolar, sem perder o contato com a ciência e com a arte, tiver sempre um caráter prático de aproveitamento para a vida, a Religião terá aí o seu grande lugar, porque não se pode separar a vida da Religião.

É fácil, aliás, contribuir com o material religioso para o museu. Todas as salas tem o "museu de classe", com tudo o que as crianças reúnem e guardam sob a orientação da professora. Aí estará, portanto, um fato material referente ao Catecismo. As legendas ou dísticos, desenhos, modelagens, recortes, gravuras, mapas, álbuns, todas as manifestações da atividade escolar estarão ali. E não só das crianças, da professora também, porque ela também trabalha e contribui para o museu.

O "museu da escola" tem muito maiores possibilidades que o da classe, porque é fruto de uma cooperação maior, conta com mais ricas possibilidades. Todas as classes contribuem para ele. A sua organização já é mais perfeita. Lá estará igualmente, numa seção especial, tudo o que toca ao ensino religioso.

Todos compreendem a grande vantagem desta conjunção de esforços. Tem outro interesse uma aula dada em face do material que lá se encontra. Fora das aulas, as crianças poderão visitar o museu, e verão muita coisa, aprendendo umas, relembrando outras, completando aquelas.

Para facilitar esse trabalho das crianças, o material estará ao seu alcance, de modo que possam ver e pegar. E tudo será bem etiquetado, para que os pequenos leiam e fiquem sabendo o que é, por si mesmos, sem o auxílio ou com um pequenino auxílio apenas da professora.

Seria muito para desejar que nas cidades maiores se organizasse o museu catequético, este puramente catequético, de maiores proporções, que pudesse servir de modelo, e prestasse serviços a maior número de pessoas. Ali viriam as catequistas da vizinhança buscar novas ideias; e facilmente se melhorariam os métodos do Catecismo pelo interior do país. As sedes dos bispados poderiam iniciar imediatamente esse trabalho, que não é difícil. Haveria, entre os demais, a vantagem da visita dos reverendíssimos vigários, que sempre estão na cidade episcopal. Uma espécie de exposição permanente. Não faz mal começar pequenina. Crescerá depois. Mas é preciso fazer-se.

Quadro-negro - Quer o catecismo seja na escola, quer na igreja, o quadro-negro deve ser usado. Arguirão dificuldades para a igreja. Fáceis de remover. Quadros-negros pequenos, de cavalete, que as próprias crianças transportam com prazer, no momento da aula, do lugar em que ficam guardados para o da aula, e vice-versa.

Não me digam, por tudo, que isto é uma inovação. Quem já viu um quadro-negro na igreja? Mas a igreja já não está transformada em sala de aula?... Não nos pareçamos com aquele que não permitia aulas de Catecismo na igreja, porque os meninos fariam desordem!

É erro pensar que o quadro-negro serve para perder tempo. Bem ao contrário. Mantém, mais facilmente, a atenção dos pequenos. Desperta o interesse. Ajuda a memória, porque muita coisa eles ouvem e, ao mesmo tempo, vêem escrita. Alimenta a atividade infantil: manda-se ora um, ora outro escrever no quadro. E enquanto um escreve, os outros acompanham.

A catequista que não o utiliza priva-se de um auxiliar precioso. E quem, como nós, quer atingir um fim tão alto, não se pode privar de um meio, antes deve pô-los todos em ação, para melhor assegurar-se o êxito.

No quadro, a catequista escreverá definições (se os meninos ainda não tem todos o catecismo), as divisões; as palavras novas para as crianças; as máximas, os hinos que vai ensinar; fará seus gráficos e esquemas; desenhará objetos; fará resumo da aula, para melhor gravá-la, e assim por diante.

Não me parece sem importância as crianças gostarem do quadro-negro: tornar a aula de Catecismo do gosto dos alunos é apostolado dos melhores em favor do ensino religioso.

Não fiquemos somente em lastimar que um meio tão poderoso e eficiente tenha estado ausente de nossas aulas de Religião, quando é tão fácil e tão barato. Corrijamos o erro, trazendo o quadro-negro para a frente das crianças, e nos aproveitemos de suas vantagens.

Mapa da Palestina - Agora já ninguém se admirará que, ao lado do quadro-negro, peçamos um bom mapa da Palestina, para o Catecismo, mesmo paroquial. É simples. Pensou-se já em começar o ensino do Catecismo pelo mapa da Terra Santa. Não me parece o indicado. Mas agora a criança já tem noções de geografia capazes de lhe permitirem o uso do mapa. Fala-se em Belém e Nazaré, em Cafarnaum e Jerusalém. E se estabelece um confronto entre Judeia e Galileia. A criança ouve essas palavras. Antigamente era muito mais vagas. Hoje, no quadro negro, tomaram forma concreta. Agora tomam uma forma viva. Ela acompanha no mapa a caminhada que Jesus fez com seus apóstolos.

Se a catequista é mais cuidadosa, tem o seu mapa da Terra Santa. Neste seu mapa, ao lado do nome da cidade, está uma vista da cidade colada ou um desenho com o fato da vida de Cristo. É a gruta do nascimento, o templo da pregação, o Calvário, a oficina de Nazaré. Pode vir a distância em quilômetros. Então é muito mais interessante acompanhar as viagens de Nosso Senhor.


Dísticos - Se a aula é dada na escola, é mais fácil prender às paredes alguns dísticos em letra grande e vistosa, com frases curtas e sugestivas.

Essas máximas têm grandes vantagens. Na escola entram a propósito de tudo. Para a formação de hábitos educados, o combate ao álcool, a boa alimentação etc, lá estão, pelas paredes, as pequenas frases, acompanhando, às vezes, sugestivas figuras. O simples fato de, entre elas, aparecerem os motivos religiosos já é vantajoso: não se exclui a Religião, relegando-a para um plano excepcional da vida.

Mesmo na igreja se pode achar meio de colocá-las antes da aula, de modo a serem facilmente vistas pelas crianças. Depois se retiram.

Fica a critério da catequista escolher as máximas de acordo com o espírito da classe e com a lição.

É fácil fazer esses dísticos. Uns podem ser mais enfeitados, com gravuras, desenhos etc. Outros serão mais simples. Sempre em caracteres claros e bem facilmente legíveis. Nalguns as próprias crianças podem ajudar, escrevendo ou ilustrando. Pode-se também mandar escrever nas capas dos cardernos, nos santinhos de lembrança etc, de modo a ir enchendo com este espírito cristão a mente da criança, assaltada pelas máximas pagãs que a cercam de todos os lados.

______________________________
(1) - Não nos deteremos no assunto. Os que quiserem um estudo bem feito consultem o "Méthode Pédagogique de l'enseignement du Catéchisme" do P. C. E. Roy, que esgota a questão.
(2) - Para saber mais sobre a pedagogia Montessori, clique aqui.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Uma defesa do sistema de cotas universitárias

Um aspecto positivo da lei que cria cotas em instituições de ensino superior para alunos da rede pública de ensino é que muitos pais da classe média brasileira terão mais tempo com os filhos e a família. Se o cidadão tinha de cumprir uma jornada de trabalho absurda para dar “a melhor educação” para a prole, hoje ele terá de pensar melhor antes de matricular a molecada nos colégios particulares.

O argumento contrário ao sistema de cotas é comovente quando enaltece que os alunos mais estudiosos devem ter prioridade, porém, o fato é que os nossos colégios, até mesmo aqueles frequentados pelos mais abastados, estão longe, muito longe, de instigar nos jovens a necessidade de uma vida verdadeiramente intelectual.

As instituições de ensino superior (universidade é um nome muito católico para ser utilizado aqui) tornaram-se servas do mercantilismo e, ainda que a sociedade necessite bastante das artes servis, o intelectual universitário tem a obrigação primeira de aprender aquelas artes que farão dele um cavalheiro.

Apesar da inspiração católica, as artes liberais não constituem-se como doutrinas religiosas. A doutrina da salvação visa à santidade dos indivíduos, ao passo que o ensino das artes liberais, como o trivium medieval (gramática, lógica e retórica), visam a um alargamento da inteligência. São artes “inúteis”, porque não são “servis”.A massificação é estranha ao conceito de uma universidade de cavalheiros, porque demanda uma elite disposta às exigências, muitas vezes penosas, da vida intelectual.
No Brasil em franco desenvolvimento econômico, a mera vontade política de formar um quadro amplo e plural de profissionais especializados em ciências recortadas, já denota a preocupação materialista de sobrepor o trabalho servil a qualquer outra forma de cultura do espírito.

Esse triunfo da realidade instrumental é muito danoso para as pessoas, porque existe uma realidade humana na qual o “trabalho” é uma maravilha, mas é hierarquicamente inferior a outras instâncias da vida social, como a atenção à família e o cultivo da razão e da espiritualidade.

Quando admito que os meninos dos colégios públicos devem ingressar nas faculdades aos montes, parto do pressuposto que, antes de tudo, os “montes” já estão nelas há muito tempo. Vivemos numa sociedade de massas e não há qualquer outra tentativa de amenizar esse caos que não parta da santidade e do cavalheirismo de cada indivíduo.

Por isso, agora que você não precisa mais se matar nos seus dois empregos para pagar colégios caros para os seus filhos, procure passar mais tempo com eles. Uma desculpa para a sua preguiça está prestes a ser esfarrapada.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A novena da Imaculada Conceição

A Imaculada Conceição - Martino Altomonte (1719)
(Para a preparação antecipada do Advento)

Dia 8 de dezembro é o dia da Imaculada Conceição de Maria. Para saber mais sobre a Imaculada Conceição, leia as palavras do Papa Bento XVI e do Cardeal Newman parte I e parte II.

Para bem celebrar o dia 8 de dezembro, podemos fazer a novena da Imaculada Conceição, que começa dia 29 de novembro. Há vários textos para a novena, mas deixo aqui minha sugestão: Novena da Imaculada.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A Coroa do Advento

(Para a preparação antecipada do Advento)

A coroa do Advento é um arranjo de quatro velas (três roxas e uma rosa) sobre uma coroa circular de ramos verdes que faz parte da rica tradição católica. É o símbolo mais popular do Advento. A sua origem permanece incerta. Conta-se que os alemães a utilizavam durante as noites frias e longas de Dezembro como um sinal de esperança de dias mais longos e quentes. Por volta do século XVII, católicos e luteranos adaptaram esse costume pagão ao cristianismo, esperando o Nascimento do Salvador.

Essa coroa é recheada de simbolismos e é uma ótima oportunidade para conhecer melhor os mistérios de Cristo e ensiná-los às crianças. Ela deve ser colocada em uma mesa ou em um lugar de destaque da casa. Durante o Advento, a família se reúne em torno dela para rezar.

O círculo da coroa não tem princípio e nem fim, como Deus. Os ramos são verdes, cor da esperança, e sempre verdes, imutáveis, como Deus. As quatro velas indicam as quatro semanas do tempo do Advento (e as quatro semanas significam os quatro mil anos de espera desde Adão e Eva até a vinda do Salvador).

A cor roxa significa penitência. Para a remissão dos nossos pecados é que Deus nos enviou o seu Filho, por isso, através de sacrifícios e penitências no tempo do Advento é que esperaremos a vinda de Cristo no Natal (e também a Parusia, segunda vinda). A cor rosa simboliza a alegria da espera no meio de penitências.

No primeiro domingo do Advento nós acendemos uma vela roxa. No segundo domingo do Advento, duas velas roxas são acesas. No terceiro domingo do Advento, que é chamado de Domingo Gaudete, nós acendemos duas velas roxas e a vela rosa. Gaudete, Dominus enim prope est.(Alegrai-vos, pois o Senhor está perto). No quarto e último domingo do Advento todas as velas são acesas. Durante a semana, são acesas as velas que foram acesas no respectivo domingo. O progressivo acender das velas é um sinal visível de Cristo, a Luz do Mundo, que está chegando.

Para ver a bênção da Coroa do Advento, clique aqui. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Comemorar o ano litúrgico em família



Comemorar o ano litúrgico em casa é uma prática de piedade muito bonita, pois nos ajuda a penetrar nos mistérios de Cristo e viver melhor a liturgia durante o ano. O início do Advento ainda está um pouco longe, mas eu gosto de programar tudo com antecedência. Estamos em uma época muito boa para quem não celebra o ano litúrgico em casa (mas gostaria de celebrar). Faltam alguns meses e há tempo de sobra para aprender alguns costumes e se programar também. 

Quem já celebra o ano litúrgico tem a programação desse ano e poderá usá-la para o próximo. Quem ainda não celebra, pode começar com costumes simples e com o passar dos anos, pode ir fazendo mais coisas. Para celebrar bem o ano litúrgico é necessário conhecer o significado de cada tempo para vivê-lo com uma espiritualidade autêntica. Recomendo vivamente a leitura do Diretório sobre piedade popular e liturgia, que está disponível em inglês e espanhol no site da Santa Sé. Em português há uma edição impressa da Paulinas.

A programação pode ser feita por tempo litúrgico. Para o Advento, por exemplo, nós fazemos alguns costumes da piedade popular e comemoramos as datas importantes. Além, é claro, de todas as orações diárias. Toda noite pode ser lida uma breve biografia do santo do dia também. Para o santo do dia, há um livro chamado Os Santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente, mas que eu não tenho (ainda).


Como comemorar cada data importante? De acordo com cada família. Mas, de um modo geral, é importante que todos saibam valorizar cada domingo como o Dia do Senhor, que esse seja o dia mais importante da semana. Durante a semana, as datas podem ser comemoradas com uma refeição diferente, com leituras específicas da comemoração etc. Por exemplo, dia 12 de dezembro é dia de Nossa Senhora de Guadalupe. Neste dia podemos fazer algum prato mexicano, ler a história de Nossa Senhora de Guadalupe, as crianças podem colorir Nossa Senhora de Guadalupe e outras atividades.

Essas ideias podem ser levadas para a catequese também, enisnando sempre que elas são vindas da liturgia da Igreja, e que apesar de serem muito importantes, não substituem, em hipótese alguma, a nossa Santa Missa. Assim, as crianças terão um conhecimento mais profundo do significado da nossa riquíssima liturgia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Documentário: La Educación Prohibida


Observações:
O documentário é muito interessante e engloba diversas opiniões, no entanto, devo dizer que essa autonomia infantil (onde a criança faz o que quer) que sobressai durante todo o documentário não é algo bom. Para saber mais, leia sobre os malefícios da pedagogia Montessori. Para mim, a primeira metade do documentário é muito boa, o restante insiste nessa pedagogia maléfica.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Como prender a atenção das crianças?

~ A atenção ~




Pelo seu grande valor, a atenção merece as melhores vistas e os mais preciosos cuidados do educador. É problema vital para o aproveitamento dos alunos manter acesa a chama da atenção. Sem isto são perdidos todos os esforços.

Do ponto de vista da inteligência, as coisas se compreendem tanto melhor quanto mais sobre elas se concentram as nossas atividades intelectuais. A apreensão, a penetração, a análise, a estabilidade e a fixação, a consciência e o rendimento estão proporcionados ao emprego da atenção. A mesma criança passa, de tardia, defeituosa e atrasada, a ativa, cuidadosa e adiantada se lhe conseguirmos o bom uso da atenção. E como a escola, principalmente a de Catecismo, tem o grave dever de acostumar, em tempo, o aluno à reflexão, ao raciocínio, às deduções, à abstração, a educação da atenção é um dos primeiros cuidados do professor. Mesmo porque é notável o valor educativo da atenção. Capaz de fazer Pascal esquecer suas dores atrozes quando cuidava dos problemas da geometria; de deixar Arquimedes alheio ao tumulto da tomada de Siracusa, porque embebido em seus estudos; é igualmente capaz de fazer a criança não ver a igreja esvaziar-se porque está observando, por exemplo, o presépio do Natal. As mães fazem os pequeninos esquecer a dor contando-lhes uma história que lhes absorva a atenção. Isto mostra o grande poder do domínio sobre a sensibilidade, o qual é preciso o educador saber aproveitar.

No ensino da Religião, a vontade tem papel capital. A atenção é mais indispensável à vida moral que à intelectual. Na luta contra defeitos, inclinações más e hábitos viciosos, do mesmo modo que na aquisição das virtudes, ou na formação dos bons hábitos mesmo naturais (as boas maneiras, por exemplo), a atenção tem proeminente lugar. E ainda depois de formados esses hábitos de ordem sobrenatural, a atenção continua necessária para que não se mecanize a vida, não se caia na rotina, não se perca o mérito, que só acompanha os atos humanos. É impossível uma sólida devoção num espírito desatento. É a dissipação geral que leva à vida espiritual o desgosto das orações, a deficiência nos deveres, a quase impossibilidade para a meditação etc. Não se pode educar só para a vida espiritual: tem-se de educar para toda a vida.

A atenção da criança - A psicologia da criança é o guia do catequista, como de todos os mestres que não querem construir no ar. Acusa-se a criança de desatenta. É o contrário: ela é atenta demais. E isto é que prejudica. Presta atenção a tudo: o que é nocivo. Ou, então, tem a capacidade limitada às condições de sua idade, aos seus interesses, ao seu mundo, bem diverso do nosso. Isto não é mal. O mal é o professor não compreender isto. Não se adaptar ao aluno, querendo impor coisas impossíveis.

Chego a uma classe de criancinhas, todas desatentas. A catequista ensina quantas naturezas há em Jesus Cristo, e se esforça, com as mãos, para manter os pequeninos voltados para ela, a fim de ouvi-la. E não consegue nada. Tiro do bolso meia dúzia de santinhos e espalho no banco. A criançada rodeia. Chovem comentários.  Fazem-se perguntas curiosas, deliciosíssimas. Respondo e faço outras. "Deixa eu ver"... E estendem as mãozinhas ávidas, os olhos rutilantes, fronte contraída, suspensa a respiração. Todos os fenômenos fisiológicos que Ribot anotou para a atenção¹. Para elas, ver é pegar. Naquela idade só se compreende bem o que se vê, ouve e toca, e na medida em que se pode ver, ouvir e tocar. É inútil estar com abstrações para crianças de 7 anos e menos. Coisas concretas.

Nesta primeira fase a atenção é sobretudo espontânea. Deve ser despertada por um estímulo exterior. E ainda assim é momentânea. Móvel, incapaz de fixar-se por longo tempo, a não ser que o objeto a domine e absorva. Até mesmo brinquedos são cedo abandonados. Fénelon a comparou às borboletas; só bem mais tarde é que virá a abelha... Está perdido, ficará sozinho o mestre que não compreender esta situação natural e se lhe adaptar.

Aqui já aparece também a atenção devida a excitações interiores unidas à satisfação das tendências naturais. O mais poderoso interesse nesta fase é a satisfação imediata. É então que os jogos exercem grande papel, sendo capazes de absorver a criança, a ponto de fazê-la esquecer até a fome. Só na terceira infância, observa Vermeylen², aparece a atenção voluntária. Mas, vejamos bem, aparece. É embrionária. Precisa de ser despertada, estimulada, desenvolvida, educada. Há psicólogos que chamam à atenção voluntária de esforço. Sim, é obra de treino e educação. Os estimulantes não podem ser ainda perfeitos. A perfeição é o termo, o ideal. Até chegarmos lá, os caminhos são vários. Os motivos perfeitos valem muito pouco nesta fase: "É seu dever". "Você tem lição a estudar". "É a vontade de Deus". Os interesses imediatos são o meio mais indicado, aliás, o único viável. Não podemos perder de vista o egoísmo da criança, para podermos educá-la. Chamemo-la ao dever pelo que a interessa. Depois, aperfeiçoaremos os motivos. Agora, é o temor do mal, o desejo de recompensa, o amor-próprio, o gosto de agradar. Em religião, o mal é o pecado; a recompensa pode ser o céu, embora não seja necessário nem útil apelar sempre para isto, porque a criança precisa de recompensas imediatas; o gosto de agradar pode-se orientar para Deus ou o sacerdote.

Não é preciso dizer que é dever da catequista adstringir-se a essas obrigações que não são aéreas, mas reais, para poder proporcionar o seu trabalho e torná-lo rendoso.

Atenção espontânea - Na atenção espontânea o objeto nos atrai. São fatores desta atenção: a intensidade das excitações (um ruído forte, um perfume, uma cor viva), a novidade da impressão, as mudanças rápidas (como nos anúncios luminosos), o interesse (para as crianças menores o imediato, para as maiores também o mediato). Tudo se pode reduzir a duas causas: Curiosidade e interesse.

A. Curiosidade. É uma necessidade de saber. Na criança se manifesta por um sem-número de perguntas, em que quer saber tudo, principalmente o como das coisas, ou pelo desejo de ver. Se há uma curiosidade frívola, que é preciso corrigir aos poucos, e uma perigosa, que é necessário combater, há também uma curiosidade fecunda, que dirige o espírito, abrindo caminhos à instrução e facilitando a educação moral.

A catequista precisa manter e cultivar a sã curiosidade dos pequenos. Deixe a criança perguntar. Ouça com atenção as perguntas, leve-as a sério, responda com interesse. Desperte as crianças paradas e medíocres, para as quais muitas vezes são as preferências das catequistas, porque são quietinhas, ao passo que para as ativas, porque inteligentes, há sempre uma censura. Excitar a curiosidade é encaminhar a classe a seu fim.

Seria, entretanto, um erro satisfazer sempre e depressa a curiosidade infantil. É preciso deixar a criança procurar a resposta à sua pergunta. estimulá-la e orientá-la para isto com nossas perguntas; chamar outra companheira em seu auxílio. Se a classe é de maiores, protelar um pouco a resposta sob o pretexto de não interromper o fio da explicação, principalmente se a pergunta não é necessária à compreensão. Assim vai educando para o domínio de si.

Adiante, mostraremos a necessidade de não fazer da curiosidade o único estímulo das crianças, mas acostumá-las a um esforço, que disciplina a vontade para a virtude.

B. Interesse. Eis o mais poderoso e eficiente fator da aquisição de conhecimentos. É preciso prender o espírito da criança. Há coisas que prendem e agradam por si mesmas. Há outras, porém, que não logram isto, embora sejam de igual ou maior importância. Ora, a educação não é um divertimento... Não podemos ficar apenas satisfazendo a curiosidade ou o interesse natural das crianças. É necessário despertar-lhes o interesse pelo que lhes queremos ensinar. Do contrário, nosso trabalho não será apenas inútil, mas contraproducente. Não se impinge um conhecimento às crianças, sem lhes chamar a aversão por ele. Ensinando o que não querem saber, forçamo-las a se desinteressarem. Ai do educador que não tomar em consideração que o interesse tem raízes profundas no ser, como uma necessidade para a vida, obedecendo a condições fisiológicas, intelectuais e morais. Aos que dizem que as crianças têm necessidade de aprender isto ou aquilo, respondamos que mais necessidade tem o educador de interessá-las pelo que lhes quer ensinar. Para tal, não esqueçamos os princípios que regem a psicologia do interesse.

As crianças se interessam pelo que é concreto, ao alcance dos sentidos - ou lhes toca de perto (medo de serem castigadas, desejo de recompensa ou de agradar etc) - ou reclamam sua atividade e na medida em que esta se exerce - ou pelo que é novo - ou maravilhoso.

Atenção voluntária - Se na atenção espontânea é o objeto que nos atrai, na voluntária somos nós que procuramos o objeto. Se não nos é fácil procurarmos sempre uma coisa desinteressante, quanto mais às crianças, cuja vontade ainda está por formar! Os motivos perfeitos valem pouco neste momento da vida. Mas não esqueçamos que esta educação da vontade para superar os interesses subalternos é o fim da educação. Temos o fim em vista, empreguemos os meios para atingi-lo.

Ora, o primeiro é orientar e dirigir a atenção espontânea. Onde ela se enfraquecer por motivos intrínsecos, fortificá-la pelos extrínsecos. Aqui já os valores objetivos começam a pesar. Não é bom de fazer, mas é obrigação. Não gosto de estudar, mas é meu dever. Começa propriamente o trabalho direto da formação cristã.

Nesta fase da idade escolar, é necessário ir acostumando a criança aos sacrifícios (mortificação) que a vida impõe - para poder a escola ser da vida! Mas insisto não se faz arbitrariamente, nem se começa pelo fim.

Nada se conseguirá se, antes, não tiver despertado algum interesse. Mas esse interesse já pode ser mais indicado e voluntário: encaminha-se o aluno para se interessar por aquilo que queremos (sem forçá-lo, é claro). Isto se alcança, apoiando-se sobre os sentimentos inferiores (amor-próprio, emulação, interesse imediato). Assim fazem os que querem subir: apóiam-se nos degraus inferiores para galgar os superiores.

Não há de ser agora que a educação lembrará disso. A formação da vontade vem desde os primeiros dias, na proporção da capacidade infantil. Este esforço vai crescendo com a idade, mas é pela formação da vontade que se consegue esta atenção de esforço. O que não quer dizer que se baseie só na vontade. Nunca se forma uma faculdade só.

A atenção é uma atitude da inteligência, a qual deve ser respeitada. Ora, as crianças são pouco capazes de ideias gerais: vamos com elas do particular ao geral, dos efeitos às causas.

A capacidade infantil é limitada: não a sobrecarreguemos com muitas ideias; expliquemos pouca coisa de cada vez.

A penetração é pequena: é nosso dever supri-la pela clareza nas ideias e na exposição. Não se atende ao que não se entende.

Também aqui as perguntas exercem um grande papel.

Por estes e muitos outros meios iremos acostumando os pequenos à reflexão, tão necessária à vida cristã. Só um espírito refletido é capaz de perfeição espiritual. O recolhimento, a meditação, o gosto da oração, o exercício da presença de Deus e outras práticas da vida cristã, virão com muito mais facilidade pelo caminho que o hábito da atenção abriu na alma da criança.

Como manter a atenção - Talvez redundante, a enumeração abaixo servirá para recapitular:
  1. Despertar a curiosidade e o interesse da criança: atenção espontânea.
  2. Empregar material didático e saber empregá-lo.
  3. Trazer a criança sempre ocupada, quer com o material didático, quer com frequentes perguntas.
  4. Entremear de histórias oportunas a lição.
  5. Preparar bem a lição, para falar com clareza e precisão.
  6. Adaptar-se à criança no modo de falar, pensar, sentir e agir.
  7. Proceder por indução mais que por dedução.
  8. Limitar as ideias em cada aula.
  9. Fazer a aula curta, para não cansar as crianças, ou variar de trabalho durante a aula.
  10. Falar aos sentimentos, despertando-os.
  11. Escolher para a aula a melhor hora e o melhor local.
  12. Usar de emulações inteligentes.
  13. Aproveitar nas aulas os fatos do momento, que interessam às crianças.
  14. Acostumar aos poucos à reflexão e ao esforço pela formação da vontade.
A catequista que agir assim terá nas mãos a atenção das crianças, e promoverá um grande progresso na sua classe. Quem não praticar esses meios, inutilmente reclamará atenção...
 
Quanto mais gritar, menos proveito tirará. A atenção não se consegue com gritos e ameaças, mas despertando curiosidade e interesse e encaminhando a vontade para o bem, de modo simpático e agradável.
_____________________________
 
(1) - Cf. Ribot, "Psychologie de l'attention".
(2) - "La psicologia del niño y del adolescente".

Capítulo do livro A Pedagogia do Catecismo
 
Veja o capítulo Preparando a Lição.