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sábado, 28 de julho de 2012

Oratórios

A Família é a Igreja Doméstica onde os filhos aprendem e perseveram na oração. A Igreja Doméstica deverá ter um altar, onde a família se reunirá em oração todos os dias.

Um altar é bem simples e fácil de fazer. Deve ser montado na sala ou em um local que o coloque em evidência. Também as imagens e ícones devem estar dispostos como em uma Igreja. O crucifixo no alto e centralizado; a imagem de Nossa Senhora à nossa esquerda (à direita de Cristo); a imagem de São José à nossa direita (à esquerda de Cristo). Para evitar um altar cheio de ícones e mostrar simplicidade, conserve-se também um porta-retratos e várias imagens de santos, que podem ser trocadas de acordo com as comemorações.

para a oração pessoal, pode servir um «recanto de oração», com a Sagrada Escritura e ícones (imagens) para aí se estar «no segredo» diante do Pai (40). Numa família cristã, este gênero de pequeno oratório favorece a oração em comum; (CIC - cânon 2691)


Abaixo, algumas fotos de altares domésticos retiradas da internet: 












sexta-feira, 27 de julho de 2012

Como preparar a aula de catequese?

~ Preparando a Lição ~

O que exigimos da catequista na tríplice formação necessária é a preparação remota: bom conhecimento da doutrina católica, boa vida cristã, bom aparelhamento pedagógico. Mas é geral e não basta para as aulas. Cada aula requer um trabalho especial e uma preparação imediata, cuja ausência será suficiente para enfraquecer a lição do melhor teólogo, do mais perfeito pedagogo.

Preparação próxima - Construo assim minhas aulas de Catecismo primário: 1) Um trecho (em geral um fato ou uma parábola) do Evangelho; 2) a doutrina; 3) a formação, com os 4 pontos: hábitos cristãos, hábitos piedosos, liturgia, apostolado.

Seleciono o trecho evangélico, ou simplesmente o procuro (quando o programa o indica), releio-o textualmente, vejo o que interessa a esta aula, afasto cincurstâncias que não servem ao assunto e que, no momento, iriam apenas dissipar ou sobrecarregar a atenção das crianças, saliento os pontos de que extrairei a doutrina.

Disponho agora a parte doutrinária: fixo a ideia principal sobre que girará a aula, que repetirei muitas vezes, que farei repetir, escrever e memorizar; organizo o assunto na ordem que mais convém a crianças, afasto o que não poderão compreender e o que as distanciaria da ideia central, única de que faço questão, pois me satisfaço com uma ideia por aula.

Vou agora à formação, que é, em geral, o mais difícil. Se a aula não chegar às conclusões práticas, ficou em meio, sem atingir os fins. Minhas conclusões devem fluir naturalmente da doutrina, como esta fluiu do Evangelho, e adaptar-se à vida das minhas crianças. Tanto mais vivas e mais práticas tanto melhores. Dificilmente as encontraremos inteiramente feitas - ou porque os manuais, em geral, não as trazem, ou porque, quando as trazem (como MEU CATECISMO¹) ainda precisam de certa adaptação à condição destas crianças. Então, que hábito cristão ou piedoso posso inculcar? Que obra de apostolado irão elas fazer? Que aplicação litúrgica?

Para tudo isto, reli o texto do Evangelho, revi no Catecismo a doutrina de que preciso, consultei este ou aquele manual (para sugestões), escrevi meu plano de aula. Mesmo agora, que sigo MEU CATECISMO¹, onde quase tudo está feito e proporcionado às crianças, ano por ano, embora facilitadíssimo o trabalho, ainda é necessária a preparação próxima. Certos pontos exigem mais precaução; certas palavras demandam explicação mais infantil.

Seria imprudência não pensar nas perguntas que a aula pode suscitar. Algumas serão inteiramente imprevisíveis, dado o espírito das crianças; outras, quase infalíveis, e a própria catequista terá a habilidade de as provocar sutil e habilmente. Não é demais estudar também as respostas claras e satisfatórias que lhes daremos.

Auxiliares - Já não é o tempo das teses teológicas explanadas aos meninos, que as decoravam. Aulas vivas, interessantes. Vamos preparar igualmente tudo o que nos auxiliará em manter o interesse, em despertar o entusiasmo. Que histórias iremos contar? Que comparação faremos? Que exemplo daremos? Que frases escreveremos, que gráficos faremos no quadro negro? Que expressão pediremos: história a inventar, quadro a interpretar etc? Não basta ter bonitas histórias, é necessário saber apresentá-las no momento devido. Não é uma arte, que requer um delicado tato psicológico, escolher histórias, comparações e exemplos à altura da classe?

E o modo de contá-las? Vi certo pregador despertar no auditório uma grande hilaridade com uma terrificante descrição das penas do inferno. Questão de modo de falar, do gesto, da expressão do rosto.

A prória História Sagrada precisa de mão segura nesta questão de escolha. Há certos fatos que é preferível não contar, certas minúcias que podem ser prejudiciais no momento².

Esta escolha merece uma atenção especial da catequista.

Tudo irá cuidadosamente preparado para o bom êxito da aula.

Material - O ensino intuitivo quer ainda mais que histórias, comparações e exemplos. O que é possível mostrar, não se descreve: - mostra-se. O material didático é indispensável. 

Mas que material nos é indispensável a esta aula? Na coleção de quadros, escolheremos o que nos convém; um santinho explicará bem esta passagem; um desenho a colorir ou copiar; dois meninos brigando servirão para ilustrar o exemplo que preparamos; uma notícia de jornal, contando o desastre que aconteceu à criança que foi nadar sozinha às escondidas; um recorte tirado duma revista com um clichê das Missões... Uma série de coisas, que é preciso preparar de antemão.

Caderno de Lições - A professora já terá certamente atinado que é preciso preparar a lição de Catecismo como prepara as demais lições, organizando-a e escrevendo-a no seu caderno de preparação de lições. A catequista, que não é professora, tenha o seu caderno para o preparo das lições. Escreva o resumo do que vai dizer, em ordem, bem dividido; anote as histórias, as comparações, os exemplos; deixe aí bem claras as conclusões a tirar, as aplicações a fazer; por fim, para facilidade, tome nota do material que vai empregar.

Cada qual tem o seu sistema de fazer este caderno. Deixo no meu uma margem bastante larga para os acréscimos, que me vêm de duas fontes: 1. das inevitáveis deficiências, que novas revisões suprem, que novas preparações revelam; 2. da própria aula, ora dos alunos, cujas reações ajustam isso, completam aquilo, reclamam aquiloutro; ora de mim mesmo; uma comparação feliz que surgiu no curso da conversa, uma atitude que impressionou melhor as crianças, um exemplo tirado, no momento, à vida da própria aula, uma aplicação mais imediata, uma pergunta que me é feita... E escrevo à margem.

Dentro de algum tempo, este caderno é um manancial. É um curso completo de catequese. Não suprirá nunca a preparação próxima, mas facilitará enormemente o trabalho da catequista, dando-lhe muito maior rendimento às atividades. Custa um pouco fazê-lo, sem dúvida alguma. Mas paga o pequeno sacrifício não só com o fruto da aula imediata, mas com as facilidades sem-par das aulas futuras.

Aos pés do Senhor - A catequese não é apenas um trabalho intelectual: é uma tarefa sobrenatural. Não é só de aulas interessantes que precisamos, mas de frutos de vida cristã. Estes, é Deus quem dá. A catequista, alma de vida interior, que nada faz sem a pura intenção de agradar a Deus, antes de começar a sua preparação, rezou - como reza, aliás, antes de todos os trabalhos.

Mas agora, feita a preparação intelectual imediata, volta aos pés do Senhor, a meditar no seu assunto de aula. Verdadeira meditação, descendo às profundezas da verdade estudada para amá-la, senti-la, possuir-se dela. Aí é que aparecem as conclusões práticas, as aplicações à vida. Daí é que nos vem o entusiasmo do falar, a unção sobrenatural (mas tão natural nos santos!), a chama que comunica aos pequeninos o amor às coisas de Deus.

Encerraremos nossa preparação rezando pelos alunos, para que eles compreendam e amem. "Pai, que se faça como é de vossa santa vontade, e nenhum desses pequeninos que me confiastes se venha a perder"³.
___________________

(1) MEU CATECISMO é um livro para o curso de religião primário, do Mons. Negromonte.
(2) As crianças, em geral, não compreendem por que o Menino Jesus ficou no templo: acham que foi desobediência a Nossa Senhora. - A circunstância de São José ter sido avisado em sonho da fuga para o Egito, tem despertado esta pergunta: Então, a gente deve acreditar em sonhos?
(3) Cf. Mt 18,14

Capítulo do livro A Pedagogia do Catecismo

Material para catequese

Há uma grande procura de material para catequese no blog. Pois bem, eu já citei o livro do Mons. Negromonte, para a formação de catequistas e educadores. Abaixo, mais algumas indicações:

~ Para a formação dos catequistas ~

~ Para auxiliar as aulas de catequese ~


~ Do Mons. Negromonte ~

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Guia de orientação católica para cinéfilos

Inicio um projeto na internet para orientar o público católico em relação os filmes que são lançados. Trata-se de uma escolha ética, movida após várias meditações sobre um probleminha bastante ignorado. É impressionante como perdemos tempos valiosos com coisas que nos distanciam da vida verdadeiramente contemplativa. O tempo de “descanso” é fundamental, mas é espiritualmente indesejável fugir, nem que seja por pouco tempo, do confronto que o ser humano é convocado eternamente: fazer a coisa certa.

O guia que publico é de orientação católica, porque reflito a partir dos desdobramentos éticos dessa grande tradição. Por isso mesmo, todos os leitores, universalmente, são convidados a participar das leituras.
O site é este. No blog “Memória e Identidade”, publicarei também as atualizações.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Aos catequistas e educadores

O cristocentrismo na catequese significa também que mediante ela, se deseja transmitir, não já cada um a sua própria doutrina ou então a de um mestre qualquer, mas os ensinamentos de Jesus Cristo, a Verdade que Ele comunica, ou, mais exatamente, a Verdade que Ele é. Tem que se dizer, portanto, que na catequese é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado - e tudo o resto sempre em relação com Ele; e que somente Cristo ensina; qualquer outro que ensine, fá-lo na medida em que é seu porta-voz, permitindo a Cristo ensinar pela sua boca. A preocupação constante de todo o catequista, seja qual for o nível das suas responsabilidades na Igreja, deve ser a de fazer passar, através do seu ensino e do seu modo de comportar-se, a doutrina e a vida de Jesus Cristo. Assim, há-de procurar que a atenção e a adesão da inteligência e do coração daqueles que catequiza não se detenha em si mesmo, nas suas opiniões e atitudes pessoais; e sobretudo não há-de procurar inculcar as suas opiniões e opções pessoais, como se elas exprimissem a doutrina e as lições de vida de Jesus Cristo. Todos os catequistas deveriam poder aplicar a si próprios a misteriosa palavra de Jesus: A minha doutrina não é minha mas d'Aquele que me enviou. É isso que faz São Paulo, ao tratar de um assunto de grande importância: Eu aprendi do Senhor isto, que por minha vez vos transmiti. Que frequente e assíduo contato com a Palavra de Deus transmitida pelo Magistério da Igreja, que familiaridade profunda com Cristo e com o Pai, que espírito de oração e que desprendimento de si mesmo deve ter um catequista, para poder dizer: A minha doutrina não é minha!
Trecho da Catechesi Tradendae

Estou lendo um excelente livro que todo catequista deveria ler! É A Pedagogia do Catecismo, do Mons. Negromonte, disponível para download no Blog Alexandria Católica. O livro dá as diretrizes para que o ensino da religião seja eficaz, formando assim autênticos cristãos. É fundamental para todos os educadores, principalmente os pais, pois a catequese se inicia em casa! É também um ótimo guia aos pais que praticam a Educação Domiciliar e estão buscando materiais para ensinar a religião.

A Pedagogia do Catecismo - Índice Geral
  • Primeira parte: Fins a conseguir
Necessidade do Catecismo: No lar; Na paróquia; Na sociedade; A escola; Falsos remédios; Ineficácia do laicismo; O verdadeiro remédio; Em nossas escolas; Diante da classe; Elemento básico.
Finalidade do Catecismo: Formar o cristão perfeito; Instrução religiosa; Praticar a doutrina; Hábitos cristãos; Hábitos piedosos; Apostolado; Formação litúrgica; Em resumo.
Formação Moral: Formar a vontade; Trabalho difícil; Educação pessoal; Hierarquia de valores; Realizando.
Formação Cristã: A consciência; Noção de pecado; Estado de graça; Vida cristã; Sempre mais; Práticas piedosas; Humano e divino.
Formação no Apostolado: Educar apóstolos; Um grande meio; Fácil tarefa; Na prática.
  • Segunda parte: O catequista
Dever pastoral: Catecismo dos adultos; Dever ministerial; As crianças; Catecismo paroquial; Preparação necessária; Nos Seminários; Nas escolas.
Colégios Católicos: Os programas; Os métodos; Material didático; Bibliografia; Aos seus alunos; O curso de Religião; A formação cristã.
Catequistas leigos: Substituindo o sacerdote; Dever de consciência; Quantas catequistas?; Várias missões; A catequista-professora; Indulgências.
Formação Intelectual (I): Conhecimento da doutrina; Para explicar às crianças; Aplicações práticas; II. Para fazer a preparação intelectual; Saber o Catecismo; Alargando o horizonte; Conhecer a vida cristã; Liturgia e catequese; III. Como estudar o Catecismo; Estudo pessoal; Círculos de estudos.
A vida interior: Transbordamento; Força do exemplo; Modelo das crianças; Eloquencia divina; Para vencer dificuldades; Principais práticas.
Preparação pedagógica: Métodos modernos; Alguns mestres; Grandes princípios; Psicologia e Religião; Reações infantis.
Preparando a lição: Preparação próxima; Auxiliares; Material; Caderno de lições; Aos pés do Senhor.
  • Terceira parte: Meios a empregar
Frequência das crianças: Os remédios; Com os pais; Com as crianças; O grande meio.
A atenção: A atenção da criança; Atenção espontânea: curiosidade e interesse; Atenção voluntária; Como manter a atenção.
A memória: Vantagens da memória; Como fazer decorar; O que decorar.
Sessão de Catecismo: Local; Hora.
O problema da disciplina: Noção de disciplina; Condições; Disciplina preventiva; Vigilância; E as sanções?.
Prêmios: Vantagens; A quem premiar?; Como premiar; Que prêmios dar; Um perigo.
Castigos: Meio necessário; Dificuldades; Qualidades dos castigos; Erro fatal; Com caridade.
Processos: I. Material; Quadros murais; Álbuns; Projeções; Museu catequético; Quadro-negro; Mapa da Palestina; Dísticos; II. Recursos didáticos; Exemplos; Comparações; Histórias; Parábolas; III. Auxiliares do ensino; Excursões; Deveres escritos; Jogos; Trabalhos manuais; Controle de conhecimentos; Dramatizações.
O Canto: O costume cristão; Vantagens; Para a catequese; Qualidade dos cânticos; Nos colégios católicos; Modo de ensinar.
A Oração: Formando o hábito; Oração e orações; Variar as fórmulas; Exteriormente.
Confissão: O que desejamos; Remédio eficaz; Força educativa; A direção.
A Eucaristia: Centro de formação; A Casa de Deus; Visitas ao Santíssimo; A santa missa; Missa de crianças; Formar o hábito; A comunhão; Preparação; Primeira comunhão; Comunhão frequente.
Associações infantis: Com as crianças; Dezena do terço; Cruzada eucarística; Espírito da cruzada; Congregação Mariana; Formação.
Como ensinar o Dogma: Doutrina de vida; Por exemplo; Gerar convicções.
Como ensinar a Moral: Positivo e negativo; Ir fazendo; Um grande escolho; Os meios; Psicologia e sobrenatural; Faltas e culpas; Remédios.
Como ensinar a Liturgia: Modelo de escola ativa; A Liturgia na escola; Como ensinar: Aos pequeninos, Aos médios, Aos maiores; É condição.
Como ensinar a História Sagrada: Vantagens; Fins; A História Sagrada e o Catecismo; Novo Testamento; Material; Ensinando.
História da Igreja: Vantagens; Quando ensinar; Orientação; Manuais.
Sexto Mandamento: Formação geral; Meios indiretos; Instrução; Como falar.

Reportagem sobre Educação Domiciliar

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Educação Domiciliar?


A Educação Domiciliar (ED) é uma modalidade de ensino que dispensa a escola convencional. Geralmente é feita por famílias que procuram uma alternativa ao péssimo ensino das escolas e desejam assumir integralmente o seu direito de educar. Nesse tipo de educação, é em casa que a criança aprende. Os pais alfabetizam e ensinam as matérias básicas (religião, português, matemática, ciências etc), no entanto, é comum que alguns não se sintam à vontade para realizarem tais tarefas e então contratam professores particulares. Mas o mais comum é que eles ensinem o básico. Professores particulares são contratados somente em casos especiais, como no caso de aulas de piano, pintura etc.

É uma realidade muito recente no Brasil e os pais que desejam começar a ED encontram algumas dificuldades. A primeira delas é a falta de informação que a própria família tem a respeito desse tipo de educação: avós e tios podem não compreender a vontade dos pais e, na melhor das hipóteses, talvez fiquem receosos com a retirada das crianças da escola. A segunda é a própria legislação, que não fala abertamente da Educação Domiciliar nem a criminaliza. A terceira é a falta de materiais didáticos adequados, sem qualquer tipo de doutrinação. Um outro problema é a perda do sentido da palavra socialização. As pessoas não sabem o que é a socialização... Mas se a criança ficar cinco horas por dia, cinco vezes por semana, fechada em uma escola, não se fala mais nisso! O problema está resolvido. Aliás, é essa a solução para esse problema.

Se você ficou interessado no assunto, sugiro que leia o artigo Educação em casa: socialização não é um problema. Sobre a legislação, há vários artigos na internet, e aqui está a minha sugestão: Legislação.

Para saber mais sobre Educação Domiciliar, visite o site da ANED, Associação Nacional de Educação Domiciliar.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sobre a Liturgia


Retirado e adaptado de Manual de Instrução Religiosa, volume 3, Boulenger.



Vocábulos

Liturgia (do grego leiturgia serviço público, ou das duas palavras gregas leitos, público, e ergon, obra). Etimologicamente, este termo servia, outrora, para indicar qualquer ofício público, seja profano, seja religioso.
a) Em sentido profano, aplica-se a serviços prestados aos príncipes por seus subalternos, ou aos profetas por seus discípulos.
b) Em sentido religioso, exprime as coisas do culto divino (Ver II Mc 3, 3). Também as vestes sacerdotais na Antiga Lei dizem-se litúrgicas (Ex 31, 10). No Novo Testamento, usa-se, este vocábulo, com a mesmíssima acepção. São Lucas fala de Zacarias a preencher, no templo, "os dias de sua liturgia" (Lc 1, 23). Os Atos dos Apóstolos (At 13, 2) aludem aos padres da Igreja de Antioquia, "jejuando e desempenhando o serviço litúrgico".

Rubricas (do latim rubrica, terra vermelha). Regras de Liturgia.
Estas regras vêm exaradas em caracteres vermelhos nos livros litúrgicos (Missal, Breviário, Ritual etc); ora, rubrica é um giz vermelho, que os carpinteiros usam para traçar a madeira na qual trabalham.

Rito (do latim ritus cerimônias; advérbio rite feito segundo as leis).
a) Ordem prescrita para as cerimônias do culto.
b) Conjunto das funções nas cerimônias: rito romano, rito grego.

Cerimônias. No sentido religioso, este termo indica as formas exteriores dos atos do culto: por exemplo, as atitudes, gestos, movimentos, que a Igreja prescreve para a celebração da Missa, para a administração dos Sacramentos, para os ofícios do culto público.
A palavra cerimônias usa-se de preferência, especialmente nos ritos secundários e acidentais.

I. Liturgia. Noções. Utilidade.

Definição. - Liturgia é o conjunto das regras estabelecidas pela Igreja, em todas as coisas que dizem respeito ao culto público.
A Liturgia é:
a) o conjunto das regras estabelecidas pela Igreja. Tais regras, ou "rubricas", derivavam, outrora, dos usos próprios às diversas Igrejas. Emanam, hoje, da Congregação dos Ritos, instituída, em 1588, por Sixto Quinto, no intuito de fixar os ritos e cerimônias do culto, e para zelar pela conservação e exata observância dos mesmos.
b) Estas normas regulam as coisas que dizem respeito ao culto divino. As coisas. É termo de vasta extensão, indicando que a liturgia abrange campos muito variados. Os lugares (edifícios do culto), os objetos, os atos e os tempos do culto: isso tudo é de sua alçada, e tem de conformar-se com os seus preceitos. Aquilo que, por natureza pertencer ao culto público, porém afastar-se das regras da Igreja, não é litúrgico. As coisas que dizem respeito ao culto público. Unicamente o culto público é que se pauta por estas regras. Logo, não entra no domínio da liturgia, nenhum ato de culto exterior privado.

Utilidade. - A utilidade da liturgia resulta da importância do fim duplo que ela procura: promover a dignidade do culto e alimentar a piedade.
a) Quer contribuir à dignidade do culto público. O homem deve, ao Criador, a vassalagem do seu ser inteiro, tanto do corpo como da alma. As atitudes do corpo, os gestos das mãos, as palavras nos lábios, os seres da criação, os monumentos que se erguem majestosos para o alto, os paramentos ricos, são outros tantos meios de que podemos lançar mão para adorarmos a Deus. Mas para que a ordem e a harmonia imperem por toda a parte, não se deve deixar coisa alguma abandonada à fantasia individual: a Igreja tem de intervir e formular leis garantidoras da dignidade do culto.
b) Outra meta da liturgia é alimentar a nossa piedade. Evidente que a piedade verdadeira origina-se dentro do coração, e o culto exterior não passaria de hipocrisia e manifestação balofa, vã e ridícula, se não fosse baseado no culto que vem da alma, culto interior. Nem por isso é menos certa a recíproca, isto é, que o culto exterior facilita o culto interior, e a impotência, a pompa das cerimônias públicas afervoram a devoção da alma e a elevam a Deus.

II. Diversas espécies de liturgias

Os teólogos agrupam em duas categorias as cerimônias da Igreja. Distinguem: a) ritos essenciais, como a matéria e a forma dos sacramentos, e b) ritos secundários, como as cerimônias do batismo, excluídas matéria e forma. Aqueles remontam ao nascimento da Igreja; são de instituição divina, logo, imutáveis. Os outros são de época mais ou menos remota. Foram estabelecidas sucessivamente e podem variar de acordo com as precisões dos fiéis. Nos primórdios do cristianismo e nos tempos das perseguições, a Igreja simplificava extremamente as funções do culto. Certamente, no Batismo que os Apóstolos administravam não havia cerimônia alguma, além da aspersão, ou imersão dos neófitos na água; também, na Missa, além das palavras da consagração, apenas se recitava a Oração dominical. Quando a Igreja teve liberdade de viver às claras, começou a rodear, com certa pompa, a administração do Batismo, a celebração da Missa, as exéquias dos mártires, e foi criando assim um conjunto de cerimônias que se tornaram, mercê do seu esplendor e simbolismo, uma linguagem animada e sugestiva para a piedade dos fiéis. Todavia, os diversos povos cristãos gozavam de certa autonomia, iniciativa ou liberdade, na determinação destas cerimônias acessórias. Daí o número elevado de liturgias que encontramos ao investigarmos a história dos tempos idos. Podemos formar duas classes: liturgias orientais e liturgias ocidentais.

Liturgias orientais. - Contam-se sete principais. 1. A liturgia de São João Crisóstomo, conhecida, outrora, por liturgia dos Apóstolos, e que parece remontar à maior antiguidade. É observada, atualmente, pelos Gregos ortodoxos, nos patriarcados de Jerusalém, Antioquia, Alexandria e mais, em língua eslava, pelos Russos e Búlgaros. 2. A liturgia de São Tiago, ou de Jerusalém, assim chamada pelo nome do apóstolo São Tiago Menor, primeiro bispo de Jerusalém. Observa-se apenas uma vez a cada ano: no dia da festa de São Tiago. 3. A liturgia copta. É do tempo de São Cirilo de Alexandria, talvez até, de são Marcos. Foi redigida primeiro em grego, depois, vertida em copto. Ainda se usa no Egito. 4. A liturgia de São Basílio, que é das igrejas siríacas. 5. A liturgia armenia, composta neste idioma e usada pelos Armênios. 6. A liturgia dos Nestorianos, que consta de três variantes e é seguida pelas igrejas nestorianas da Ásia Menor. 7. A liturgia dos Maronitas, escrita em siríaco e observada no Líbano, pelo povo deste mesmo nome.

Liturgias ocidentais. - As principais são: 1. A liturgia romana, que é da Igreja de Roma desde a fundação. A tradição nos dá como autor São Pedro. As cópias mais antigas encontram-se nos Sacramentários de São Gelásio (século V) e de São Gregório Magno (século VI). Este último papa introduziu nela bastantes modificações; por isso, a liturgia romana é dita também liturgia gregoriana. Em execução de um decreto do Concílio de Trento, o papa São Pio V publicou uma edição nova da mesma, e tornou-se obrigatória para o Ocidente todo (1570), apenas tolerando as liturgias em vigor desde mais de duzentos anos, isto é, a ambrosiana e a mosarabe. 2. A liturgia ambrosiana ou de Milão, composta por Santo Ambrósio e seguida, ainda hoje, na Igreja de Milão. 3. A liturgia mosarabe, composta nos séculos VI e VII, por São Leandro e Santo Isidoro, substituída pela liturgia romana, e usada atualmente, só em algumas igrejas de Toledo. 4. A liturgia galicana, mais parecida com as liturgias orientais, sem dúvida porque eram orientais os primeiros bispos que pregaram o Evangelho na Gália. Para os meados do século XIX, foi completamente abandonada.

III. Livros litúrgicos

Os principais livros litúrgicos em que se encontram as preces e cerimônias concernentes ao culto público são: o missal, o breviário, o ritual, o pontifical, o cerimonial dos Bispos e o martirológio.

Missal. - É o livro que encerra todas as orações da Missa. Nas origens, era chamado "sacramentário", quer dizer, livro que contém as orações do sacramento por excelência, que é a Eucaristia. Todavia, os sacramentários, cujos autores principais foram os dois papas São Gelásio e Gregório Magno, traziam o Canon, as orações, os prefácios e nada mais, ou por outra, davam a parte que o sacerdote tinha de rezar, ou cantar, celebrando. O resto, evangelho, epístolas, lições - a ser recitado pelos diáconos, subdiáconos e leitores, - ficava separado em outros tantos livros especiais que vinham a ser o evangeliário, ou o livro dos Evangelhos, o epistolário e o lecionário.
Para o século IX, organizaram-se missais que reunissem estes dois elementos. Estes novos livros eram chamados plenários. Já se tornavam indispensáveis para as paróquias menos importantes, em que não havia ministros inferiores, e por causa do uso adotado, nessa época, de dizer missas rezadas.

Breviário. - É o livro que contém o ofício divino a ser rezado, ou cantado, por quem recebeu as ordens sacras, ou goza de algum benefício eclesiástico.

Ritual. - Este livro prescreve os ritos para a administração dos Sacramentos, para as bênçãos, e mais algumas funções, como a ordem na procissão, nas exéquias etc.

Pontifical. - Encontram-se neste, os ritos das funções peculiares aos Bispos, como sejam: a consagração dos santos óleos, das igrejas, dos altares, dos vasos sagrados, e a administração dos sacramentos de Confirmação e Ordem.

Cerimonial dos Bispos. - Este livro indica as cerimônias próprias de igrejas, catedrais ou colegiais. A maior parte destas cerimônias dizem respeito ao bispo, ou, quando menos, exigem que esteja presente.

Martirológio (de dois vocábulos gregos: marturon mártires, logos louvor). - Tem este nome, porque, primitivamente, inscreviam-se nele só os mártires. Hoje, traz menção e louvor de todos os santos que a Igreja comemora cada dia.
Além destes seis livros litúrgicos que acabamos de enumerar, especialmente destinados ao clero, existem, para os fiéis em geral, compêndios denominados eucológio, livros de horas, ou paroquiais, encerrando as orações da missa e os principais ofícios. Para os cantores, há também dois outros livros: o gradual, coletânea dos cantos da Missa, e o antifonário, que traz os demais ofícios.

IV. Língua litúrgica

1° Nos PRINCÍPIOS, a língua da liturgia foi a dos povos a quem se pregava o Evangelho.
É tido como certo que os Apóstolos, para a celebração dos santos mistérios, usavam o caldáico ou siríaco na cidade de Jerusalém, o grego em Antioquia, em Alexandria e mais cidades de língua grega. No Ocidente, na África, na Espanha, na Inglaterra, na Gália, encontramos unicamente liturgias latinas, fato muito natural, desde que essas regiões todas tinham sido conquistadas pelos romanos, e a língua dos vencedores fora imposta aos vencidos.
2° ATUALMENTE, ficou sendo o latim língua litúrgica de todos os países do Ocidente, embora não se use mais em nenhum lugar este idioma. Apenas foi conservada uma ou outra fórmula em grego (Kyrie eleison), e em hebraico (hosana, alleluia, sabaoth), para simbolizar a unidade da Igreja formada de Judeus no começo, de Gregos depois, e mais tarde, de Romanos.
A Igreja guardou o latim como língua litúrgica pelos seguintes motivos: a) para que houvesse uma língua única, servindo de liame entre as diversas Igrejas do mundo; b) para evitar os erros que tantas versões do latim nas línguas vivas, em contínuo evoluir, houvessem acarretado, sendo que os vocábulos destas nem sempre têm devida precisão ou justeza. Certo é para lastimar o não entenderem, os fiéis, o latim que se usa na celebração do culto divino. Mas o remédio está nas traduções dos ofícios em língua vulgar para os assistentes e nas explicações dadas pelos vigários.

V. Canto litúrgico

1° Nos PRINCÍPIOS, costumavam cantar os salmos nas assembleias do fiéis. Havia, até, cantos improvisados, mesmo naquela hora, por influência de alguma inspiração especial do Espírito Santo, como se vê pelos testemunhos do Apóstolo São Paulo, na sua primeira Epístola aos Coríntios (I Co 14, 26). Porém, esta liberdade deixada então aos cristãos foi degenerando aos poucos e provocando desmandos. O papa São Gelásio teve que intervir, no século V, afim de pôr cobro aos abusos. No século VI, o papa São Gregório deu, ao canto da Igreja, constituição definitiva. Chamaram-lhe por isso canto gregoriano ou canto chão (canto plano, unido), porque se executava em tom grave, banindo as modulações teatrais. Tornou-se canto litúrgico da Igreja.
2° ATUALMENTE, o canto gregoriano permanece regra da Igreja. No começo deste século, 22 de novembro de 1903, o papa Pio X, no seu "Motu proprio", pede que voltem ao canto gregoriano os que, porventura, se tivessem afastado dele. Entretanto, não proscreve a polifonia clássica, muito menos a da escola de Palestrina tão chegada ao canto gregoriano.
No mesmo "Motu proprio" vem a proibição de cantar, seja o que for, em língua vulgar nas funções solenes da liturgia, nas partes próprias ou comuns da Missa e do Ofício. Dentre os instrumentos que podem acompanhar o canto, é preciso que seja, o órgão, o principal. "Não é permitido piano, tambor, caixa, pratos, campainhas, nem outros deste jaez. É rigorosamente proibido tocar, a banda, na igreja." O Bispo sempre pode autorizar as bandas paras as procissões que se realizam fora do templo.

Conclusão prática
1. Agradeçamos a santa Madre Igreja que fez todo o possível para afervorar a nossa piedade e orientar, para Deus, as nossas almas. 2. Demos, a ela, o nosso tributo de admiração e louvor, por ter escolhido elementos tão adequados para a santificação da vida, como para honrar a Deus. Cada artigo é símbolo precioso, repleto de significação instrutiva. Por exemplo, a água, matéria do Batismo, representa a purificação da alma; o óleo, de natureza untuosa e gordurenta, lembra a cura das nossas chagas espirituais e a efusão do Espírito Santo em nossos corações. E a cruz, que se ostenta e domina por toda a parte, nos edifícios, nos objetos e nas cerimônias! aí aparece, para que sempre recordemos que por ela seremos salvos, por ela se efetuou a nossa Redenção e por ela honramos a Deus Pai na imagem de seu Filho crucificado. Sejamos dóceis a tão piedoso ensino.
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Obs.: Quando este livro foi escrito havia somente um rito latino. Hoje existem dois e o rito novo, mais comum para nós, permite o uso de língua vulgar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Dança e música na liturgia

Vídeo antiguinho do Cardeal Arinze comentando a dança e a música secular na liturgia.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Oração pela vida nascente

Senhor Jesus,
que fielmente visitais e cumulais
com a vossa Presença
a Igreja e a história dos homens;
que no admirável Sacramento
do vosso Corpo e do vosso Sangue
nos tornais partícipes da Vida divina
e nos fazeis antegozar
a alegria da Vida eterna;
nós vos adoramos e vos bendizemos.

Prostrados diante de Vós,
nascente e amante da vida
realmente presente e vivo no meio de nós, suplicamo-vos.

Voltai a despertar em nós o respeito por cada vida humana nascente,
tornai-nos capazes de entrever
no fruto do ventre materno
a obra admirável do Criador,
disponde os nossos corações
ao acolhimento generoso de cada criança que está para nascer.

Abençoai as famílias,
santificai a união dos esposos,
tornai fecundo o seu amor.

Acompanhai com a luz
do vosso Espírito as opções
das assembleias legislativas,
para que os povos e as nações reconheçam e respeitem
a sacralidade da vida,
de cada vida humana.

Orientai a obra
dos cientistas e dos médicos,
a fim de que o progresso contribua para o bem integral da pessoa
e ninguém venha sofrer
supressão e injustiça.

Infundi caridade criativa
nos administradores
e nos economistas,
para que saibam intuir e promover condições suficientes
a fim de que as jovens famílias possam abrir-se serenamente
ao nascimento de novos filhos.

Consolai os cônjuges que sofrem por causa da impossibilidade 
de ter filhos e, na vossa bondade, sede providente para com eles.

Educai todos a cuidar das crianças órfãs ou abandonadas,
para que elas possam experimentar o calor da vossa Caridade,
a consolação
do vosso Coração divino.

Com Maria vossa Mãe,
a grande crente, em cujo seio assumistes a nossa natureza humana,
esperamos de Vós, nosso único
e verdadeiro Bem e Salvador,
a força de amar e servir a vida,
à espera de viver sempre em Vós
na Comunhão
da Bem-Aventurada Trindade.

Papa Bento XVI, 27 de Novembro de 2010