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domingo, 18 de setembro de 2011

Confissão Comunitária

Excelente vídeo do Padre Paulo Ricardo acerca da confissão comunitária. Logo abaixo, os cânones do Código de Direito Canônico relativos ao Sacramento da Penitência. Outros vídeos do Padre Paulo estão disponíveis em Christo Nihil Praeponere.



TÍTULO IV

DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

Cân. 959   No sacramento da penitência, os fiéis que confessam seus pecados ao ministro legítimo, arrependidos e com o propósito de se emendarem, alcançam de Deus, mediante a absolvição dada pelo ministro, o perdão dos pecados cometidos após o batismo, e ao mesmo tempo se reconciliam com a Igreja, à qual ofenderam pelo pecado.

Capítulo I

DA CELEBRAÇÃO DO SACRAMENTO

Cân. 960   A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário, com o qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja; somente a impossibilidade física ou moral escusa de tal confissão; neste caso, pode haver a reconciliação também por outros modos.

Cân. 961  § 1. Não se pode dar a absolvição ao mesmo tempo a vários penitentes sem prévia confissão individual, a não se que:

    1º - haja iminente perigo de morte e não haja tempo para que o sacerdote ou sacerdotes ouçam a confissão de cada um dos penitentes;
     2º - haja grave necessidade, isto é, quando por causa do número de penitentes, não há número suficiente de confessores para ouvirem as confissões de cada um, dentro de um espaço de tempo razoável, de tal modo que os penitentes, sem culpa própria, seriam forçados a ficar muito tempo sem a graça sacramental ou sem a sagrada comunhão; essa necessidade, porém, não se considera suficiente, quando não é possível ter os confessores necessários só pelo fato de grande concurso de penitentes, como pode acontecer numa grande festividade ou peregrinação.

§ 2. Julgar sobre a existência das condições requeridas no § 1, n.2, compete ao Bispo Diocesano que, levando em conta os critérios concordados com os outros membros da Conferência dos Bispos, pode determinar os casos de tal necessidade.

Cân. 962  § 1. Para que um fiel possa receber validamente a absolvição dada simultaneamente a muitos, requer-se não só que esteja devidamente disposto, mas que ao mesmo tempo se proponha a confessar individualmente, no tempo devido, os pecados graves que no momento não pode assim confessar.

§ 2. Os fiéis, enquanto possível, também no momento de receber a absolvição geral, sejam instruídos sobre os requisitos do § 1; à absolvição geral, mesmo em caso de perigo de morte, se houver tempo, preceda uma exortação para que cada um cuide de fazer o ato de contrição.

Cân. 963   Salva a obrigação mencionada no cân. 989, aquele a quem são perdoados pecados graves mediante absolvição geral, ao surgir oportunidade, procure quanto antes, a confissão individual, antes de receber outra absolvição geral, a não ser que se interponha justa causa.

Cân. 964  § 1. O lugar próprio para ouvir confissões é a igreja ou oratório.

§ 2. Quanto ao confessionário, estabeleçam-se normas pela Conferência dos Bispos, cuidando-se porém, que haja sempre em lugar visível confessionários com grades fixas entre o penitente e o confessor, dos quais possam usar livremente os fiéis que o desejarem.

§ 3. Não se ouçam confissões foram do confessionário, a não ser por justa causa.


Capítulo II

DO MINISTRO DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

Cân. 965   Ministro do sacramento da penitência é somente o sacerdote.

Cân. 966  § 1. Para a válida absolvição dos pecados se requer que o ministro, além do poder de ordem, tenha a faculdade de exercer esse poder em favor dos fiéis aos quais dá absolvição.

§ 2. Essa faculdade pode ser dada ao sacerdote pelo próprio direito ou por concessão da autoridade competente, de acordo com o cân. 969.

Cân. 967  § 1. Além do Romano Pontífice, pelo próprio direito, os Cardeais têm a faculdade de ouvir confissões em todo o mundo, como também os Bispos que dela usam licitamente, em qualquer parte, a não ser que em algum caso particular o Bispo diocesano num caso particular se tenha oposto.

§ 2. Aqueles que têm faculdade de ouvir confissões habitualmente, em virtude de seu ofício ou por concessão do Ordinário do lugar de incardinação ou do lugar onde têm domicílio, podem exercer essa faculdade em toda a parte, a não ser que o Ordinário local se oponha em algum caso particular, salvo as prescrições do cân. 974, §§ 2 e 3.

§ 3. Pelo próprio direito, gozam também dessa faculdade em favor dos membros e de outros que vivem dia e noite na casa do instituto ou da sociedade aqueles que têm faculdade de ouvir confissões em virtude de ofício ou de concessão do Superior competente, de acordo com os cânones 968 § 2 e 969 § 2; eles também a usam licitamente, a não ser que algum Superior maior se oponha, em algum caso particular, no que se refere aos próprios súditos se tenha oposto, num caso particular.

Cân. 968  § 1. Em virtude de seu ofício, dentro de sua jurisdição, têm faculdade de ouvir confissões o Ordinário local, o cônego penitenciário, o pároco e outros que estão em lugar do pároco.

§ 2. Em virtude de seu ofício, têm faculdade de ouvir confissões dos súditos e de outros que vivem dia e noite na casa os Superiores de instituto religioso ou de sociedade de vida apostólica, se forem clericais de direito pontifício, que tiverem, de acordo com as constituições, poder executivo de regime, salva a prescrição do cân. 630, § 4.

Cân. 969  § 1. Só o Ordinário local é competente para dar a quaisquer presbíteros a faculdade para ouvirem confissões de todos os fiéis; todavia, os presbíteros de institutos religiosos não a usem sem a licença, ao menos presumida, de seu Superior.

§ 2. O Superior de instituto religioso ou de sociedade de vida apostólica, mencionado no cân. 968, § 2, tem a competência para conceder a quaisquer presbíteros a faculdade de ouvir confissões de seus súditos e de outros que vivem dia e noite na casa.

Cân. 970 Não se conceda a faculdade de ouvir confissões, a não ser a presbíteros que tenham sido julgados idôneos por meio de exame, ou cuja idoneidade conste por outra forma.

Cân. 971 O Ordinário local não conceda a faculdade de ouvir confissões de forma habitual a um presbítero, mesmo que tenha domicílio ou quase-domicílio em sua jurisdição, sem antes ouvir, enquanto possível, o Ordinário desse presbítero.

Cân. 972 A faculdade para ouvir confissões pode ser concedida pela autoridade competente mencionada no cân. 969, por tempo indeterminado ou determinado.

Cân. 973 A faculdade para ouvir confissões de modo habitual seja concedida por escrito.

Cân. 974 § 1. O Ordinário local e o Superior competente não revoguem a faculdade concedida de ouvir habitualmente confissões, a não se por causa grave.

§ 2. Revogada a faculdade de ouvir confissões pelo Ordinário local que a concedeu, mencionado no cân. 967, § 2, o presbítero perde essa faculdade em toda a parte; revogada a faculdade por outro Ordinário local, só a perde no território daquele que a revogou.

§ 3. Qualquer Ordinário local que tenha revogado a faculdade de ouvir confissões concedida a algum presbítero informe dessa revogação ao Ordinário próprio do presbítero por razão de incardinação ou a seu Superior competente se se trata de membro de instituto religioso.

§ 4. Revogada a faculdade de ouvir confissões pelo Superior maior próprio, o presbítero perde em toda a parte a faculdade de ouvir confissões dos membros do instituto; revogada, porém, a faculdade por outro Superior competente, só a perde com relação aos súditos da jurisdição deste.

Cân. 975 A faculdade mencionada no cân. 967, § 2, cessa, não só pela revogação, mas também pela perda do ofício, pela excardinação ou pela perda do domicílio.

Cân. 976 Qualquer sacerdote, mesmo que não tenha faculdade de ouvir confissões, absolve válida e licitamente de qualquer censura e de qualquer pecado qualquer penitente em perigo de morte, mesmo que esteja presente um sacerdote aprovado.

Cân. 977 Exceto em perigo de morte, é inválida a absolvição do cúmplice em pecado contra o sexto mandamento do Decálogo.

Cân. 978 § 1. Lembre-se o sacerdote que, ao ouvir confissões, desempenha simultaneamente o papel de juiz e de médico, e que foi constituído por Deus como ministro da justiça divina e, ao mesmo tempo, de sua misericórdia, para procurar a honra divina e a salvação das almas.

§ 2. O confessor, como ministro da Igreja, ao administrar o sacramento, atenha-se fielmente à doutrina do magistério e às normas dadas pela autoridade competente.

Cân. 979 O sacerdote, ao fazer perguntas, proceda com prudência e discrição, atendendo à condição e idade do penitente, e abstenha-se de perguntar o nome do cúmplice.

Cân. 980 Se ao confessor não resta dúvida a respeito das disposições do penitente, e este pede a absolvição, a absolvição não seja negada nem diferida.

Cân. 981 De acordo com a gravidade e número dos pecados, levando em conta, porém, a condição do penitente, o confessor imponha salutares e convenientes satisfações, que o penitente em pessoa tem obrigação de cumprir.

Cân. 982 Quem confessa ter denunciado falsamente à autoridade eclesiástica um confessor inocente a respeito de crime de solicitação para pecado contra o sexto mandamento do Decálogo não seja absolvido sem antes ter retratado formalmente a falsa denúncia e sem que esteja disposto a reparar os danos, se houver.

Cân. 983 § 1. O sigilo sacramental é inviolável; por isso é absolutamente ilícito ao confessor de alguma forma trair o penitente, por palavras ou de qualquer outro modo e por qualquer que seja a causa.

§ 2. Têm obrigação de guardar segredo também o intérprete, se houver, e todos aqueles a quem, por qualquer motivo, tenha chegado o conhecimento de pecados através da confissão.

Cân. 984 § 1. É absolutamente proibido ao confessor o uso, com gravame do penitente, de conhecimento adquirido por meio da confissão, mesmo sem perigo algum de revelação do sigilo.

§ 2. Quem é constituído em autoridade não pode usar de modo algum, para o governo externo, de informação sobre pecados que tenha obtido em confissão ouvida em qualquer tempo.

Cân. 985 O mestre de noviços e seu sócio, o reitor do seminário ou de outro instituto de educação não ouçam confissões sacramentais dos alunos que residem na mesma casa, a não ser que eles, em casos particulares, o solicitem espontaneamente.

Cân. 986 § 1. Todos aqueles que, em razão de encargo, têm cura de almas, são obrigados a providenciar que sejam ouvidas as confissões dos fiéis que lhes estão confiados e que o peçam razoavelmente, como também que se dê a eles oportunidade de se confessarem individualmente em dias e horas marcadas para sua conveniência.

§ 2. Em caso de urgente necessidade, qualquer confessor tem a obrigação de ouvir as confissões dos fiéis, e, em perigo de morte, qualquer sacerdote.

Capítulo III

DO PENITENTE

Cân. 987 Para obter o remédio salutar do sacramento da penitência, o fiel deve estar de tal modo disposto que, repudiando os pecados cometidos e tendo o propósito de se emendar, se converta a Deus.

Cân. 988 § 1. O fiel tem a obrigação de confessar, quanto à espécie e ao número, todos os pecados graves de que tiver consciência após diligente exame, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelas chaves da Igreja, nem acusados em confissão individual.

§ 2. Recomenda-se aos fiéis que confessem também os pecados veniais.

Cân. 989 Todo fiel, depois de te chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar fielmente seus pecados graves, pelo menos uma vez por ano.

Cân. 990 Ninguém é proibido de se confessar por meio de intérprete, evitando-se abuso e escândalos, e salva a prescrição do cân. 983, § 2.

Cân. 991 Todo fiel é livre de se confessar ao confessor legitimamente aprovado, que preferir, mesmo de outro rito.

Capítulo IV

DAS INDULGÊNCIAS

Cân. 992 Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos.

Cân. 993 A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados.

Cân. 994 Qualquer fiel pode lucrar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá- las aos defuntos como sufrágio.

Cân. 995 § 1. Além da autoridade suprema da Igreja, só podem conceder indulgências aqueles a quem esse poder é reconhecido pelo direito ou concedido pelo Romano Pontífice.

§ 2. Nenhuma autoridade inferior ao Romano Pontífice pode conferir a outros o poder de conceder indulgências, a não ser que isso lhe tenha sido expressamente concedido pela Sé Apostólica.

Cân. 996 § 1. Para que alguém seja capaz de lucrar indulgências, deve ser batizado, não estar excomungado e encontrar-se em estado de graça, pelo menos no fim das obras prescritas.

§ 2. Para que a pessoa capaz lucre de fato as indulgências, deve ter pelo menos a intenção de as adquirir, e deve cumprir os atos prescritos no tempo estabelecido e no modo devido, segundo o teor da concessão.

Cân. 997 Quanto à concessão e uso das indulgências, observem-se ainda as outras prescrições contidas em leis especiais da Igreja.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Anticoncepcionais podem ser abortivos?

Interessantíssimo vídeo do Padre Paulo Ricardo acerca dos efeitos abortivos da pílula anticoncepcional.
Vale a pena conferir.


Veja mais vídeos do Padre Paulo em Christo Nihil Praeponere.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O espetáculo da criação




“Uma coisa pode ser muito triste para ser crível ou muito má para ser crível ou muito boa para ser crível; mas ela não pode ser tão absurda para ser crível, neste planeta de sapos e elefantes, de crocodilos e peixes-espada”. Belíssima esta frase do filósofo inglês G.K. Chesterton. Só é possível compreender o espetáculo da criação se houver, inicialmente, algum espanto. A contemplação é a forma mais perfeita da dúvida.

“A árvore da vida”, filme de Terrence Malick, só poderá ser compreendido se for contemplado. É uma obra sobre o espetáculo das coisas criadas, que parte das imagens do mundo para atender às dúvidas de seus personagens. É possível acreditar que existe sentido para todas as coisas, até para o mais doloroso dos sofrimentos, neste planeta onde existem crocodilos e peixes-espada; ou onde já existiram criaturas tão absurdas como os dinossauros, conforme o filme revela em cenas de uma admirável liberdade artística, que só um cineasta muito consciente da necessidade do espanto poderia conceber. Curiosamente, no filme “Além da linha vermelha” (1998), a primeira imagem que Malick revela é a de um crocodilo em submersão. Assim como a filosofia de encantamento de Chesterton, o cinema de Malick se deixa espantar pelas criações do mundo natural.

Na abertura de “A árvore da vida”, em letreiros, o filme cita o personagem bíblico Jó, aquele que perguntava onde está Deus no mundo que permite o sofrimento; porém, aquele sofredor também é indagado sobre onde ele estava quando as lágrimas da criação fundaram a terra. O mundo e o destino não são propriedades criadas pelos indivíduos. Partindo daquela epígrafe, o filme conta a história de uma família americana na década de 1950, onde o pai, vivido por Brad Pitt, é capaz de ferir e de ser ferido pela crença de que o mundo pode ser inteiramente controlado pela vontade humana e que a única ascensão existencial é aquela causada pelas obstinações dos self-made-men. Porém, do mesmo modo que Jó não criou o mundo, nenhum homem pode almejar toda a autoria pelo destino e aquele pai de família só terá o esclarecimento que acalma o espírito depois de sofrer.

Apesar dos lamentos que se tornam oração nas vozes em off de vários personagens, “A árvore da vida” é um filme pontuado por longos instantes de felicidade, afinal a formação dos homens é uma graça. O cotidiano familiar é captado por uma espécie de câmera transcendente, que costuma se deslocar pelo quadro em busca de um personagem até então escondido, ou de uma ação que renova o sentido da cena.

Na formação das crianças, todos os sentimentos juvenis que, para o bem e para o mal, carregamos por nossas vidas adultas, estão presentes no filme. A câmera de Malick se movimenta para descobrir nossos primeiros contatos com a tristeza, a rebeldia e o arrependimento. Mas o fato é que “A árvore da vida” não se encerra como uma simplória lição de moral.

A dor humana continua pelas gerações e, no futuro, será o filho daquele pai americano que terá o espírito tensionado pelas dúvidas existenciais. Este filho, na vida adulta interpretado por Sean Penn, caminha amargurado por entre prédios modernos e paisagens desérticas, onde ouvimos sua voz em off se questionar sobre o sentido do sofrimento. O deserto é o mesmo em todos aqueles lugares, mas mesmo na aridez geográfica ou de uma grande corporação, é possível o encontro do homem consigo mesmo. O deserto também é o lugar onde o Filho do Homem se isolava para rezar e também onde as dúvidas se tornam oração. O "por que me abandonaste" é mais religação do que lamento.

“A árvore da vida” evoca explicitamente o fator religioso, num grau de realismo aristotélico e escolástico diferente das filosofias modernas, que racionalizam o mundo como objeto do pensamento. Malick, que já foi professor de filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), faz um filme filosoficamente apaixonado pela descoberta do mundo - não como uma ideia criada pelo nosso subjetivismo, mas como um espetáculo da alteridade. Cinematograficamente, é uma opção delicada, sendo esta a única e pequena ressalva que, particularmente, faço ao filme. Por vezes, a paixão filosófica de Malick pelo mundo criado sobrecarrega o filme de autoimportância. Cineastas católicos como John Ford, Eric Rohmer e Manoel de Oliveira demonstram com lucidez a beleza do mundo criado, sem que os filmes ressaltem junto ao público que Deus existe e que a humanidade é bela.

De qualquer forma, a insistência filosófica de Malick pode se justificar pelo modo como o filme pede a participação do público. No caso de “A árvore da vida”, ter dúvidas sobre os significados do filme faz parte da mesma curiosidade filosófica que instiga as perguntas sobre o sentido da morte e do sofrimento. A reclamação do público que não compreende “A árvore da vida” é como o caminhar no deserto do homem em crise vivido por Sean Penn. Se em algum momento da modernidade trocamos a complexidade do encantamento pelas coisas prontas do pragmatismo, qualquer coisa que peça a generosidade do olhar nos deixará aborrecidos e confusos. É um estado crítico de vida onde, como diria o cientista francês Blase Pascal, se nos retirassem as diversões, estaríamos a “secar de tédio”, porque acostumados com barulhos e evasões, já não sabemos como nos contemplar. Porém, para quem quiser ver de verdade, o filme de Malick é uma resposta espetacular ao estado aborrecido do mundo.