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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Igreja e Maçonaria - II

Constituição “Providas” de Bento XIV, 1751

Bento, Bispo, servo dos servos de Deus.

Razões justas e graves obrigam-nos a confirmar e munir da força de nossa autoridade as sábias leis e sanções dos pontífices romanos, nossos predecessores, não somente as que receamos sejam pelo tempo destruídas ou enfraquecidas, mas ainda aquelas que se acham em pleno vigor, e em toda a sua força.

Clemente XII, nosso antecessor, de clara memória, em suas Letras Apostólicas In Iminenti, datada aos 28 de Abril de 1738, condenou e proibiu para sempre, debaixo de pena de excomunhão, certas sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos, denominados vulgarmente de franco-maçons, que então se propagavam em alguns países, crescendo de dia para dia.

Mas chegou à nossa notícia que não trepidam alguns em assegurar e divulgar que a pena de excomunhão fulminada pelo nosso antecessor cessou, porque não foi confirmada a supracitada Constituição, como se fosse exigida a confirmação do Papa sucessor, para que continuassem a subsistir as Constituições apostólicas do Papa predecessor. Por isso nos insinuaram homens piedosos e tementes a Deus que, para cortarmos todos os subterfúgios dos caluniadores, e declararmos a conformidade de nossa intenção com a vontade de nosso predecessor, vinha muito a propósito ajuntar a nossa confirmação às suas mencionadas letras.

Quando concedemos benigno – o que se deu principalmente no ano do jubileu, e algumas vezes antes – a absolvição da excomunhão a vários fiéis arrependidos de terem violado as leis da referida Constituição, prometendo abandonar de todo em todo tais sociedades ou conventículos condenados; quando comunicamos aos penitenciários nossos delegados a faculdade de dar em nosso nome e autoridade a mesma absolvição aos penitentes que a eles recorriam contritos; quando exortamos com solicitude e vigilância os juízes e tribunais competentes a procederem contra os violadores da mesma Constituição conforme a gravidade do delito; em todas essas ocasiões apresentamos argumentos, não só plausíveis, evidentes e indubitáveis, dos quais devia deduzir-se a nossa firme e deliberada vontade em relação à força e ao vigor da censura lançada por nosso antecessor Clemente XII.

Contudo, para que se não possa dizer que imprudente omitimos alguma coisa do que pode barrar a boca à mentira e à calúnia, resolvemos confirmar, como de fato confirmamos pelas presentes Letras, a Constituição acima referida, corroborando-a, renovando-a com toda a plenitude de nosso poder apostólico em tudo e sem reserva, como se fosse publicada por nós mesmo, por nossa própria autoridade, em nosso nome, e queremos e mandamos que tenham força e eficácia para sempre.

Finalmente, entre as causas mais graves das supraditas proibições e condenações enunciadas na Constituição acima inserida,

— a primeira é: que nas tais sociedades e assembléias secretas, estão filiados indistintamente homens de todos os credos; daí ser evidente a resultante de um grande perigo para a pureza da religião católica;

— a segunda é: a obrigação estrita do segredo indevassável, pelo qual se oculta tudo que se passa nas assembléias secretas, às quais com razão se pode aplicar o provérbio (do qual se serviu Caecilius Natalis, em cara de caráter diverso, contra Minúcius Félix): “As coisas honestas gozam da publicidade; as criminosas, do segredo”;

— a terceira é: o juramento pelo qual se comprometem a guardar inviolável segredo, como se fosse permitido a qualquer um apoiar-se numa promessa ou juramento com o fito de furtar-se a prestar declarações ao legítimo poder, que investiga se em tais assembléias secretas não se maquina algo contra o Estado, contra a Religião e contra as Leis;

— a quarta é: que tais sociedades são reconhecidamente contrárias às sanções civis e canônicas; o direito civil proíbe ajuntamentos e sodalícios, como se pode conferir no XLVII livro de Pandectas, tit. 22 de Collegüs et Corporibus illicitis e na célebre carta de Plinius Caecilius II, que é a XCVII, livro 10, na qual diz ser proibida pelo Imperador a existência de “Hetérias”: isto é, sociedade alguma ou reunião podia existir e constituir-se sem a devida autorização do príncipe;

— a quinta é: que em muitos países as ditas sociedades e agregações foram proscritas e eliminadas por leis de príncipes seculares;

—a última enfim é: que as tais sociedades e agregações são reprovadas por homens prudentes e honestos e, no pensar deles, quem que se inscreva nelas merece o ferrete da depravação e perversidade.

Enfim, nosso predecessor, na Constituição acima inserida, conclama os Bispos e Superiores Prelados e outros Ordinários dos lugares, a que não deixem de solicitar o poder secular, se necessário, para a execução da mesma.

Tudo isso não só aprovamos e confirmamos e respectivamente recomendamos e ordenamos aos superiores eclesiásticos, mas também nós mesmo, por dever de solicitude apostólica, pelas presentes Letras, requeremos um esforço conjunto, e invocamos o auxílio e forças do poder secular, para a execução das mesmas.

E uma vez que os príncipes soberanos e os poderes são designados por Deus, são defensores da fé e protetores da Igreja, por obrigação devem empenhar-se com toda a sorte de boas razões que sejam observadas à risca as Constituições Apostólicas. É o que lhes lembraram os padres do Santo Concílio de Trento, na 25 sessão, cap. 20 e já mui anteriormente havia esplendidamente declarado o Imperador Carlos Magno, que, após ter recomendado a todos os seus súditos a observância das leis eclesiásticas, acrescentou: “De modo algum podemos reconhecer por fiéis os súditos infiéis a Deus e desobedientes aos seus sacerdotes”. E por isso ordenou a todos os chefes e oficiais de seu Império que obrigassem a todos os súditos à observância e obediência das leis da Igreja, sancionando penas muito severas aos infratores. Entre outras, disse: “Aqueles que forem reconhecidamente (o que Deus não o permita) negligentes ou desobedientes neste ponto, saibam que não podem ocupar lugar algum em nosso Império, sejam embora nossos filhos, nem viver no palácio, e menos ainda ter qualquer sociedade ou comunicação, nem conosco, nem com os nossos, mas sofrerão as penas de fome, sede e prisão.”

Queremos que a transcrição das presentes letras, igualmente as impressas, seja subscrita por notário público e munida com o sigilo de pessoa revestida de dignidade eclesiástica e mereça assim a mesma fé que o original, caso for exibida.

A ninguém, pois, seja lícito infringir esta página de nossa confirmação, inovação, aprovação, requisição, decreto e vontade ou temerariamente contrariar. Caso alguém o presumir, saiba que incorrerá na ira de Deus Onipotente e de seus bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo.

Dado em Roma, em Santa Maria Maior, aos 18 de Maio do ano da Encarnação, 1751, 2’’ de nosso pontificado.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Igreja e Maçonaria - I


Constituição “In Eminenti”, de Clemente XII, 1738.

Clemente, Bispo, servo dos servos de Deus, a todos os fiéis de Jesus Cristo, saúde e Bênção Apostólica.

Elevado ao trono pontifício pela Divina Providência, temos levado todos os sentidos, e com todo o zelo de nossa solicitude, sobre o que pode, cerrando a porta aos erros e aos vícios, servir para conservar a integridade da religião ortodoxa, e banir do mundo católico o perigo das perturbações, nestes dificílimos tempos que atravessamos. 

Sabemos que por aí se desenvolvem, progredindo cada dia, certas sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos, que se chamam vulgarmente de franco-maçons – ou que têm outra denominação, segundo a variedade das línguas- nas quais se ligam homens de todas as religiões e seitas, sob aparência de honestidade natural, por um pacto estreito e impenetrável, conforme leis e estatutos por eles criados, obrigando-se debaixo de juramento e sob penas graves a ocultar por um silêncio inviolável tudo o que praticam nas sombras do segredo.

Mas, como é da natureza do crime trair a si mesmo, deixando escapar vozes que descubram e denunciam, as sociedades, ou conventículos supracitados, geraram no espírito dos fiéis suspeitas tão sérias, que quem faz parte delas fica, aos olhos das pessoas de probidade e de prudência, marcado com o ferrete da malícia e perversidade. E estas suspeitas cresceram em tanta maneira que, em vários Estados, as ditas sociedades foram proscritas e banidas, como elemento perigoso à segurança dos reinos.

Eis que por nós, ponderando os grandes males, que por via de regra resultam dessas espécies de sociedades e conventículos, não somente para a tranqüilidade dos Estados temporais, mas ainda para a salvação das almas, pois de maneira alguma podem harmonizar-se com as leis civis e canônicas; considerando o nosso dever de velar dia e noite, como servo prudente e fiel, para que esse gênero de homens não forcem a casa, como ladrões, ou, quais raposas, não estraguem a vinha do Senhor, pervertendo os corações simples, e varando-os com seus dardos envenenados; para obstruirmos a larga estrada, por onde poderiam advir-nos muitas iniqüidades cometidas impunemente, e por outras causas justas e razoáveis por nós conhecidas, de conformidade com o parecer dos nossos Veneráveis Irmãos, os Cardeais da Santa Igreja Romana, com conhecimento certo, e depois de madura deliberação de nosso pleno poder apostólico, resolvemos e decretamos condenar e proibir as mencionadas sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos de franco-maçons, como de fato os condenamos e proibimos por esta nossa Constituição válida para sempre.

Proibimos, portanto, seriamente e em nome da Santa Obediência a todos e a cada um dos fiéis de Cristo, de qualquer estado, posição, condição, classe, dignidade e preeminência que sejam; leigos ou clérigos, seculares ou regulares ousar ou presumir entrar por qualquer pretexto, debaixo de qualquer cor, nas sociedades de franco-maçons, propagá-las, sustentá-las, recebê-las em suas casas, ou dar-lhes abrigo e ocultá-las alhures, ser nelas inscrito ou agregado, assistir às suas reuniões, ou proporcionar-lhes meios para se reunirem, fornecer-lhes o que quer que seja, dar-lhes conselho, socorro ou favor às claras ou em secreto, direta ou indiretamente, por si ou por intermédio de outro, de qualquer maneira que a coisa se faça, como também exortar a outros, provocá-los, animá-los a se instruírem nessas sortes de sociedade, a se fazerem membros seus, a auxiliarem-nas, ou protegerem-nas de qualquer modo. E ordenamos-lhes absolutamente que se abstenham por completo dessas sociedades, assembléias, reuniões, corrilhos ou conventículos, e isto debaixo de pena de excomunhão, na qual se incorre pelo fato e sem outra declaração, e da qual ninguém pode ser absolvido senão por nós, ou pelo Pontífice Romano reinante, exceto em artigo de morte.

Dada em Roma, em Santa Maria Maior, aos 28 de Abril do ano da Encarnação de Nosso Senhor 1738, e 8* de nosso pontificado.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Jejum e abstinência


Jejum sem oração é dieta!


§ 5o - Do quarto preceito da Igreja

493) Que nos manda o quarto preceito da Igreja com as palavras jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Igreja?

O quarto preceito da Igreja: jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Igreja, manda-nos que jejuemos e nos abstenhamos de carne na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa; e que nos abstenhamos de carne em todas as sextas-feiras do ano. Esta abstinência pode ser comutada por outra obra pia, a juízo do Bispo Diocesano.

494) Em que consiste o jejum?

O jejum consiste em tomar uma só refeição, durante o dia, e em não comer coisas proibidas.

495) Nos dias de jejum, além da única refeição, é proibido tomar qualquer outro alimento?

Nos dias de jejum, a Igreja permite uma pequena parva pela manhã, e uma ligeira refeição à noite, ou, então, cerca do meio-dia, quando se deixa para a tarde a refeição maior.

496) Para que serve o jejum?

O jejum serve para nos dispor melhor para a oração, para fazer penitência dos pecados cometidos, e para nos preservar de cometer outros novos.

497) Quem é obrigado a jejuar?

São obrigados a jejuar todos os cristãos, desde os vinte e um anos completos até aos sessenta começados, se não estão dispensados ou escusados por legitimo impedimento. A abstinência começa a obrigar aos catorze anos.

498) Estão também dispensados de toda a mortificação os que não estão obrigados a jejuar?

Os que não estão obrigados a jejuar, nem por isso estão dispensados de toda a mortificação, porque todos temos obrigação de fazer penitência.

499) Para que fim foi instituída a Quaresma?

A Quaresma foi instituída a fim de imitarmos, de algum modo, o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo observou no deserto, e a fim de nos prepararmos, por meio da penitência, para celebrar santamente a festa da Páscoa.

500) Qual o fim do jejum do Advento?

O jejum do Advento foi instituído para nos dispor a celebrar santamente a festa do Natal.


501) Para que foi instituído o jejum das Quatro Têmporas?

O jejum das Quatro Têmporas foi instituído para consagrar cada uma das quatro estações do ano com a penitência de alguns dias; para pedir a Deus a conservação dos frutos da terra; para Lhe dar graças pelos frutos já concedidos, e para Lhe pedir que dê à sua Igreja santos ministros, que são ordenados nos sábados das Quatro Têmporas.

502) Para que foi instituído o jejum das vigílias?

O jejum das vigílias foi instituído a fim de nos prepararmos para celebrar santamente as festas principais.

503) Que nos proíbe a Santa Igreja nos dias de jejum e abstinência?

Quando a pessoa não está legitimamente dispensada, deve no dia de jejum e abstinência tornar uma só refeição plena, podendo fazer duas outras pequenas, uma pela manhã e outra à tarde, que evite grave dano, como, por exemplo, uma forte dor de cabeça. Nos dias de abstinência, proíbe o uso da carne e do caldo de carne.

504) Por que a Igreja quer que nos abstenhamos de comer carne a sexta-feira?

A fim de que façamos penitência todas as semanas, e sobretudo à sexta-feira, em honra da Paixão de Jesus Cristo.


Catecismo de São Pio X

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Educação precisa de dimensão religiosa

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 5 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – O secretário de Estado de Bento XVI, cardeal Tarcisio Bertone, presidiu a beatificação de uma monja italiana que foi líder em sua época da educação das mulheres. O prelado advertiu que deixar de lado a dimensão religiosa da pessoa empobrece a educação.

Esta foi a mensagem do cardeal Bertone no último domingo, em Ivres (Itália), na beatificação de Antonia Maria Verna (1773-1838).

O cardeal destacou a validez atual das ideias educacionais da religiosa, dizendo que nos recordam a necessidade vital de escolas nas quais a dimensão religiosa “se revele em todos os seus possíveis potenciais, para o desenvolvimento humano total”.

“Muitas vezes, percebemos que as pessoas têm medo de dar espaço à dimensão religiosa da vida, que é inerente ao coração humano”, disse. Lamentou a tendência a “escondê-la no âmbito privado da pessoa. Esta atitude empobrece grandemente a atividade educacional”.

A mensagem da Madre Verna “nos convida a não ter medo de educar as pessoas nas decisões que exigem que Jesus continue presente na Igreja”, disse o funcionário do Vaticano.

“Colaborando com as autoridades civis da sua época, a Madre Antonia se comprometeu com uma forma de educação (…) que poderia chegar a um maior número de crianças e ajudá-las a desenvolver todas as dimensões da sua personalidade, completa e harmonicamente”, explicou.

O número de escolas fundadas pelas Irmãs da Caridade da Imaculada Conceição, da Madre Verna, “nos convida a considerar, hoje mais que nunca, o papel das instituições que desfrutam da paridade com as escolas públicas como um fator que enriquece a educação de uma nação”.

O cardeal destacou que as escolas dirigidas pelas Irmãs da Caridade na Europa, América, Oriente Médio e África produziram “gerações de professores que foram – e continuam sendo – verdadeiros educadores, cuja contribuição para o desenvolvimento cultural e social dos seus países é muito difícil de se avaliar e facilmente esquecida”.

domingo, 18 de setembro de 2011

Confissão Comunitária

Excelente vídeo do Padre Paulo Ricardo acerca da confissão comunitária. Logo abaixo, os cânones do Código de Direito Canônico relativos ao Sacramento da Penitência. Outros vídeos do Padre Paulo estão disponíveis em Christo Nihil Praeponere.



TÍTULO IV

DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

Cân. 959   No sacramento da penitência, os fiéis que confessam seus pecados ao ministro legítimo, arrependidos e com o propósito de se emendarem, alcançam de Deus, mediante a absolvição dada pelo ministro, o perdão dos pecados cometidos após o batismo, e ao mesmo tempo se reconciliam com a Igreja, à qual ofenderam pelo pecado.

Capítulo I

DA CELEBRAÇÃO DO SACRAMENTO

Cân. 960   A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário, com o qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja; somente a impossibilidade física ou moral escusa de tal confissão; neste caso, pode haver a reconciliação também por outros modos.

Cân. 961  § 1. Não se pode dar a absolvição ao mesmo tempo a vários penitentes sem prévia confissão individual, a não se que:

    1º - haja iminente perigo de morte e não haja tempo para que o sacerdote ou sacerdotes ouçam a confissão de cada um dos penitentes;
     2º - haja grave necessidade, isto é, quando por causa do número de penitentes, não há número suficiente de confessores para ouvirem as confissões de cada um, dentro de um espaço de tempo razoável, de tal modo que os penitentes, sem culpa própria, seriam forçados a ficar muito tempo sem a graça sacramental ou sem a sagrada comunhão; essa necessidade, porém, não se considera suficiente, quando não é possível ter os confessores necessários só pelo fato de grande concurso de penitentes, como pode acontecer numa grande festividade ou peregrinação.

§ 2. Julgar sobre a existência das condições requeridas no § 1, n.2, compete ao Bispo Diocesano que, levando em conta os critérios concordados com os outros membros da Conferência dos Bispos, pode determinar os casos de tal necessidade.

Cân. 962  § 1. Para que um fiel possa receber validamente a absolvição dada simultaneamente a muitos, requer-se não só que esteja devidamente disposto, mas que ao mesmo tempo se proponha a confessar individualmente, no tempo devido, os pecados graves que no momento não pode assim confessar.

§ 2. Os fiéis, enquanto possível, também no momento de receber a absolvição geral, sejam instruídos sobre os requisitos do § 1; à absolvição geral, mesmo em caso de perigo de morte, se houver tempo, preceda uma exortação para que cada um cuide de fazer o ato de contrição.

Cân. 963   Salva a obrigação mencionada no cân. 989, aquele a quem são perdoados pecados graves mediante absolvição geral, ao surgir oportunidade, procure quanto antes, a confissão individual, antes de receber outra absolvição geral, a não ser que se interponha justa causa.

Cân. 964  § 1. O lugar próprio para ouvir confissões é a igreja ou oratório.

§ 2. Quanto ao confessionário, estabeleçam-se normas pela Conferência dos Bispos, cuidando-se porém, que haja sempre em lugar visível confessionários com grades fixas entre o penitente e o confessor, dos quais possam usar livremente os fiéis que o desejarem.

§ 3. Não se ouçam confissões foram do confessionário, a não ser por justa causa.


Capítulo II

DO MINISTRO DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

Cân. 965   Ministro do sacramento da penitência é somente o sacerdote.

Cân. 966  § 1. Para a válida absolvição dos pecados se requer que o ministro, além do poder de ordem, tenha a faculdade de exercer esse poder em favor dos fiéis aos quais dá absolvição.

§ 2. Essa faculdade pode ser dada ao sacerdote pelo próprio direito ou por concessão da autoridade competente, de acordo com o cân. 969.

Cân. 967  § 1. Além do Romano Pontífice, pelo próprio direito, os Cardeais têm a faculdade de ouvir confissões em todo o mundo, como também os Bispos que dela usam licitamente, em qualquer parte, a não ser que em algum caso particular o Bispo diocesano num caso particular se tenha oposto.

§ 2. Aqueles que têm faculdade de ouvir confissões habitualmente, em virtude de seu ofício ou por concessão do Ordinário do lugar de incardinação ou do lugar onde têm domicílio, podem exercer essa faculdade em toda a parte, a não ser que o Ordinário local se oponha em algum caso particular, salvo as prescrições do cân. 974, §§ 2 e 3.

§ 3. Pelo próprio direito, gozam também dessa faculdade em favor dos membros e de outros que vivem dia e noite na casa do instituto ou da sociedade aqueles que têm faculdade de ouvir confissões em virtude de ofício ou de concessão do Superior competente, de acordo com os cânones 968 § 2 e 969 § 2; eles também a usam licitamente, a não ser que algum Superior maior se oponha, em algum caso particular, no que se refere aos próprios súditos se tenha oposto, num caso particular.

Cân. 968  § 1. Em virtude de seu ofício, dentro de sua jurisdição, têm faculdade de ouvir confissões o Ordinário local, o cônego penitenciário, o pároco e outros que estão em lugar do pároco.

§ 2. Em virtude de seu ofício, têm faculdade de ouvir confissões dos súditos e de outros que vivem dia e noite na casa os Superiores de instituto religioso ou de sociedade de vida apostólica, se forem clericais de direito pontifício, que tiverem, de acordo com as constituições, poder executivo de regime, salva a prescrição do cân. 630, § 4.

Cân. 969  § 1. Só o Ordinário local é competente para dar a quaisquer presbíteros a faculdade para ouvirem confissões de todos os fiéis; todavia, os presbíteros de institutos religiosos não a usem sem a licença, ao menos presumida, de seu Superior.

§ 2. O Superior de instituto religioso ou de sociedade de vida apostólica, mencionado no cân. 968, § 2, tem a competência para conceder a quaisquer presbíteros a faculdade de ouvir confissões de seus súditos e de outros que vivem dia e noite na casa.

Cân. 970 Não se conceda a faculdade de ouvir confissões, a não ser a presbíteros que tenham sido julgados idôneos por meio de exame, ou cuja idoneidade conste por outra forma.

Cân. 971 O Ordinário local não conceda a faculdade de ouvir confissões de forma habitual a um presbítero, mesmo que tenha domicílio ou quase-domicílio em sua jurisdição, sem antes ouvir, enquanto possível, o Ordinário desse presbítero.

Cân. 972 A faculdade para ouvir confissões pode ser concedida pela autoridade competente mencionada no cân. 969, por tempo indeterminado ou determinado.

Cân. 973 A faculdade para ouvir confissões de modo habitual seja concedida por escrito.

Cân. 974 § 1. O Ordinário local e o Superior competente não revoguem a faculdade concedida de ouvir habitualmente confissões, a não se por causa grave.

§ 2. Revogada a faculdade de ouvir confissões pelo Ordinário local que a concedeu, mencionado no cân. 967, § 2, o presbítero perde essa faculdade em toda a parte; revogada a faculdade por outro Ordinário local, só a perde no território daquele que a revogou.

§ 3. Qualquer Ordinário local que tenha revogado a faculdade de ouvir confissões concedida a algum presbítero informe dessa revogação ao Ordinário próprio do presbítero por razão de incardinação ou a seu Superior competente se se trata de membro de instituto religioso.

§ 4. Revogada a faculdade de ouvir confissões pelo Superior maior próprio, o presbítero perde em toda a parte a faculdade de ouvir confissões dos membros do instituto; revogada, porém, a faculdade por outro Superior competente, só a perde com relação aos súditos da jurisdição deste.

Cân. 975 A faculdade mencionada no cân. 967, § 2, cessa, não só pela revogação, mas também pela perda do ofício, pela excardinação ou pela perda do domicílio.

Cân. 976 Qualquer sacerdote, mesmo que não tenha faculdade de ouvir confissões, absolve válida e licitamente de qualquer censura e de qualquer pecado qualquer penitente em perigo de morte, mesmo que esteja presente um sacerdote aprovado.

Cân. 977 Exceto em perigo de morte, é inválida a absolvição do cúmplice em pecado contra o sexto mandamento do Decálogo.

Cân. 978 § 1. Lembre-se o sacerdote que, ao ouvir confissões, desempenha simultaneamente o papel de juiz e de médico, e que foi constituído por Deus como ministro da justiça divina e, ao mesmo tempo, de sua misericórdia, para procurar a honra divina e a salvação das almas.

§ 2. O confessor, como ministro da Igreja, ao administrar o sacramento, atenha-se fielmente à doutrina do magistério e às normas dadas pela autoridade competente.

Cân. 979 O sacerdote, ao fazer perguntas, proceda com prudência e discrição, atendendo à condição e idade do penitente, e abstenha-se de perguntar o nome do cúmplice.

Cân. 980 Se ao confessor não resta dúvida a respeito das disposições do penitente, e este pede a absolvição, a absolvição não seja negada nem diferida.

Cân. 981 De acordo com a gravidade e número dos pecados, levando em conta, porém, a condição do penitente, o confessor imponha salutares e convenientes satisfações, que o penitente em pessoa tem obrigação de cumprir.

Cân. 982 Quem confessa ter denunciado falsamente à autoridade eclesiástica um confessor inocente a respeito de crime de solicitação para pecado contra o sexto mandamento do Decálogo não seja absolvido sem antes ter retratado formalmente a falsa denúncia e sem que esteja disposto a reparar os danos, se houver.

Cân. 983 § 1. O sigilo sacramental é inviolável; por isso é absolutamente ilícito ao confessor de alguma forma trair o penitente, por palavras ou de qualquer outro modo e por qualquer que seja a causa.

§ 2. Têm obrigação de guardar segredo também o intérprete, se houver, e todos aqueles a quem, por qualquer motivo, tenha chegado o conhecimento de pecados através da confissão.

Cân. 984 § 1. É absolutamente proibido ao confessor o uso, com gravame do penitente, de conhecimento adquirido por meio da confissão, mesmo sem perigo algum de revelação do sigilo.

§ 2. Quem é constituído em autoridade não pode usar de modo algum, para o governo externo, de informação sobre pecados que tenha obtido em confissão ouvida em qualquer tempo.

Cân. 985 O mestre de noviços e seu sócio, o reitor do seminário ou de outro instituto de educação não ouçam confissões sacramentais dos alunos que residem na mesma casa, a não ser que eles, em casos particulares, o solicitem espontaneamente.

Cân. 986 § 1. Todos aqueles que, em razão de encargo, têm cura de almas, são obrigados a providenciar que sejam ouvidas as confissões dos fiéis que lhes estão confiados e que o peçam razoavelmente, como também que se dê a eles oportunidade de se confessarem individualmente em dias e horas marcadas para sua conveniência.

§ 2. Em caso de urgente necessidade, qualquer confessor tem a obrigação de ouvir as confissões dos fiéis, e, em perigo de morte, qualquer sacerdote.

Capítulo III

DO PENITENTE

Cân. 987 Para obter o remédio salutar do sacramento da penitência, o fiel deve estar de tal modo disposto que, repudiando os pecados cometidos e tendo o propósito de se emendar, se converta a Deus.

Cân. 988 § 1. O fiel tem a obrigação de confessar, quanto à espécie e ao número, todos os pecados graves de que tiver consciência após diligente exame, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelas chaves da Igreja, nem acusados em confissão individual.

§ 2. Recomenda-se aos fiéis que confessem também os pecados veniais.

Cân. 989 Todo fiel, depois de te chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar fielmente seus pecados graves, pelo menos uma vez por ano.

Cân. 990 Ninguém é proibido de se confessar por meio de intérprete, evitando-se abuso e escândalos, e salva a prescrição do cân. 983, § 2.

Cân. 991 Todo fiel é livre de se confessar ao confessor legitimamente aprovado, que preferir, mesmo de outro rito.

Capítulo IV

DAS INDULGÊNCIAS

Cân. 992 Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos.

Cân. 993 A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados.

Cân. 994 Qualquer fiel pode lucrar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá- las aos defuntos como sufrágio.

Cân. 995 § 1. Além da autoridade suprema da Igreja, só podem conceder indulgências aqueles a quem esse poder é reconhecido pelo direito ou concedido pelo Romano Pontífice.

§ 2. Nenhuma autoridade inferior ao Romano Pontífice pode conferir a outros o poder de conceder indulgências, a não ser que isso lhe tenha sido expressamente concedido pela Sé Apostólica.

Cân. 996 § 1. Para que alguém seja capaz de lucrar indulgências, deve ser batizado, não estar excomungado e encontrar-se em estado de graça, pelo menos no fim das obras prescritas.

§ 2. Para que a pessoa capaz lucre de fato as indulgências, deve ter pelo menos a intenção de as adquirir, e deve cumprir os atos prescritos no tempo estabelecido e no modo devido, segundo o teor da concessão.

Cân. 997 Quanto à concessão e uso das indulgências, observem-se ainda as outras prescrições contidas em leis especiais da Igreja.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Anticoncepcionais podem ser abortivos?

Interessantíssimo vídeo do Padre Paulo Ricardo acerca dos efeitos abortivos da pílula anticoncepcional.
Vale a pena conferir.


Veja mais vídeos do Padre Paulo em Christo Nihil Praeponere.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O espetáculo da criação




“Uma coisa pode ser muito triste para ser crível ou muito má para ser crível ou muito boa para ser crível; mas ela não pode ser tão absurda para ser crível, neste planeta de sapos e elefantes, de crocodilos e peixes-espada”. Belíssima esta frase do filósofo inglês G.K. Chesterton. Só é possível compreender o espetáculo da criação se houver, inicialmente, algum espanto. A contemplação é a forma mais perfeita da dúvida.

“A árvore da vida”, filme de Terrence Malick, só poderá ser compreendido se for contemplado. É uma obra sobre o espetáculo das coisas criadas, que parte das imagens do mundo para atender às dúvidas de seus personagens. É possível acreditar que existe sentido para todas as coisas, até para o mais doloroso dos sofrimentos, neste planeta onde existem crocodilos e peixes-espada; ou onde já existiram criaturas tão absurdas como os dinossauros, conforme o filme revela em cenas de uma admirável liberdade artística, que só um cineasta muito consciente da necessidade do espanto poderia conceber. Curiosamente, no filme “Além da linha vermelha” (1998), a primeira imagem que Malick revela é a de um crocodilo em submersão. Assim como a filosofia de encantamento de Chesterton, o cinema de Malick se deixa espantar pelas criações do mundo natural.

Na abertura de “A árvore da vida”, em letreiros, o filme cita o personagem bíblico Jó, aquele que perguntava onde está Deus no mundo que permite o sofrimento; porém, aquele sofredor também é indagado sobre onde ele estava quando as lágrimas da criação fundaram a terra. O mundo e o destino não são propriedades criadas pelos indivíduos. Partindo daquela epígrafe, o filme conta a história de uma família americana na década de 1950, onde o pai, vivido por Brad Pitt, é capaz de ferir e de ser ferido pela crença de que o mundo pode ser inteiramente controlado pela vontade humana e que a única ascensão existencial é aquela causada pelas obstinações dos self-made-men. Porém, do mesmo modo que Jó não criou o mundo, nenhum homem pode almejar toda a autoria pelo destino e aquele pai de família só terá o esclarecimento que acalma o espírito depois de sofrer.

Apesar dos lamentos que se tornam oração nas vozes em off de vários personagens, “A árvore da vida” é um filme pontuado por longos instantes de felicidade, afinal a formação dos homens é uma graça. O cotidiano familiar é captado por uma espécie de câmera transcendente, que costuma se deslocar pelo quadro em busca de um personagem até então escondido, ou de uma ação que renova o sentido da cena.

Na formação das crianças, todos os sentimentos juvenis que, para o bem e para o mal, carregamos por nossas vidas adultas, estão presentes no filme. A câmera de Malick se movimenta para descobrir nossos primeiros contatos com a tristeza, a rebeldia e o arrependimento. Mas o fato é que “A árvore da vida” não se encerra como uma simplória lição de moral.

A dor humana continua pelas gerações e, no futuro, será o filho daquele pai americano que terá o espírito tensionado pelas dúvidas existenciais. Este filho, na vida adulta interpretado por Sean Penn, caminha amargurado por entre prédios modernos e paisagens desérticas, onde ouvimos sua voz em off se questionar sobre o sentido do sofrimento. O deserto é o mesmo em todos aqueles lugares, mas mesmo na aridez geográfica ou de uma grande corporação, é possível o encontro do homem consigo mesmo. O deserto também é o lugar onde o Filho do Homem se isolava para rezar e também onde as dúvidas se tornam oração. O "por que me abandonaste" é mais religação do que lamento.

“A árvore da vida” evoca explicitamente o fator religioso, num grau de realismo aristotélico e escolástico diferente das filosofias modernas, que racionalizam o mundo como objeto do pensamento. Malick, que já foi professor de filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), faz um filme filosoficamente apaixonado pela descoberta do mundo - não como uma ideia criada pelo nosso subjetivismo, mas como um espetáculo da alteridade. Cinematograficamente, é uma opção delicada, sendo esta a única e pequena ressalva que, particularmente, faço ao filme. Por vezes, a paixão filosófica de Malick pelo mundo criado sobrecarrega o filme de autoimportância. Cineastas católicos como John Ford, Eric Rohmer e Manoel de Oliveira demonstram com lucidez a beleza do mundo criado, sem que os filmes ressaltem junto ao público que Deus existe e que a humanidade é bela.

De qualquer forma, a insistência filosófica de Malick pode se justificar pelo modo como o filme pede a participação do público. No caso de “A árvore da vida”, ter dúvidas sobre os significados do filme faz parte da mesma curiosidade filosófica que instiga as perguntas sobre o sentido da morte e do sofrimento. A reclamação do público que não compreende “A árvore da vida” é como o caminhar no deserto do homem em crise vivido por Sean Penn. Se em algum momento da modernidade trocamos a complexidade do encantamento pelas coisas prontas do pragmatismo, qualquer coisa que peça a generosidade do olhar nos deixará aborrecidos e confusos. É um estado crítico de vida onde, como diria o cientista francês Blase Pascal, se nos retirassem as diversões, estaríamos a “secar de tédio”, porque acostumados com barulhos e evasões, já não sabemos como nos contemplar. Porém, para quem quiser ver de verdade, o filme de Malick é uma resposta espetacular ao estado aborrecido do mundo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O sacrifício da autoridade paterna

A vida em comunidade precisa de ordem. A inexistência de modos de comportamento regidos pelos mais experientes implicaria numa escravização dos homens aos apetites primários, o que não possibilitaria a vida humana como a conhecemos. A autoridade é, então, uma coisa necessária para a humanidade.

A partir da lei natural, aprendemos em nossos corações que existe uma fonte de autoridade. Na vida social, ora precisamos impor, ora precisamos obedecer. Neste chamado tipicamente humano, há uma série de direitos e deveres que cumprimos, não porque foram invenções de nossos apetites, mas porque é algo que todos reconhecem em si.

Porém, esta igualdade entre os homens, que é a semelhança com Deus, sempre foi questionada. Não me refiro, necessariamente, aos ateus, aos anarquistas, ou a quem quer que duvide ou negue a existência do Deus que ensina aos homens como se assemelhar a Ele.

O nosso egoísmo, quando consumado em qualquer uma de nossas faltas, é um sintoma, desde o primeiro erro da humanidade (que a Igreja chama sabiamente de “pecado original”), de que somos tentados a ser inventores de uma coisa que não nos pertence, que é a fonte de toda a autoridade. Se o outro também tem esta fonte inscrita no coração, eu não posso me colocar à frente dele como legislador da vida. Eu não posso destituir o outro de tal dignidade. Nesse sentido, preciso amar ao próximo como a mim mesmo.

Portanto, somos chamados a viver numa comunidade que será tão mais saudável quanto mais próximo for o entendimento de que os homens são semelhantes a Deus. O uso altruísta da autoridade nata é uma manifestação dessa semelhança e o uso egoísta é a sua negação.

A primeira comunidade semelhante a Deus é a família. Da geração do homem e da mulher, existe uma manifestação que se assemelha à criação primeira. Deus criou o homem e os homens criam os seus filhos.

Se quisermos que a vida humana “dê certo”, é preciso que a família “dê certo”. É muito difícil mudar para melhor as ordenações injustas de nossos sistemas políticos e econômicos, mas, ainda que isto seja possível, é preciso que as mudanças comecem conosco, a partir de nossos círculos mais íntimos.

A família precisa ser imitadora das intenções divinas, criando pessoas em corpo e alma. A educação dos filhos é devedora do “ser humano” que Deus nos concede. A formação precisa da autoridade e enquanto os filhos não atingirem total responsabilidade pelos seus atos, é dever dos pais, não apenas com Deus, mas consigo mesmos e com a prole, exercer os deveres que lhe são concedidos. Se os filhos não estiverem sob as regras firmes dos pais, a família trairá a sua vocação natural.

Pai e mãe são uma só carne e todas as suas intenções para com os filhos precisam ser semelhantes. Aos olhos dos filhos, diferenças de opiniões entre marido e mulher só valem no âmbito das preferências entre morango e chocolate. Se houver diferenças de intenção sobre como exercer a autoridade paterna, que o consenso seja buscado a qualquer custo, nem que um dos lados tenha de ceder. E, mesmo que o lado que opine por mais “rigidez” pareça ter menos razão, é recomendável que a concessão seja para esta orientação. Impedir os garotos de fazer isso, vestir aquilo ou ir para acolá não é o fim do mundo.

Tradicionalmente, a figura do pai zela mais pela rigidez, enquanto a mãe nutre um espírito maior de cumplicidade para com a prole. Se por um lado, a educação moderna coloca o pai mais próximo afetivamente dos filhos, o que é algo muito bonito, por outro lado existe aí a perigosa tentação da cumplicidade. Em muitos lares, o pai é mais manso com a prole do que a mãe, porque o homem quer ser bem quisto pelos garotos. É um anseio compreensível, devido à dureza do mundo. O sujeito passa o dia pressionado pelas dificuldades da vida e quando chega em casa deseja, legitimamente, alguma ternura. Claro que os filhos são fonte de ternura, mas quem tem o dever de zelar pela autoridade no lar não deve se preocupar em ser recebido com mimos. Quando for necessário, o pai deve fazer o sacrifício de ser menos compreendido e querido do que a mãe. Faz parte da sua digníssima vocação. A longo prazo, os filhos bem formados lhe serão gratos, mas no calor do momento, o pai deve estar preparado para a impopularidade.

O homem se inclina mais facilmente pelo zelo da autoridade, enquanto a mulher é uma guardiã mais natural das ternuras. Em algumas ocasiões, o homem pode ser mais terno e a mulher pode ser mais rígida, mas se esta inversão se tornar uma regra, o lar não terá uma ordenação clara e natural. Ainda que o temperamento do homem seja mais maleável do que o da mulher, é preciso ter em vista que o exercício de formar os filhos é algo que nos transcende. Não fomos os primeiros e nem seremos os últimos a educar crianças. É preciso moldar nossas condutas para que sejam de acordo com as intenções divinas para a humanidade. Agiremos em verdade e, neste exercício livre, teremos feito a nossa parte para o bem estar de todos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Nossos amigos

Desde a infância, podemos ter pistas sobre quem somos a partir de quem são os nossos amigos. Gostamos de andar com quem aqueles que se parecem conosco, ou com a imagem que temos de nós mesmos.

Talvez, os amigos da adolescência tendem a ser transitórios menos por causa da mudança de rotinas do que pela luta individual em amadurecer. Em anos passados, aquilo que fazíamos e acreditávamos com os amigos bastante íntimos não combinaria mais com os presentes esforços de se encarar a vida adulta. Por outro lado, pelo fato da regra de se parecer com quem anda conosco permanecer, se o adulto é nostálgico dos companheiros de outrora, existe ali um sinal de dificuldade de amadurecimento. Este adulto ainda é adolescente no coração, porque se simpatiza mais pelos amigos de antigamente do que pelas pessoas que estão do seu lado.

Alguém poderia argumentar que as amizades são dependentes de círculos de convivência que não temos controle para demarcar, afinal não decidimos quem são nossos vizinhos e colegas de convivência diária. Porém, se o indivíduo se faz amigo de muitos daqueles que lhe são rotineiros - e aqui eu descrevo a amizade a partir de práticas como sair para jantar, chamar à casa, viajar juntos, etc - existe nesse sujeito um espírito inclinado a relacionamentos superficiais que reflitiria sua própria superficialidade. Exceções existem, mas se a identificação de amizade é imediata com muitos colegas de trabalho e vizinhos, isto significa que queremos nos parecer com indivíduos que têm as nossas mesmas inclinações - para usar um termo que leio em escritos de São Josemaría Escrivá - "aburguesadas". Pode-se conviver por anos com um desses amigos, mas os diálogos dificilmente sairão de anedotas, comentários sobre espetáculos das massas, fofocas com psicologismos rasteiros e reclamações do tempo, do mundo e das pessoas. Não se pode ser seletivo para ser caridoso, mas aceitar todos os convites para passeios não é necessariamente um sintoma de sociabilidade saudável.

Certa vez, um colega de trabalho, de outro departamento, me disse que não tem amigos, mas que é amigo. Gosto parcialmente da afirmação, talvez porque seja mais fácil para mim ouvir alguém, falar algo e ir embora para casa do que confraternizar com os outros numa festa. Então, se eu converso às vezes com aquele sujeito, em encontros rápidos pelo pátio, é sinal também de que me identifico com alguma coisa dele. O analítico senhor Baltazar gosta de caminhar sozinho por entre os blocos da repartição, sem destino certo. Às vezes, eu faço esses pequenos banhos de sol também, enquanto penso na existência, na humanidade e se compensa comprar um salgado gorduroso na cantina.

Neste andar, de vez em quando a vida faz boa surpresa com uma ligação da Gaby. É bom caminhar ouvindo a voz dela. Para a Gabriely que tanto preciso amar, é dever de sempre que eu busque o melhor dos amigos. Não poderia me imitar, porque nunca sairia de mim a beleza que ela merece. Mas antes de falar sobre este amigo que quero imitar, me permitam recuar num apanhado de impressões recentes. Depois de abençoar o nosso noivado, Dom Rafael Cifuentes continuou sua conferência. Até então, nunca o vimos pessoalmente. Enquanto Dom Rafael falava, alguma coisa do seu olhar, da sua dicção e da sua respiração - enfim, todo um combinado harmônico de se pronunciar sobre a vida - me levava para o Padre Rafael. Espero que vocês não se confundam com tantos Rafaéis, mas eu, Rafael, percebia indícios fortíssimos do Padre Rafael, meu confessor, em Dom Rafael. Para facilitar nossa compreensão sobre os Rafaéis, curiosamente, Dom Rafael foi o primeiro diretor espiritual do Padre Rafael. Algum tempo depois, isso me fez descobrir no coração que existe um carisma especial na ordem a que eles pertencem. Um carisma se manifesta de diversas formas e eu captei parte dele num senso de humor, de serenidade e de bondade que colorem as palavras daqueles sacerdotes. Porém, mesmo tendo descoberto que o carisma era uma coisa da "ordem", eu notava que aquela alegria não tinha sido inventada nem mesmo pelo fundador Escrivá. De fato, alguns padrões de comportamento que se repetem em amigos de um conjunto, mesmo religioso, são invenções bem mundanas. Vide o onipresente sotaque maroto, choroso e mais ou menos carioca dos pastores de uma seita, o palavreado barbado de sindicalistas e a oratória alegre, que não se sabe cínica, dos políticos brasileiros. Porém, na fala daqueles Rafaéis, o assemelhar-se é diferente, porque o amigo que eles imitam não vem da superficialidade da rotina ou dos interesses mundanos. É um amigo bastante conhecido, ainda que pouco ou superficialmente visitado.

Este amigo é Jesus Cristo. Quanto mais quisermos a amizade com Cristo mais nos pareceremos com Ele, do mesmo modo que quanto mais andamos com uma pessoa, mais tendemos a reproduzir o seu repertório de gestos e de expressões. Mas não pode se tratar apenas de uma amizade simbólica. É preciso visitá-Lo no sacrário, buscar Seus sacramentos na Igreja, conviver com bons sacerdotes, enriquecer a vida interior com orações e leituras espirituais, forçar o domínio de si por asceses, e fazer do cotidiano uma extensão da vida de Nosso Senhor.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Igreja e o diálogo com a esquerda


Comunismo e Igreja não dão certo juntos, porque aquele pretende instaurar o Reino ainda na história (séculos antes de Marx, já existiam heresias similares no cristianismo que remontam, em última instância, ao desejo de Judas), ao passo que a cristandade, até mesmo para não se misturar ao poder político, deve almejar a santificação dos seus, um a um, "ovelha perdida" por "ovelha perdida". Naturalmente, a nossa santificação é que tornará o mundo lugar cada vez melhor.

Digo isso, porque, por outro lado, a união dos cristãos com o conservadorismo político chega a um ponto insustentável se a ideia for conciliar os valores e consequências do liberalismo econômico com o cristianismo. A Igreja, definitivamente, não endossa os rumos de uma cultura que, na criação desenfreada de produtos de consumo, tem alimentado os demônios do individualismo, da massificação, da avareza corporativa, da esterilidade social e da crise das famílias.

Penso que o liberalismo só pode ser mais "desejado" que o comunismo, porque não existe no sistema capitalista um projeto articulado de reformulação da sociedade. Porém, é bastante claro que a civilização do consumo tem causado revoluções de comportamento que, se fizessem parte de um programa organizado com este fim, seriam gravemente condenadas pela Igreja. Aliás, os "estragos" causados por esta cultura moderna não perdem em nada para as violências dos regimes totalitários, porque são nascidos do mesmo desencanto.

O liberalismo e o comunismo são filhos do mesmo pai, o deus ausente. Primeiro, acreditaram que Cristo não precisava da Igreja. Depois acreditaram que o mundo não precisava de Cristo. O ateísmo moderno foi o caminho natural desse desencanto que, nos dias de hoje, coloca em dúvida a própria crença no "homem".

Se o liberalismo econômico, na pior das hipóteses, é mais "desejado", eu ouso dizer que do ponto de vista da investigação da realidade que alerta para a necessidade de mudanças, há pontos do pensamento da esquerda indubitavelmente mais cooperativos com os desafios da cristandade do que as repercussões individualistas da filosofia liberal. Se eu chego à conclusão, por exemplo, que a esterilização artificial da sociedade tem raízes na alienação causada pelo mundo do consumo, humildemente atribuo à esquerda esse tipo de investigação.

É preciso abrir as portas para o diálogo com todos aqueles, à direita ou à esquerda, que estejam interessados num mundo atento para a dignidade humana.

Desde que era cardeal, o Papa Bento XVI mantém diálogo com um jornalista alemão de esquerda, Peter Seewald. Os diálogos já renderam dois livros "Sal da terra", de 1996, e "Luz do mundo", de 2010.

Uma pergunta do jornalista em "Sal da terra" me chamou muito a atenção. Peter Seewald rememora uma carta de Pier Paolo Pasolini ao Papa Paulo VI, numa época já próxima do falecimento do cineasta. Pasolini escreve, com uma certa esperança, que a Igreja deveria resgatar um espírito de contestação e unir os inconformistas do "império" do consumo, numa luta análoga à do papado contra os poderes de outrora.

Na resposta, o então cardeal Ratzinger diz que há muita verdade na fala de Pasolini, uma vez que desde os profetas hebraicos existe a disposição para a crítica radical da sociedade.

Penso que ainda há muito a ser amadurecido no diálogo da Igreja com a esquerda, não para uma conciliação harmônica e impossível do cristianismo com o marxismo, mas na busca de alguns pontos de cooperação, do mesmo modo que ocorre com o conservadorismo de direita. As consequências da teologia da libertação ainda causam problemas lamentáveis, mas se a cristandade e a esquerda quiserem cooperação parcial ao invés de conciliação total, boas coisas surgirão.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Quem assume que a vida humana tem postura, tem escolha e tem livre agir, deve se perguntar se o finito basta. O finito é onde ajo, é o que eu tenho na carne, e é o que muita gente pode me confortar com explicações científicas.

Sim, eu posso viver de finito, mas particularmente ele não me convém, porque o finito pode conviver com a desgraça. A notícia mais escabrosa da página policial não impediu que no finito de hoje fizesse sol. Se o finito bastasse, eu poderia ser mais um a escandalizar quem tem dificuldade de infinito por causa da barbaridade do jornal. Não teria nenhuma obrigação empírica com o mundo, ou se na melhor das hipóteses tivesse, seria algo precário, relativo.

Mas, porque eu preciso de postura, aquela que me convém demanda algo que não cabe na finitude meu pensamento. Por isso eu me interesso é pelo verbo Daquele que se diz amor.

Contudo, se o finito é a nossa coisa acessível, meu apego a ele seria capaz de implorar para que Aquele verbo ficasse aqui conosco, nem por pouquíssimo tempo. Que Ele fizesse parte da história para me convencer do verbo infinito de que preciso.

Eis o mistério da Igreja. Não tive o privilégio do que aconteceu a mais de 2000 anos, mas a verdade é que facilmente eu fugiria do martírio daqueles que viram. Eis, de novo, o mistério da Igreja. Ela me aceita hoje para eu ver o infinito no sacrário.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O esforço para o amor

Somos educados para o esforço. Desde criança, sabemos que é preciso ter força de vontade para se dar bem nos estudos e, à medida que crescemos, quanto mais tempo gastarmos com a aprendizagem de uma ocupação, mais chance teremos de alcançar bons postos no mercado de trabalho.

A virtude da fortaleza é inquestionável, mas podemos nos indagar se a época moderna não anda relegando a força de vontade apenas para os aspectos de formação social do "eu". Na educação moderna para a obstinação, é sempre sugerida uma recompensa que vem nas formas de status e de conta bancária avantajada. Quem estudar e trabalhar mais, terá mais vantagens.

Uma das coisas que mais percebo faltar na formação social é uma "educação para o amor". As pessoas são muito pouco instruídas a perseverar no amor. Confunde-se o amor com um sentimento que é despertado magicamente no coração, ao invés de ser aprendido como aquilo que verdadeiramente é, ou seja, um ato da inteligência e da vontade. Nesse sentido, o amor a Deus fica sujeito a modismos espirituais, o amor conjugal se torna apenas uma continuidade, por poucos anos, de algumas faíscas vibrantes do namoro e do noivado; o amor à família vira "apegos umbilicais" e o amor à humanidade vira simples filantropia, resolvida numa ligação para o "Criança Esperança".

Diante desse quadro social pouco inspirador, a crise da meia-idade se torna, então, uma das coisas mais previsíveis do mundo. É possível, inclusive, uma crise de meia-idade aos vinte e poucos anos! Nessas crises existenciais, o sujeito se percebe desmotivado e com a alma árida, afinal pode ser que nunca lhe ensinaram (ou ele não quis ouvir seu próprio coração) que perseverar nos assuntos do mundo é importante, mas mais valioso ainda é direcionar o espírito da vontade para o cultivo de boas relações pessoais.

Não quero relativizar a importância do aperfeiçoamento nos estudos e do trabalho bem feito, mas alerto para nossa imperfeição social, que tende a associar esforço com recompensas materiais. Porque o fato é que, antes de qualquer coisa, a fortaleza é para ser conduzida como serviço e como inclinação natural para fazer o bem.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Discurso e poder

Meditação sobre a Igreja e o Estado laico

As discussões sobre a regularização do casamento entre homossexuais no Brasil estão muito ruins. É uma pena. Concordantes e discordantes, assim como acontece no debate sobre o aborto, tendem a se fixar em argumentos relacionados a elementos da fé religiosa, que são perfeitamente dispensáveis. Que um feto seja uma vida humana, com informações genéticas e comportamentos fisiológicos individuais, é fato que dispensa a crença religosa de que haja ali um ser humano. O bebê é visível, palpável. As técnicas científicas permitem tal observação, o que torna a defesa da vida uma posição fácil de ser aderida por qualquer indivíduo com um mínimo de respeito pela dignidade humana, independentemente de sua fé religiosa. Os bebês que são abortados agonizam e reagem, como podem, à morte forçada. Isso é materialmente e exaustivamente constatável, como a luz que o interruptor acende ou a água que sai da torneira, tratando-se, assim, de uma percepção completamente diferente de acreditar na Ressurreição de Nosso Senhor ou na Assunção da Virgem Maria.

Porém, deve-se admitir que figuras da própria Igreja tem dificuldade de se fazerem entendidos pelos meios de comunicação. Claro que o aborto ofende a Deus e este é o principal motivo para o repudiarmos, mas quando se participa da discussão política, os católicos devem seguir os anseios da Igreja, que deseja ardentemente por um Estado laico. Sim, o Papa é um defensor convicto do Estado laico. Por isso, quando se discute um tema como o aborto, os cristãos devem se pautar por argumentos que a razão de qualquer pessoa pode alcançar. São argumentos que precisam da nossa humildade. Poderíamos lançar grandes e belíssimos tratados ontológicos sobre a dignidade humana, mas temos de nos sujeitar a coisas pequenas e raciocínios mais simples, partindo, por exemplo, de imagens geradas por ultrassons que demonstram a quem quiser ver que existe, sim, uma vida humana no ventre materno. Se o conceito de "vida humana" for vago para alguns, ressaltemos que o sujeito não precisa nem acreditar que exista uma "alma humana" para reconhecer a vida material de um feto.

O discurso da Igreja sobre o aborto é politicamente necessário, porque a cristandade não pode se omitir diante de abusos contra o ser humano. Mas não é um discurso que tem a pretensão do poder político de fato. Igreja é uma coisa, poder público outra. Criticar a Igreja por, simplesmente, se pronunciar sobre qualquer tema é um absurdo. É irônico que alguns defensores da "democracia" não se atentem para isso, porque em última instância, não querer que a Igreja fale, é desejar um mecanismo de censura. Politicamente a Igreja tem exatamente a mesma pretensão da minha pessoa, quando escrevo neste espaço. Eu, Rafael, quando digo que repudio o aborto e faço disso uma luta pessoal, não tenho a pretensão de tomar o poder público para mim. Eu, Rafael, como Igreja Católica que também sou, faço o discurso politicamente necessário, mas não almejo com o gesto do discurso a política da execução. Uma coisa é poder de esclarecer, outra é poder de decretar.

Curiosamente, quando disse acima que a discussão sobre a regularização do casamento gay está muito ruim, uma das razões que me leva a pensar assim está relacionada a um certo absurdo de politizar algo de ordem perigosamente politizável. Explico melhor: diferentemente do aborto, que envolve, em cada caso, um gesto que pode ser tipificado criminalmente como homicídio, isto é, a retirada do feto do ventre materno; a questão homossexual envolve um costume que a cristandade, diferentemente de alguns países teocêntricos, de matiz fundamentalista islâmica, não tem a menor pretensão de criminalizar. Nesse sentido, politicamente, o homossexualismo interessa tanto para o cristão, como a masturbação, a fornicação ou o adultério. Todas essas práticas são desordenadas, do ponto de vista do fim da sexualidade humana, mas assim como a Igreja nunca levantou a estranha possibilidade de criminalizar indivíduos com comportamentos sexuais fora do contexto matrimonial, é possível dizer, com convicção, que a autêntica cristandade não persegue os homossexuais.

Politicamente, os cristãos podem ser solidários aos homossexuais, nos casos de ofensas verbais e físicas. Se um indivíduo humilhar um homossexual por essa condição particular, cabe à sociedade discutir formas de coibir esse tipo de conduta. Porém, politicamente, não se poderá esperar nunca de um cristão que feche os olhos para as consequências civilizatórias não apenas das relações homossexuais, mas da sexualidade que rebaixa o ser humano à categoria de objeto de prazer e que impede ou danifica a segurança dos núcleos que rejuvenescem as sociedades: as famílias. O homossexual, na tipificação grosseira da civilização moderna, caracterizada pelo ajuste dos indivíduos nos compartimentos do mundo da ação e do trabalho, corre o risco de ter sua existência reduzida à causa política. O homossexual perde a oportunidade de buscar a própria felicidade quando um assunto particular e naturalmente propenso a problemas torna-se mote de sua afirmação social.

De qualquer forma, o cristão deve se preocupar com os homossexuais, exatamente como se preocupa com a gigantesca maioria dos cidadãos comuns, que por falta de formação, não compreendem ainda a beleza do encontro do homem e da mulher, cujos corpos são feitos de uma linguagem que pede pela sexualidade integral e exclusiva. A própria castidade, dos solteiros e dos consagrados, ganha uma belíssima dimensão diante do que se guarda.

O sexo é uma extraordinária integração que, sendo uma fonte elevada de satisfação, precisa apenas ser vivido de forma a se respeitar ao máximo o seu significado. Ouso dizer que, por incrível que pareça, os costumes hedonistas levam à repulsa pelo sexo verdadeiramente bom. Exemplo rápido e simples: o slogan de que "sexo é bom - use camisinha" é de uma contradição gritante. Os preservativos são uma ofensa brutal, entre outras coisas, aos tempos que uma relação autenticamente satisfatória demanda. São, literalmente, corpos estranhos que, nos momentos em que as mulheres precisam sobremaneira ser atendidas por afetos profundos, apressam ou eliminam ritmos que os homens só podem aprender numa relação livre de utensílios que precisam ser retirados. Note-se que este é um caso de uma percepção sobre a sexualidade desprovida de argumentos religiosos.

Não quero, com toda essa discussão, subestimar o discurso da ordem religiosa, mas atentar para o fato de que, seguindo a mesma linha de raciocínio acima, trata-se de um depositório de palavras que precisa ser vivida de forma mais plena. A Igreja é para ser vivida no sacrário, na doutrina e nas nossos cotidianos preenchidos com comportamentos caridosos, compreensivos e pacientes. A política dos homens, eu penso, é para ser debatida a partir de pressupostos simples, com fundamentos ancorados numa razoabilidade atingível a todos, e às vezes no próprio Direito Natural.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A importância da vida interior

Presenciamos ao nosso redor pessoas com sintomas de ansiedade, irritação e medo. Nós mesmos experimentamos cotidianamente, em maior ou menor grau, essas desagradáveis visitas espirituais. De qualquer forma, é possível que melhoremos muito nosso enfrentamento com aquelas sensações.

É necessário, primeiramente, que tenhamos conversas interiores, de profunda autorreflexão. Não digo que precisemos rezar por horas e horas, nem que tenhamos de aprender técnicas de meditação, ou coisas do tipo. Para ter esse tipo de vida interior é preciso, antes de tudo, questionar as nossas atitudes: o que fazemos de bom, de ruim, de neutro – não importa. Precisamos reparar em toda a nossa conduta e perceber como reagimos interiormente a cada coisa. O que nos deixa agitados? O que nos deixa constrangidos? E como reagimos exteriormente às coisas do cotidiano? O que nos faz balançar as pernas? O que nos faz levantar o tom de voz? O que nos faz franzir a testa?

A partir desse mapeamento contemplativo, poderemos chegar à conclusão, por exemplo, de que determinada irritação pode ser consequência de uma ansiedade que não tínhamos aprendido a detectar. É um primeiro passo para lidarmos melhor com nosso nervosismo. Ter controle de si é um sintoma importantíssimo de fortaleza. Quem não se contempla, é capaz de se apavorar ou se enfraquecer por coisas mínimas.

Mas e quando os sintomas de stress chegam por fatores que fogem ao nosso controle? Quase sempre, é assim, certo? Sim. Mas a nossa resposta ao fator externo, seja um evento ou um comportamento desagradável de alguém, pode ser purificada, eu diria. Vivamos, em toda a nossa vida, a disposição para a caridade! Se nos desagradam, a primeira atitude é encarar o ato como uma mortificação que nos leva a Deus, ao sumo bem. Foi permitido tal desgosto, porque eu posso ter força o suficiente para encará-lo, ainda que eu pareça ser a pessoa mais frágil do mundo.

Se Deus fala ao universo, Ele fala comigo todo o tempo. Mesmo na tristeza que nos atinge, Deus nos fala como podemos ser bons. Todas as sensações espiritualmente desagradáveis são vazios que gritam por preenchimento do que é bom. E o que é bom, existe em abundância inimaginável.

Ter vida interior: conversar consigo mesmo e perceber a presença de Deus em todas as coisas do cotidiano são dicas valiosas para melhorar nossa existência. Faremos o bem para os outros e cuidaremos melhor desse tesouro que nos foi dado, o coração humano.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Meditação sobre o espírito de serviço

É preciso recuperar nossa admiração nata pelo espírito de serviço. Numa época em que as ocupações tidas como serviçais são rebaixadas na bolsa de valores humanos, precisamos nos dar conta de como é imaturo não reconhecer a dignidade do servir. Saber servir faz parte da própria educação para o amor.

Insisto nos meus textos sobre a fugacidade do mundo. As coisas mundanas, por mais imponentes que sejam, tendem ao pó e às cinzas. Se a existência não for vivida a partir de perspectivas transcendentes, a morte será o único destino certo. O orgulho do poder e do ter não adianta nada, porque é uma experiência fechada em individualismo, ao passo que o espírito do serviço envolve a pessoalidade aberta. A satisfação em servir e a gratidão que sentimos quando somos brindados reflete como a humanidade é sedenta por entendimento e sentido.

Que época estranha, quando a nobre ocupação de cuidar de uma casa é tida tolamente como submissão!

Longe de mim dizer que as mulheres não tenham de ocupar postos no mundo do trabalho, mas é uma verdade claríssima que, nos dias de hoje, uma moça que queira se dedicar exclusivamente aos assuntos da família, na organização do lar, é muito mais livre do que uma colega de geração que projeta no mercado de trabalho a sua principal fonte de satisfação pessoal. É absurdo que uma mulher que opte pelas tarefas de casa sofra qualquer tipo de pressão social para abandonar sua liberdade em troca de serviços prestados para uma organização qualquer, afinal não pode haver nenhuma empresa mais importante do que o lar. Tudo pode ser serviço, mas é bem melhor o “lucro” perceptível no cuidado das pessoas amadas do que no dinheiro que geralmente se gasta em demandas consumistas e pagamento de supostas “boas escolas” para os filhos.

Com medidas bastante simples, podemos arejar nossos corações para o reconhecimento da magnanimidade do serviço. Diariamente, somos tomados por preguiças aparentemente insignificantes, mas que somadas ao ritmo incessante da rotina podem criar desentendimentos frequentes. Pode ser que tenhamos de conviver com alguém de espírito mais distraído, por exemplo. Volta e meia, quando já estamos dentro do carro, preparados para sair, essa pessoa esquece alguma coisa dentro de casa. Em vez de criticar, por que nós mesmos não oferecemos, com um sorriso tranquilo no rosto, para pegar o que foi esquecido? Ainda que o impulso inicial seja bradar que estamos muito atrasados, ou que a pessoa deveria ser mais atenta, conter o ímpeto de reclamar é sinal de fortaleza e domínio de si. O que poderia resultar em discussão se torna serviço. Saímos de nossa comodidade e, fazendo um favor para o outro, criamos um pouco mais de ternura no cotidiano.

O espírito de serviço é valioso, porque é simples. Tarefas pequenas e invisíveis nos aparecem em diversas ocasiões e não podemos boicotá-las. Talvez, por um desordenado amor próprio, pensamos que determinados serviços são humilhantes ou que a outra pessoa não mereceria nossa aparente submissão. Queremos manter nossa “boa imagem”, sem perceber como são frágeis nossos vaidosos conceitos de autodefesa. Somos o que somos diante de Deus. Nenhuma opinião sobre a nossa “imagem” abala o que verdadeiramente somos. Por outro lado, recusar-se a ser generoso é que fragiliza o ser, porque isso é uma mentira que molda o mundo ao tamanho do nosso “eu”.

Meditemos sobre a majestade de Nosso Senhor, que veio “não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão (Mt 20, 26):

Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes. (Jo 13, 13-17)

domingo, 17 de abril de 2011

Disposição para a fidelidade



Amizades verdadeiras pressupõem admiração mútua, confidências íntimas e vontade de crescimento pessoal para si e para o outro. Se não for assim, o companheirismo serve apenas para apaziguar um pouco a solidão individual, em meio a diversões rápidas e esquecíveis, o que não é nada confortável se tivermos em mente que o ser humano tem sede de relacionamentos profundos. Se valorizarmos devidamente a amizade, chegaremos à conclusão de que se ela ocorre entre pessoas de sexos opostos, o relacionamento afetivo será o seu desdobramento mais pleno e sincero. Por isso, eu acredito que as pessoas compromissadas já encontraram o “melhor amigo” e que dali em diante, o ciclo de amizades deverá permanecer restrito a pessoas do mesmo sexo. Vou adiante e arrisco dizer que, num relacionamento, se o desapego livre e natural para com as amizades do sexo oposto não vier, é sinal de que não existe ainda o amadurecimento necessário para o bem estar do casal. Um rapaz deve se perguntar, por exemplo, por que outras moças também lhe despertam a vontade de ser afetuoso. Será que esse rapaz está preparado para as exigências do amor entre homem e mulher, que demanda fidelidade e compromissos profundos e afetuosos com uma só pessoa? Será que esse rapaz tem em seu coração que fidelidade e felicidade são um elo inquebrantável? Devemos ter em mente que, por mais inocente ou despretensiosa que possa parecer uma amizade, o ser humano é vulnerável e carente. Pessoas podem se apaixonar pelo modo como nos comportamos e, para uma pessoa compromissada, mesmo que ela não queira, o sexo oposto pode ser atraído por coisas mínimas, como uma fala, um sorriso ou um olhar. Para evitar o transtorno de uma terceira pessoa apaixonada, o melhor a ser feito é evitar a ocasião. O ser humano é convidado para a fidelidade. É um desejo de todos. Até quem diz o contrário, se não fosse tão surdo de cinismo, ouviria essa verdade gravada no coração. E para que socialmente a fidelidade conjugal deixe de ser um benefício de poucos “escolhidos”, é preciso que seja divulgada uma vontade firme de desejar um só amigo, de corpo e de alma. É preciso que as pessoas saibam que nada é mais confortável do que contar com o mesmo amigo todos os dias e que nada é mais digno para os deleites que nos foram dados, deixar que eles sejam propriedade de uma só pessoa amada.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quando um pároco se vai...



Leio nos jornais que os frequentadores da comunidade Sagrada Família estão aflitos com a partida do pároco Luiz Augusto, um sacerdote que há 15 anos empreende grandes obras de evangelização na outrora pacata Vila Canaã. Os fiéis estão muitos chateados com o bispo D. Washington, porque temem que tudo o que o pároco construiu possa se enfraquecer nas mãos de outro "administrador". Um abaixo-assinado que pede a manutenção de Luiz Augusto circula na internet. O padre Luiz Augusto é um homem muito caridoso, firme na fé e responsável, quem sabe, pela conversão de milhares de pessoas. É uma figura que enriquece muito a Arquidiocese de Goiânia. Porém, muitos de seus admiradores precisam ter em mente que a Igreja não é movida pela lógica do empreendedorismo. Aliás, nem deve ser. É preferível cativar uma "ovelha perdida" para os planos da eternidade do que conduzir massas maleáveis a gostos passageiros. Sucesso popular é programa policial de televisão, show de axé, bombril e jogo de futebol. Essas coisas podem ser medidas por planejamentos estratégicos, reuniões com anunciantes e táticas de sedução sentimentais, porque são naturalmente fadadas ao descarte futuro. Nesse sentido, pensar numa Igreja para as "massas" envolve riscos mercadológicos, o que não tem absolutamente nada a ver com os rumos da instituição que o próprio Cristo conferiu a São Pedro, o primeiro papa. Se é fundamento do catolicismo que exista uma fidelidade ao bispo e ao papa, os fiéis indignados com D. Washington confirmam a fragilidade da Igreja articulada para as massas. Como católico, devo todo meu respeito ao padre Luiz Augusto ou a qualquer sacerdote que seja um sucesso entre as massas. Diante de um padre Fábio de Melo, por exemplo, eu me ajoelharia para receber o Cristo que só os sacerdotes manifestam pelos sacramentos. E justamente porque devemos respeitar a condição do sacerdócio, para o bem do padre Luiz Augusto e de toda a Igreja, é bom que ele se estabeleça numa outra paróquia se isso for vontade do bispo. Cito novamente no blog, uma passagem de Sob o sol de satã, de Georges Bernanos (1888-1948), onde o autor sonda brilhantemente a intimidade do que é ser um sacerdote "superior" na Igreja: "Você é um homem bem diferente de mim, tornou ele, você me virou como a uma luva. Pedindo-o ao Monsenhor, eu tinha tido esse sonho meio ingênuo de trazer à minha casa um padre jovem, com desfavoráveis notas, destituído dessas qualidades naturais que tanto me seduzem… um padre que eu iria formar o melhor que pudesse para o ministério paroquial… No fim da vida isso representava pesadíssimo encargo. Mas também eu era feliz demais em minha solidão para aí findar meus dias em paz. O julgamento de Deus deve surpreender-nos em pleno trabalho… O julgamento de Deus! … Mas, agora vejo que é você, Donissan quem me forma, disse ele, depois de longa pausa".

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Os negócios do mago


Enquanto lia os primeiros capítulos do livro “O hobbit”, de J.R.R. Tolkien, apenas uma coisinha me incomodava naquela fantástica saga. Na expedição constituída pelo pacato Hobbit, pelos anões guerreiros e pelo mago Gandalf, cada vez que o grupo se metia numa enrascada, uma mágica qualquer resolvia o problema. Gandalf se tornava, assim, um personagem muito previsível. Porém, num determinado momento, Gandalf deixa o grupo para tratar de outros “negócios”. O hobbit e os anões terão de continuar a trajetória em busca dos tesouros escondidos pelo dragão sem as intervenções milagrosas do mago. A beleza da obra de Tolkien se encontra nessas sutilezas. Gandalf representa uma figura paterna: um pai, um sacerdote ou um conselheiro que cada um tem em suas vidas. Quando ainda somos pequenos ou imaturos, há sempre alguém para intervir por nós. Essas pessoas que nos formam não estarão conosco em todos os momentos, mas foram elas que nos abriram caminhos. Foram elas que nos ensinaram a ser “magos” também, porque um dia iremos intervir por nossos cônjuges, filhos e amigos mais inexperientes. Na obra de Tolkien, ao fim da narrativa, Gandalf volta. Essa volta do mago indica que mesmo depois de crescermos, ainda precisamos daqueles que nos ajudam. Inclusive, eu me pergunto seriamente se o próprio Gandalf, quando ia tratar de seus “negócios”, não tinha magos mais experientes para lhe ajudar. É bem provável que sim.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A casa

Quanto mais vozes - nem que sejam um tanto razoáveis, ouvimos interiormente, mais tenso estará o espírito. Não quero defender algum tipo de niilismo zen, que rejeita essas vozes em benefício de um paz profunda, porém meramente individual. O espírito precisa ser agitado, não por vozes, mas por resoluções simples. Um mandamento, que resume todos os outros, de acordo com Cristo (Amar a Deus sobre todas as coisas) ou uma disposição como a de Maria (Faça-se em mim segundo a Tua palavra) bastam para inclinar o indivíduo à coisa certa.

O silêncio de Maria nos Evangelhos é inspirador. As poucas e firmes palavras da Imaculada revelam a verdadeira paz de espírito. Uma paz interior, mas com efeitos exteriores, porque é o próprio meio que se deixa inundar por tal grandeza, diferentemente da profunda paz niilista.

Imagino que a casa física da Sagrada Família era um lugar onde as visitas se espantavam, às vezes ao ponto de algum êxtase, com tamanha alegria silenciosa. Eu também imagino que aqueles contemporâneos de Nosso Senhor, quando saiam daquele ambiente, talvez experimentassem, após o êxtase, alguma nostalgia por terem saído do verdadeiro lar.

Hoje, a devoção à Sagrada Família é um convite para todos nós, eternamente contemporâneos a Cristo, a permanecer naquela casa.

terça-feira, 15 de março de 2011

As famílias e o tempo



Na carta do Papa Bento XVI para o 7° Encontro Mundial das Famílias, que será realizado em 2012, em Milão, ele afirma: Infelizmente, nos nossos dias a organização do trabalho, pensada e levada a cabo em função da concorrência de mercado e do máximo lucro, e a concepção da festa como ocasião de evasão e de consumo, contribuem para desagregar a família e a comunidade, bem como para difundir um estilo de vida individualista.

A criatividade é fundamental para que a vida em família não seja correria ou superficialidade. Quando um passeio, por exemplo, demora-se em congestionamentos e filas estressantes de consumo, não seria esse tipo de diversão algo a ser evitado ou trocado por coisa melhor? Do mesmo modo, a mensagem do Encontro pode servir para os jovens adultos. As baladas não serão, por exemplo, mais desespero do que lazer?

O sentido construtivo da vida se opõe gravemente à pressão consumista. A felicidade não existe quando a alegria é gasta. A satisfação só dura se pudermos levá-la conosco, no caminho de nossas casas.